Espírito perdedor

POR OTÁVIO BRUM

Uma bosta!

Era preferível terminar o texto com essas duas únicas palavras.

Infelizmente, o editor não deixou. Queria que escrevesse mais sobre a atuação do Flamengo no empate sem gols diante do Bahia, estreia de Dorival Júnior no comando da equipe em Salvador.

– Você está maluco?, me perguntou ele. – E o Flamengo chutou mais do que duas vezes a gol para me pedir mais palavras?, defendi o ponto de vista.

Não adiantou. Tive que escrever mais do que uma bosta.

Mas, que a atuação do time contra o Bahia foi uma bosta, foi. Uma grande bosta! Uma bosta maior até do que no tempo de Barbieri.

No momento de sufoco o que fazia o Barbieri? Fazia bosta! Assim fez Dorival Júnior, mexeu no time que continuou uma bosta! Mexeu em peças diferentes do que Barbieri costumava fazer, mas ainda assim continuou a mesma bosta.

Paquetá está errando tudo e mais um pouco, uma bosta! Diego nem jogou, mas faz tanta diferença como uma bosta, principalmente em partidas decisivas ou quando a equipe poderia contar com alguém experiente como ele.

As laterais? Uma bosta! Aliás, no jogo contra o Vitória só não participou o Rodinei. Mas, se entrasse em campo, grande bosta!

O Flamengo teve na partida o mesmo problema de não conseguir fazer com que a bola saia do campo de defesa para o ataque de uma forma de pegar a defesa adversária desarmada. O Flamengo não conseguiu, nem consegue, armar uma jogada que envolva a defesa adversária e criar uma oportunidade real de gol. Quando o Flamengo faz gol, ou quase faz gol, é em jogada tão inusitada, que é quase como se o armador fosse São Judas Tadeu, ou se tivemos uma bênção sagrada de Zico com dó de cada um de nós.

A pegada da diretoria? Uma bosta! O Flamengo gastou 40 milhões para contratar o Vitinho já na volta da Copa e com os jogos em andamento. Eram os mesmos 40 milhões que podiam ser gastos para trazê-lo durante a parada da Copa e deixá-lo na ponta dos cascos quando o Brasileiro voltasse a ser disputado. Já tem até maluco dizendo que o cara é perna de pau sem parar para pensar que ele ainda nem terminou de fazer pré-temporada.

Trocaram de técnico mais uma vez com atraso. Não, vamos deixar perder a Libertadores e a Copa do Brasil. Perdemos. Não, espera só mais um pouquinho. Só não aconteceu uma demora ainda maior porque no final do ano tem eleição e mesmo assim foi em atraso e em péssimo momento, tanto que o Bahia foi superior ao Flamengo na estreia sem treino de Dorival Júnior.

Resta saber se é o time que é uma bosta ou se é o departamento de futebol e o Bandeira de Mello os grandes bostas. Só não dá mais para conviver com esse tanto fez e tanto faz.

A ex-chapa azul, ou verde, errou e errou e muito! A diferença é que do grupo surgiu um poste que se envaideceu e continua inebriado a personalizar os acertos como dele e querer se vangloriar das conquistas esquecendo que o que implementou de fato no Flamengo foi um espírito perdedor nunca visto. O Flamengo já teve muitos e muitos times ruins que na força e na raça conquistou títulos. Os acertos na conta do Bandeira não são da conta dele.

Ou se muda mais do que técnicos e peças do elenco, ou tudo permanecerá uma bosta, como foi o jogo de estreia de Dorival Doze Jogos Júnior diante do Bahia.

Imagem: Staff Imagens/Flamengo.

Otávio Brum (@byobs)
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