Clássico da Rivalidade – histórias de Flamengo e Botafogo

A rivalidade entre Flamengo e Botafogo é imensa, e data desde o final do século XIX, quando os dois clubes competiam no remo. Se enfrentaram pela primeira vez em gramado no ano de 1913, dia 13 de maio. A massa Rubro-Negra orgulha-se de sua superioridade em número de títulos, torcedores e vitórias. O melhor de tudo, porém, não são os números frios, em tabela. É que daquele 13 de maio para cá, fomos coroados com tantos belíssimos clássicos, que a história do futebol só tem mesmo a agradecer. O nível dos craques que já se enfrentaram em campo, a gana em vencer o rival, toda a emoção. Acompanhe agora algumas das belas histórias, incluindo o célebre Jogo da Vingança.

• 109 Vitórias Rubro- Negras
• 93 Vitórias do Botafogo
• 100 Empates
• Torcida: Não vou comparar, é bullying.
• 471 Gols do Flamengo e 426 do Botafogo
• Flamengo: 6 Brasileiros, 1 Libertadores, 1 Mundial, 3 Copas do Brasil, 33 Cariocas
• Botafogo: 2 Brasileiros, 0 Libertadores, 0 Mundial, 0 Copas do Brasil , 20 Cariocas

Jogos que marcaram a história

 

15/12/1962 – BOTAFOGO 3 X 0 FLAMENGO

Se o Botafogo empatasse, adeus ao título carioca de 1962. Mas com um time daqueles (Manga, Paulistinha, Jadir, Nilton Santos e Rildo, Aírton e Édson, Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagalo), o alvinegro era o favorito contra o Flamengo. Tarde de gala no Maracanã e o Brasil inteiro ligado na partida, que começou com uma investida fulminante de Dida, a bola raspando a trave de Manga. A pressão rubro-negra durou até que Garrincha, ganhando na corrida de Jordan, chutou cruzado e rasteiro no canto, sem defesa para Fernando: 1 x 0. Aos 35, Amarildo, mesmo com um estiramento na coxa, toca para Garrincha, que dribla dois, cruza para Quarentinha que emenda para o gol: 2 x 0. O Botafogo estava á vontade, imprimia ao jogo um ritmo cadenciado, na base do toque. Aos 2 minutos do segundo tempo, Garrincha fecha o placar, 3 x 0. E tome festa alvinegra.

15/11/1972 – BOTAFOGO 6 X 0 FLAMENGO

Certamente nenhum botafoguense ou flamenguista jamais irá esquecer aquele 15 de novembro de 1972. Era feriado nacional e aniversário do Flamengo quando o Maracanã assistiu à uma das maiores goleadas do time de General Severiano sobre o rubro-negro. Uma goleada humilhante, que certamente Zagalo, técnico do Flamengo, nunca sonhou sofrer um dia no Maracanã. Jairzinho, logo aos 15 minutos de jogo, fez 1 x 0 para o Fogão. O segundo gol, aos 35, veio com um chute fulminante do argentino Fischer. Seis minutos depois, o mesmo Fischer fez 3 x 0, completando de cabeça um cruzamento de Zequinha. Jairzinho e Fischer faziam a festa na defesa rubro-negra. Aos 23 do segundo tempo, Jairzinho chutou no canto direito de Renato e levou a torcida do Botafogo à loucura. O quinto gol foi marcado também pelo “Furacão” Jairzinho, aproveitando outro passe de Zequinha e concluindo de letra. E era demais para o Flamengo. A torcida do Botafogo gritava “chega, chega” gozando o adversário. Para fechar a goleada, o grandalhão Ferreti, que entrara no lugar de Fischer, fez o sexto gol. Para ninguém esquecer mais. Essa goleada foi motivo de gozação dos botafoguenses para com os flamenguistas por anos. Até que veio a vingança.

29/04/1979 – FLAMENGO 2 X 2 BOTAFOGO

O Flamengo já era campeão carioca quando chegou ao último jogo contra o Botafogo no Macaranã. Se não perdesse, seria campeão invicto. O Botafogo vinha para pôr água no chopp do Flamengo. Mas os rubro-negros tinham Zico. E numa tarde inspirada, o “Galinho” fez dois gols em uma de suas melhores exibições com a camisa rubro-negra. Gil e Luisinho Lemos ainda empataram para o Botafogo, mas Zico, acalmando sua defesa, que queria partir pra cima e vencer o jogo, segurou o empate até o apito final. O Flamengo era campeão invicto.

19/07/1992 – BOTAFOGO 2 X 2 FLAMENGO

Houve momentos em que só mesmo a fanática torcida rubro-negra parecia acreditar no título de 1992. O Flamengo terminava a fase de classificação em quarto lugar, atrás de Vasco, Botafogo e Bragantino. Fazendo-se valer da mítica capacidade de reação, o Mengo eliminou Vasco, Santos e São Paulo, chegando à final contra o Botafogo. O alvinegro, que se considerou melhor durante toda a competição, sucumbiu por 3 x 0, um show de Piá, Nélio e do onipresente Júnior. No jogo seguinte, quando o Fogão precisava de três gols de diferença, o empate em 2 x 2 bastou. O “vovô” Júnior, comandando a nação rubro-negra, abiu o placar aos 42 do primeiro tempo. Júlio César aumentaria a vantagem para o Flamengo aos 10 do segundo. O Botafogo reagiu e empatou com Pichetti e Valdeir. Mas de nada adiantou. O Flamengo conquistava seu quinto título brasileiro.

Vale a pena conferir : 08/11/1981 – O Jogo da Vingança

 

”Nem bem o Flamengo fez 1×0, logo aos 6 minutos, e os rubro-negros explodiram em coro: “Queremos seis, queremos seis, queremos seis!” A resposta veio na mesma hora: “6×0, 6×0, 6×0”, eram os botafoguenses relembrando a goleada de 1972. Naquele instante, os jogadores também sentiram no ar: “Esta não será uma partida comum.” O ponta Tita chegou a se assustar. Ele, aos 13 anos, era o único jogador do Flamengo que estava presente no Maracanã naquele trágico 15 de novembro: “Eu tinha perdido a preliminar do dente-de-leite para o Botafogo por 1×0. Fiquei para assistir os profissionais e, a cada gol que levávamos, pensava: será que um dia eu desconto isso?”

Só dá Flamengo – dois, três, quatro gols. Adílio, Júnior fazem o que bem entendem. O goleiro Paulo Sérgio grita. Mas todos de camisa preta e branca parecem sonâmbulos.

Em campo, Adílio sofre pênalti. Zico vai bater – e olha para a imensa mancha preta e vermelha que cobre a arquibancada. Ele escapou por pouco daqueles 6×0 de 1972 – estava concentrado, mas acabou cortado pelo então técnico Zagallo: “Vai pra casa, Zico, que hoje não precisamos de você.” Durante o jogo, o grito de Júnior parece sem sentido: “Corram, corram!”.

Todos estavam correndo, mas Júnior queria mais. Afinal, ele estava completando exatas 500 partidas com a camisa do Flamengo. Faltam cinco minutos. Muitos riem com os 5×0. Mas o grosso da galera exige mais um gol. A bola rebatida sobra para Andrade, que dispara um foguete. É o sexto.Jairzinho, que entrou no Botafogo no segundo tempo esperando virar os 4×0, levanta os braços em desespero: “Não pode ser, é muita crueldade”, lamenta-se o único sobrevivente daqueles 6×0 para o Botafogo, que ele ajudou a construir marcando três – um deles de letra.”A torcida do Flamengo agora podia respirar aliviada. O troco fora dado.

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