24 de maio de 2022

Jogo Sujo (Foul!), o livro que todos devem ler

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Capa do livro

A maioria dos Rubro-Negros já devem ter ouvido falar da parceria do Flamengo com a empresa suíça, ISL. Devem saber também que essa mesma empresa iria injetar milhões de dólares no clube. O resultado dessa parceria foi o impeachment do ex-presidente Edmundo Santos Silva, acusado de improbidade administrativa. Ao ler o livro “Jogo sujo” de Andrew Jennings, editado no Brasil pela editora Panda Books, descobri que a ISL é pivô de um dos maiores casos de corrupção na maior entidade do futebol mundial, a FIFA. E que já na época da parceria com o Flamengo, a empresa não andava bem das pernas financeiramente.

Antes de falarmos mais do livro, vamos conhecer um pouco mais sobre Andrew Jennings. Jornalista investigativo e autor de documentários polêmicos sobre a corrupção na FIFA, Jennings devia ser exemplo para os jornalistas brasileiros e principalmente os esportivos. De compromisso com a verdade, o jornalista britânico é um dos poucos que teve coragem de dizer o que ninguém jamais ousou sobre o COI (Comitê Olímpico Internacional) e a FIFA. Seus livros mais conhecidos são: “Os Senhores dos Anéis, poder, dinheiro e drogas nas Olimpíadas Moderna”, de 1992, “Os novos senhores dos anéis”, de 1996 e “Jogo Sujo”, de 2006. É o único jornalista do mundo a ter sido banido das coletivas da FIFA.

Andrew Jennings

O livro começa falando sobre uma propina que foi parar erroneamente na FIFA. Depois fala da eleição da entidade em 1974, que teve como adversários o então presidente Stanley Rous e João Havelange. Numa disputa marcada por promessas e favores, Havelange conseguiu vencer a eleição e se tornou o sétimo presidente da FIFA e primeiro sul-americano a presidir a maior entidade do futebol.

Havelange, ao contrário de seus antecessores, muda completamente a ordem do jogo dentro da FIFA. Agora, a política impera nas decisões e os casos de suborno são constantes. Havelange começou a jogar dinheiro nos países mais pobres para conseguir ficar no poder por anos. Em algumas eleições, foi eleito por aclamação! Ganhou muito dinheiro através de corrupção, dinheiro sujo que em sua maioria veio de propina da ISL. Presidiu a entidade até 1998, quando o suíço Sepp Blatter venceu a eleição e se tornou o seu sucessor.

Blatter nunca deve ter jogador futebol, mas sabe ganhar dinheiro com ele. O livro revela o seu favorecimento a Confederações e Federações que lhes são generosas. Se um membro do Comitê executivo da FIFA é denunciado por corrupção, mas é aliado, Blatter dá um jeito de inocentá-lo. Se uma Confederação aliada precisa de uma ajuda financeira, Blatter abre os cofres da FIFA. Claro que nada é de graça. Blatter sempre se aliou a pessoas como Jack Warner de Trinidad e Tobago. Warner se envolveu nos maiores escândalos de ingressos da Copa do Mundo em Trinidad e foi também acusado de suborno.

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Outro aliado é Chuck Blazer. Acusado de suborno e fraude maciça como executivo da CONCACAF. Esses homens embolsaram milhões e milhões!!!

A ISL injetou milhares de dólares na FIFA para seus membros e também a diversas Confederações. João Havelange e Ricardo Teixeira que o digam. Assim, a empresa suíça garantia seus contratos de marketing. Mesmo com uma boa oferta da empresa americana IMG pela Copa de 2002, a FIFA refez o contrato, aumentou o valor e colocou duas Copas no pacote, a de 2002 e 2006. Adivinhem por quem Blatter fez isso? Para a ISL que levou as duas Copas, mas teve que encher o bolso de muita gente!

Outro caso interessante envolve o atual Secretário Geral da FIFA, Jérôme Valke. Esse mesmo que já polemizou diversas vezes por aqui na preparação do Brasil para a Copa do Mundo. A empresa de cartões de créditos Mastercard foi parceira da FIFA desde 1990 e tinha a prioridade na renovação do contrato. Mesmo oferendo a oferta pedida pela entidade, a empresa foi desbancada pela VISA, que negociava ocultamente com Jérôme Valke. A Mastercard chegou a dar a renovação do contrato fechada, mas Valke convenceu Blatter e seus aliados a assinarem com a VISA, em 2006. O caso foi parar na justiça.

O livro ainda mostra casos de compras de votos e alianças escusas nas eleições para definir os países a sediarem a Copa do Mundo. “Jogo sujo” é um livro extremamente revelador, corajoso e embasado por documentos que Andrew Jennings teve a coragem de revelar. Há peculiaridades que embrulham o estômago dos verdadeiros apaixonados do maior esporte do mundo, o futebol.

Lembrando que a FIFA é a entidade que entrou no nosso país após dar a Ricardo Teixeira, então presidente da CBF, a Copa de 2014. Agora, imagine o quanto de dinheiro não está sendo desviado! O quanto Blatter e seus asseclas estão levando de nosso país para seus bolsos!!!!!

Obrigado a Andrew Jennings pela coragem e pelo jornalismo sério e corajoso!

Conheçam o site de Andrew Jennings: http://www.transparencyinsport.org/

Sigam Andrew Jennings no Twitter: @AAndrewJennings

Por Tulio Rodrigues (@PoetaTulio)

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