A história do Clube de Regatas do Flamengo – Volta ao topo no novo milênio

 

 

2000 a 2009 – Volta ao topo no novo milênio

Depois de uma década ingrata, com resultados pouco expressivos para sua grandeza, o Flamengo voltou a ‘dominar’ o futebol carioca com folga e a ser o melhor do Brasil, por duas vezes. Além disso, esse período acabou marcado por dois tricampeonatos, conquistados em cima de um só rival, cada, feito inédito na história do clube.

Em 2000, o Flamengo havia acabado de firmar acordo com a empresa suíça de marketing esportivo, a ISL, que agenciava, inclusive, o marketing da Fifa. Isso acabou possibilitando ao Flamengo realizar grandes contratações, como Petkovic, Edílson e Gamarra, além do grande técnico Zagallo.

E já na mesma temporada, o primeiro título. Em final diante do Vasco, o Flamengo chegou ao bicampeonato estadual. Logo na primeira partida, o Rubro-negro mostrou todo seu potencial e fez 3 a 0 no rival, com gols de Athirson, Fábio Baiano e Beto.

Com a vantagem, o Flamengo lotou o Maracanã de torcedores para levantar a taça. Apesar de sair perdendo o jogo decisivo, após levar um gol de Viola, o Rubro-negro virou o placar, com Reinaldo e Tuta, deixando o título ainda mais gostoso.

A parceria com a ISL chegou ao fim, mas o Flamengo não parou de vencer. Em 2001, novamente diante do Vasco, o Rubro-negro chegou ao tricampeonato, até então o terceiro de sua história. Mas a finalíssima do Cariocão daquele ano representou para os torcedores muito mais que um título. Era o nascimento de um ídolo.

Depois de perder o primeiro jogo por 2 a 1, o Flamengo chegou a decisão precisando desbancar o Vasco por dois gols de diferença. Não que o feito era impossível. Mas o time cruzmaltino, campeão brasileiro no último ano (2000), era um dos melhores do país.

Começou o confronto e o Vasco já obrigava Julio Cesar, então goleiro rubro-negro, a trabalhar bastante. Ele se tornaria uma das estrelas desta conquista, após atuação impecável. Mas foi o Flamengo que abriu o placar. Edilson, de pênalti, aos 28 minutos, deu esperanças à Nação.

Só que a alegria não chegou nem ao intervalo, pois o Vasco, após pressionar bastante, conseguiu o empate com Juninho Paulista. Fim da primeira etapa, times no vestiário e os torcedores do Vasco já entoavam o grito de é campeão.

Eles não contavam, no entanto, com a mística rubro-negra, que entraria junto com o time na segunda etapa. Logo aos oito minutos Edilson ampliou, após linda jogada e cruzamento de Petkovic. A partir daí, muita emoção. Bola na trave do Flamengo, Julio César mostrava todo seu leque de defesas espetaculares, mas a bola não entrava para os vascaínos.

A partida já estava próxima de seu fim, os torcedores do Vasco já voltavam a comemorar, antes da hora, mas ainda faltava acontecer um lance. O lance que ficaria eternizado na memória de cada rubro-negro vivo naquele dia.

Aos 43 minutos do segundo tempo, Edilson sofreu falta de Fabiano Eller. A distancia para o gol de Helton era grande, mas o Flamengo tinha Petkovic, exímio cobrador de faltas. No entanto, o meia sérvio não estava com uma pontaria boa na partida. Já havia cobrado outras faltas e não acertou.

Mas dessa vez ele caprichou. Com um chute forte, de curva, Pet colocou a bola no ângulo, deu o tricampeonato ao Flamengo e escreveu seu nome na história.

E se a trajetória nos estaduais foi vitoriosa, o mesmo não pode se falar no Campeonato Brasileiro desses anos. Com campanha modesta em 2000 e brigando para não cair em 2001, o Flamengo não fez jus a sua grandeza.

No entanto, ainda em 2001, se tornaria campeão novamente, desta vez da Copa dos Campeões, diante do São Paulo. E Petkovic brilharia mais uma vez. Foi dele o gol que selou o título, em mais uma cobrança de falta magistral.

A temporada seguinte não traz boas recordações ao Flamengo. O time não fez boas campanhas em nenhuma competição e só voltou a figurar em finais em 2003. Neste ano, o Rubro-negro chegou a final da Copa do Brasil, diante do Cruzeiro. Após um jogo irregular no Maracanã, que acabou empatado, uma derrota no Mineirão selaria a perda do título.

Depois, no primeiro Brasileirão de pontos corridos, uma campanha regular – oitavo lugar – fechou o ano.

Em 2004, o título estadual voltou a animar a torcida. Novamente diante do Vasco, o Flamengo venceu e Jean, atacante formado nas categorias de base do clube, brilhou. Ele marcou três gols no jogo decisivo e os rubro-negros comemoraram mais uma vez.

