Demissão de Pelaipe: Entenda o xadrez político do Flamengo e suas consequências

No início da noite desta segunda (06), veio a público a demissão do gerente de futebol do Flamengo, Paulo Pelaipe. A iniciativa foi do vice de relações externas, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, com aval de Rodolfo Landim, mas sem o conhecimento do departamento de futebol.

A demissão de Pelaipe revelou uma “guerra fria” entre o vice de futebol, Marcos Braz e o de relações externas, o Bap. O atrito, que ocorre desde o início da gestão, já era de conhecimento interno na Gávea, mas com o bom desempenho do futebol em 2019, ficou em segundo plano.

De isolado no início, Braz foi ganhando algumas quedas de braço. Uma delas e mais emblemática foi na situação de Abel Braga. Bap era a favor da manutenção do técnico, o vice de futebol e o resto do Conselho de Futebol contra. Com o pedido de demissão do treinador, Pelaipe foi o entusiasta para a contratação de Jorge Jesus. O que deu certo. O Flamengo foi campeão Brasileiro e da Libertadores com o português.

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Veja quem foi a favor e quem foi contra a demissão de Paulo Pelaipe:

A FAVOR DA DEMISSÃO:
Rodolfo Landim (Presidente): Deu o aval para a decisão de Luz Eduardo Baptista, o Bap.
Bap (Vice de relações externas): Foi quem pediu a demissão de Pelaipe e articulou junto com seu grupo junto ao presidente.
Reinaldo Belloti (CEO): Braço direito de Landim. Se posicionou a favor da demissão.
Gustavo Oliveira (Vice de comunicação e marketing): Terceira peça do “trio de ferro” com Landim e Bap. Dificilmente se posicionaria contra seus aliados políticos.

CONTRA A DEMISSÃO:
Marcos Braz (vice de futebol): Tinha em Pelaipe o seu braço direito. No dia 10 de dezembro do ano passado, havia acertado com o gerente a renovação do seu contrato. É o principal opositor de Bap no futebol.
Bruno Spindel (Diretor executivo de futebol): Mantido por Bap na atual gestão para ser o seu homem no futebol, assinou com Braz o pedido de renovação de contrato de Pelaipe. Como é um funcionário do clube, pode ser que fique isento na briga política.

CONSEQUÊNCIAS:

As consequências da demissão de Pelaipe pode respingar dentro e fora das quatro linhas. Jorge Jesus ficou próximo do dirigente e a saída pode se tornar pauta para  sua permanência até o fim de 2020. Seu contrato se encerra em maio.

Fora das quatro linhas, o respingo pode ser até eleitoral. Marcos Braz já é visto como um nome forte para ser candidato a presidente futuramente. Conta com apoio da torcida, de muitos sócios e pode buscar nos rachas da atual gestão mais apoio nos bastidores. Conta ainda com a amizade e proximidade política de diversos vice-presidentes da atual gestão. Pode ser uma terceira via desejada por muitos que não querem mais votar nos grupos de Landim, Bap, Gustavo e cia e também no SoFla com Eduardo Bandeira de Mello.

Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

Por Tulio Rodrigues (@PoetaTulio)

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