A Charanga de Jaime recebe Cunhado

 – Laura, como estão os preparativos? Ele está chegando? – Pergunta Jaime de Carvalho à sua esposa.

Na mesa, Wilson Batista combinava com João Nogueira cada detalhe do dueto que preparavam para homenagear o mais novo ilustre membro. Ary Barroso insistia num solo com sua famosa gaitinha para o número principal.

Mais a frente dos músicos, todo elenco tricampeão do Flamengo de 42, 43 e 44. Jaime insistia para que Valido contasse o histórico gol da final de 44, o que valera o primeiro tri. Gustavo de Carvalho e Domingos Marques de Azevedo engrossavam o coro. Alberto Borgerth sorria com toda aquela celeuma.

Dona Laura preparou com cuidado o ambiente. Paredes forradas de preto e encarnado, as liras brancas da Charanga foram espalhadas por todo lugar. Dona Laura e a filha Sueli tiveram um trabalho enorme para fazer. Maria Lenk deu sugestões para a iluminação.
Ainda entre os presentes, Olavo Bilac, frequentador da República Paz e Amor, Mario Filho, o famoso jornalista do Jornal dos Sports que registrava cada momento do evento. Entre os ilustres convidados, Nelson Rodrigues, único a não ser declaradamente flamengo. Jaime só liberou a vinda do tricolor após José Vaz mostrar como Nelson sempre admirou o nosso Flamengo.

– Ele está chegando! – Avisa Dona Laura ansiosa. O surdo é acionado. Sete toques secos no couro esticado. Todos se levantam! A formação original da “primeira Charanga”, a que Jaime formara de fato em 43, um ano após a fundação da torcida conhecida como “Avante Flamengo”, começa a entoar o hino oficial composto por Paulo Magalhães na década de 20. Paulo estava num canto emocionado com uma bandeira Rubro-Negra nas mãos. Todos começaram a cantar “Flamengo, Flamengo, Tua Glória é lutar/ Flamengo, Flamengo campeão de terra e mar”. Ao fim todos se sentam.

O novo membro caminha tranquilamente. O sorriso é notório ao ver cada rosto conhecido, os amigos, os ídolos Rubro-Negros. Silêncio! A memória que antes vacilava, hoje funciona num fôlego de atleta. O Epitáfio é declamado por ele! Diz um trecho:

“Eu não quero funeral na minha cova
Só a turma da torcida organizada
E alguns amigos reles da calçada.

Que o meu caixão seja coberto com a bandeira nova.
Clube querido de ti me despeço.
Fica com a tua eterna glória
Os teus louros são os da vitória
E aqui fica um breu do meu santo recesso da sepultura. (…)

(…) Aqui dorme o ASA, flamengo verdadeiro
Passou vida apertada e trabalhosa
Comeu, bebeu, gozou sem ter dinheiro!”

Aplausos efusivos, abraços de todos os presentes no amigo querido! Do fundo, Jaime esbraveja como se estivesse na arquibancada: – Bem vindo Antônio Soares de Azevedo, ASA, o Cunhado da Charanga do Flamengo! –

Wilson Batista começa o dueto com João Nogueira em “Samba Rubro-Negro” acompanhados também por Bezerra da Silva, Wilson Simonal e Lamartine Babo.

E lá, celebram até o momento a chegada do “Último da Charanga”! Jaime já deixara tudo organizado para irem todos ao “Velho Maracanã”, aquele de cimento, o gigante falecido em 2010!

Obrigado, Cunhado! Vá em paz! Avante Charanga

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