Na Copa do Brasil, outra final. Diante do Santo André, o Flamengo empatou a primeira partida, em São Paulo, e veio decidir em casa. No entanto, no Maracanã lotado, perdeu o jogo.

A derrota desestabilizou o ambiente no clube e no Brasileirão, uma campanha nada favorável. O Flamengo escapou do rebaixamento na última rodada, com uma bela vitória diante do Cruzeiro, em Volta Redonda.

Mudou o ano, mas os ares não eram nada bons na Gávea. 2005 seria o último ano desta década em que o Flamengo não levantou um troféu sequer. O ponto alto aconteceu no final da temporada, quando Joel Santana assumiu o time, em situação muito complicada no Brasileirão.

Nas último nove rodadas, no entanto, o Rubro-negro teve retrospecto de campeão e Joel Santana saiu consagrado.

Já em 2006, se no Estadual a campanha não foi boa, na Copa do Brasil o Flamengo chegava a mais uma final. Só que desta vez a disputa era, novamente, diante do Vasco. A decisão da competição só foi realizada após a Copa do Mundo daquele ano e Ney Franco, que tinha acabado de assumir o time, pode treinar para tentar levar o título.

No primeiro confronto, com gols de Luizão e Obina, o Flamengo colocou a mão na taça e confirmou, na segunda partida, ao vencer novamente, por 1 a 0, com gol de Juan. Léo Moura, Renato e Jonatas também mereceram destaque na campanha.

Após uma bela conquista no ano anterior, veio a disputa da Libertadores, mas a esperança do bicampeonato parou nas oitavas de final. Só que o primeiro semestre seria marcado por mais um título estadual.

Em final contra o Botafogo, o Flamengo empatou os dois confrontos em 2 a 2, com destaque para um golaço de Renato Augusto, no segundo jogo, e acabou levando a taça na disputa de pênaltis. O goleiro Bruno brilhou e pegou duas cobranças alvinegras.

No Brasileirão, depois de ter muitas partidas adiadas em decorrência da realização do Pan-Americano de 2007, o Flamengo teve uma arrancada sensacional e, depois de ficar 13 rodadas na zona do rebaixamento, terminou o campeonato em terceiro lugar.

A boa temporada trouxe bons ventos em 2008 e o time já começou a temporada batendo recordes. Teve o melhor início desde 1982 e conquistou, sem sustos, a Taça Guanabara e o Estadual, novamente contra o Botafogo. Desta vez, foram duas vitórias contra o rival.

Na Libertadores, mais uma boa campanha na primeira fase. Veio então o confronto com o América, do México, nas oitavas. O Flamengo venceu o primeiro confronto, fora de casa, por 4 a 2, mas acabou derrotado, dentro do Maracanã, por 3 a 0 na partida de volta.

A eliminação traumática não se fez valer no Brasileirão e até quase a metade do campeonato o Flamengo tinha aproveitamento de quase 80%. No entanto, com a janela de transferência, o Rubro-negro acabou perdendo alguns importantes jogadores e o desempenho não foi tão bom na parte final da competição. Acabou em quinto lugar e fora da Libertadores.

A última temporada da década reservou grandes conquistas para o Flamengo. O ano de 2009 começou com mais um tricampeonato estadual. E, assim como nos dois anos anteriores, a conquista veio em cima do Botafogo. E novamente nos pênaltis, como havia sido em 2007.

As duas partidas decisivas terminaram empatadas em 2 a 2, com destaque para Kleberson, que marcou os dois tentos rubro-negros no segundo confronto. Nas penalidades, Bruno fez novamente a diferença e pegou duas cobranças.

No meio da temporada, o Flamengo, depois do título estadual, acabou reforçado, para o Brasileirão, com o atacante Adriano, cria da Gávea, que virou, na Itália, o Imperador. Outra novidade para a competição foi a volta de Petkovic ao clube. No entanto, a presença dos ídolos não garantiu uma boa campanha logo de cara.

Na 13ª rodada, após empatar com o Barueri em 1 a 1, o técnico Cuca acabou demitido. Andrade assumiu o time interinamente e já conseguiu um grande feito. Venceu o Santos dentro da Vila Belmiro logo em sua primeira partida como treinador.

A partir daí, uma campanha regular colocou o Flamengo na sexta colocação, até a derrota para o mesmo Barueri, na 32ª rodada do Brasileirão. Nada parecia colocar o Rubro-negro entre os postulantes ao título, muito disputado até então, mas a mística do manto sagrado entrou em campo.

Foram cinco vitórias e um empate, que garantiram o título brasileiro. Diante de um Maracanã abarrotado, o Flamengo superou o Grêmio, por 2 a 1, com gol decisivo de Ronaldo Angelim, e soltou o grito entalado na garganta há 17 anos.

Gol de Petkovic na final contra o Vasco em 2001.
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