Lembranças de um passado menos doloroso.

O ano era 2005, pós-estadual, e eu lembro uma coisa que já faz 10 anos, como se fosse ontem. Lembro aquele time que no papel era horroroso e em campo também. Tinha Obina, Diego Souza, Ibson, Renato Abreu, Diego no gol, Josafá. O pior time do Flamengo que eu já vi em toda a vida, em todos os meus 14 anos de rubro-negrismo.

Mas aquele time tinha algo que fazia com que eu quisesse assistir aos jogos ou ficasse em desespero quando não podia fazê-lo. Aquele time, pois mais horrível que fosse em termos de técnica, tinha raça e vontade de vencer. Como não lembrar o gol de Obina contra o Paraná, lá no Pinheirão, aos 47 minutos do segundo tempo? Obina dominou aquela bola na ponta esquerda, cortou a marcação e bateu. Bateu e rezou. Aquela bola precisava entrar de todas as formas. E entrou. Obina viu, correu, alguém ajoelhou, a torcida explodiu. Eram tempos extremamente difíceis. E que o Flamengo só não desceu à segunda divisão por méritos próprios. Pois foi aonde mais chegou próximo.

E naquela época eu lembro que, quando o jogo não era transmitido em tevê aberta, qual era minha solução? Aqui na minha cidade não existia um completo sinal de celular, só em alguns pontos. Eu ia ao muro da minha casa, mandava um torpedo(sim, no auge da mensagem de texto ou sms, como preferir) à Tim e pedia o resultado do jogo do Flamengo. Não me importava os lances, nem gols, nem com que escalação jogou o Flamengo, porque eu também não tinha acesso à internet. A simples mensagem com a vitória fazia meu dia ficar perfeito. Eu não precisava de mais nada pra ser feliz.

Lembro vagamente dos jogos que eu assisti. Contra o Brasiliense, um 3 a 2 suado e sofrido, como era de praxe aquele ano, uma eliminação para o Fortaleza na Copa do Brasil, com aquele time do Flamengo jogando ridiculamente, uma derrota para o Corinthians, fora de casa, não lembro o lugar. Mas essa cena do celular, que eu repeti durante muito tempo aquele ano, não sai da minha cabeça. E porque tamanha vontade em saber os resultados dos jogos de um time tão ruim, que namorava seriamente com o rebaixamento? Aquele time tinha vontade de vencer, raça, determinação. E não tinha nenhuma estrela, absolutamente nenhuma. As estrelas da época eram Tévez, Mascherano, Nilmar… Jogadores de nível internacional, que atuavam aqui no Brasil à época. E eram do Corinthians, campeão brasileiro naquele ano.

E hoje, 2015, o Flamengo fechou o ano de uma forma desastrosa, melancólica, irreconhecível. Se compararmos os elencos de 2005 e 2015, o Flamengo de hoje era campeão da Libertadores aquele ano. Mas calma, eu sei dos defeitos do Flamengo atual. É apenas para efeito de comparação.

Pois esse Flamengo de 2015, com Guerrero, Sheik, Alan Patrick, Canteros, é uma seleção se comparado ao time de dez anos atrás. E porque este Flamengo não conseguiu almejar e efetivamente alcançar voos mais altos esse ano que se encerra? O de 2005, certamente tinha salários atrasados – e aqui entrando no mérito ou demérito das diretorias passadas. O de 2005 começou o ano com Ricardo Gomes e terminou com Joel Santana, o livrando do primeiro rebaixamento em sua história. O de 2015, não. Este, com todos os problemas de início de ano, chegou a emendar uma série surreal de 6 vitórias seguidas e ali desceu a ladeira de forma avassaladora. Escorregou nas próprias pernas, caiu, efeito bola de neve e só parou de despencar porque o campeonato acabou e o risco de rebaixamento já não mais existia.

O que teria ocorrido para esse vexame ocorrer? Falta de estrutura no clube? Salários atrasados? Sem chance. Um técnico que não sabia o que fazer com o time que tinha em mãos? Deixe sua opinião nos comentários ou nas redes sociais do nosso blog.

De fato, o ponto é que esse atual time ou elenco, sugou minha confiança, meu tesão em parar pra vê-lo jogar, seja no estádio ou em frente à tevê. Certamente deve ter feito o mesmo com você. No meu caso, fazendo uma rápida pesquisa, descobri que o último jogo o qual parei para assistir foi Grêmio 2 x 0 Flamengo, na distante data de 1 de novembro de 2015. Um jogo feio, deprimente, em que o Flamengo até tentou incomodar o Grêmio, mas o psicológico do time naquele momento era tão fraco, que ruiu após o primeiro gol. Não era, nem é difícil ganhar desse Flamengo que fechou 2015 nos decepcionando. E, pela primeira vez em minha vida, eu evitava parar pra vê-lo por essa razão, não queria mais mágoas, apenas torcia de longe para que vencesse e alcançasse alguma coisa melhor do que ficar perdendo jogo atrás de jogo.

De 2016 não sabemos nada, do futuro ninguém sabe. Mas já que o escolhido foi Muricy, um nome pesadíssimo no futebol brasileiro, campeão onde passou, e, com a reeleição do presidente Eduardo Bandeira de Mello, o que nos resta é resgatar nossa confiança e esperar coisas melhores de 2016. Talvez não seja ainda em 2016, mas cabe à torcida ter confiança e paciência que coisas melhores virão daqui pra frente(nem eu consigo, mas vou tentar). Muricy Ramalho não é um técnico que se sente satisfeito com qualquer coisa e a diretoria, pelo menos na palavra, se mostrou insatisfeita com o que viu esse último ano que passou.

Que 2016 nos traga bons fluidos, bons momentos e coisas melhores a se lembrar no futuro. E que o Flamengo volte a ser Flamengo!

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