Entenda o imbróglio da nova casa do Flamengo com os moradores da Ilha

Foto: Gilvan de Souza

Publicamos dois textos essa semana sobre o imbróglio do Estádio da Ilha com os moradores em oposição ao Flamengo jogar lá. A partir daí resolvemos tentar fazer uma linha do tempo de toda essa história e seus personagens. A história tem dois lados e envolve lideranças do bairro, comerciantes e políticos.

Fim de Novembro de 2016: 

O Flamengo anuncia em seu site oficial a parceria com a Portuguesa da Ilha para utilização do seu estádio.

Dezembro de 2016:

Vizinhos ao estádio da Portuguesa começam a se movimentar prevendo eventuais problemas com os jogos do Flamengo. Tito Gomes, síndico do Condomínio Santos Dumont recolhe assinaturas dos moradores cobrando organização nos dias jogos, estacionamento e segurança.

Janeiro de 2017:

O Prefeito do Rio, Marcelo Crivella nomeia para superintendente da Ilha do Governador, no dia 12, o empresário e jornalista, Daniel Balbi e para administrador regional, Márcio Giglio Pimenta, ambos são aliados da vereadora Tânia Bastos. É Daniel Balbi que recebe o abaixo assinado recolhido por Tito Gomes.

Fevereiro de 2017:

No dia 4 desse mês, o convite para a reunião na superintendência da Ilha cai nas Redes Sociais. A vereadora Tânia Bastos é muito criticada por causa da reunião. Tânia recebeu a alcunha de opositora dos jogos. No domingo, a vereadora publica nota em sua página negando fazer oposição aos jogos. Disse querer discutir soluções para o impacto que o Flamengo vai causar no local. A nota é apagada depois. Nesse mesmo dia é costurado o encontro de Tânia Bastos, Daniel Balbi e o presidente Eduardo Bandeira de Mello. O encontro ocorreu na segunda, dia 6, na sede do Flamengo. No dia 7, terça-feira, ocorre a reunião na superintendência da Ilha com poucos moradores, autoridades da PM, Guarda Municipal e Bombeiros, representantes das torcidas organizadas do Flamengo e o (CEO) do clube, Fred Luz.

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Vereadora se promove à custa do Flamengo e não responde questionamentos
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Opinião de alguns comerciantes e moradores locais

O comércio local é amplamente a favor aos jogos do Flamengo. Querem aproveitar a numerosa torcida para faturar como disse José Richard, presidente da Associação Comercial da Ilha na Reunião: “queremos prolongar a estada dos torcedores na Ilha. Que ao final dos jogos ele não pegue o carro e vá embora de uma vez, contribuindo para o congestionamento da saída da Ilha. Vamos criar uma campanha, com panfletos, para que o torcedor do Flamengo visite nossa rede de restaurantes após as partidas. Será muito bom para o comércio.” A maioria dos moradores são a favor dos jogos também. Alguns acusam o síndico, Tito Gomes de ser o líder dessa oposição ao jogos do Flamengo. Moradores que não quiseram revelar seus nomes, disseram que a tentativa de embargar os jogos do Flamengo, seria por uma “rixa” política de Tito com o presidente da Portuguesa, João Rego. Tito Gomes é conselheiro do clube e tentou formar uma chapa para concorrer ao pleito de presidente da Portuguesa em dezembro. Sua chapa foi impugnada. Tito Gomes nega as acusações.

Tito Gomes / Divulgação

Conversa com Tito Gomes

Entramos em contato com Tito Gomes que nos respondeu alguns questionamentos levantados pela reportagem através de moradores.

Segurança

A rua que a torcida do Flamengo vai entrar é de pouco espaço, o conjunto Santa Cruz que é ao lado, reclamou que jogaram garrafas lá, urinaram dentro do condomínio, o meu condomínio é gradeado, o que facilita a entrada de estranhos, há o problema também de violência entre as torcidas e quando temos prejuízos, não temos a quem recorrer. A minha preocupação é segurança. Geralmente em dias de jogos, fechamos o nosso portão principal e abrimos um outro portão, outra saída“.

Sobre a reunião na superintendência da Ilha

A Polícia não disse nada, a Guarda Municipal falou que conhece a torcida do Flamengo do Maracanã, só que o Maracanã é outro tipo de estrutura. Ele disse que não vai haver problemas. Cobramos a identificação por adesivos com o auxílio da Guarda Municipal“.

Sobre o abaixo assinado e possibilidade de ir à justiça

Eu fiz um abaixo assinado porque os moradores vieram me solicitar e dei entrada na superintendência com o Daniel Balbi. Eu quero me resguardar de uma eventualidade. A principio, eu não penso em ir ao Ministério Público, mas eu preciso de uma ajuda do Flamengo, de alguém… Preciso que alguém do Flamengo venha aqui me dar uma orientação e garantir que eu não vou ter nenhum prejuízo“.

Participação na eleição da Portuguesa

Eu era conselheiro da Portuguesa, saí nessa gestão. Tentei formar uma chapa, mas isso não tem nada com o estádio ou com rixa política. Minha chapa foi impugnada e eu nem recorri. Não quero brigar com ninguém. E se eu ganhasse a eleição, eu faria a parceria com o Flamengo, quem não quer? Sei que vai trazer melhorias para a Portuguesa, mas eu faria de forma mais organizada. Não tenho nenhum problema pessoal com ninguém, continuo frequentando a Portuguesa normalmente. Minha preocupação é com a comunidade“.

Ligação com a vereadora Tânia Bastos

Eu não tenho nada com a vereadora Tânia Bastos, nenhuma ligação, mas ela me deu razão sobre as questões que levei para a superintendência. Não sou amigo dela. Não fiz nada orientado por ninguém, não tenho parceria com políticos. Ela só me disse que na reunião com o presidente do Flamengo, iria pedir ajudar para a segurança do condomínio”.

Por que não houve questionamentos ao Botafogo?

Não houve porque o subprefeito era outro, não era o Daniel (Balbi) e eu era conselheiro da Portuguesa, não quis misturar as coisas. A torcida do Botafogo é menor, mas mesmo assim houve problemas como no jogo contra o Grêmio em que um policial mandou os torcedores passarem por dentro do condomínio. Eu disse isso no dia da reunião. Até fizemos um abaixo assinado, mas sabíamos que não ia dar em nada e o Botafogo também nunca nos procurou“.

Reunião dos síndicos com o presidente do Flamengo

Se o presidente quiser, posso levar os síndicos daqui para conversar com ele, abrir um diálogo sem intermediários para ele saber das nossas demandas e até mesmo nos orientar na questão de segurança, por onde vai entrar a torcida, esses detalhes, coisas simples de resolver“.

O Flamengo informou que está a disposição dos órgãos públicos e dos moradores da Ilha. O clube ressaltou que é responsável pelo que acontece dentro do estádio e quem é responsável pelas imediações é a Polícia Militar, a Guarda Municipal e a CET-Rio.

Entramos em contato com a vereadora Tânia Bastos através de sua assessoria para dar a sua versão dos fatos e esclarecer alguns questionamentos. A assessoria nos informou que por temos feitos duas matérias sem ouvi-la, preferia não se manifestar nessa matéria e que se necessário, usássemos as suas declarações dadas a outros veículos de comunicação ou no seu site oficial.

Tulio Rodrigues (@PoetaTulio)

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