Mais uma vez, obrigado, São Judas Tadeu.

Ontem, acho que não apenas eu, mas muitos recordavam de nossa penúltima Copa do Brasil vencida ante o Vasco, lá em 2006, no velho Maraca. Aquela ocasião o Flamengo também tinha uma vantagem, considerável até, que fazia com que o time rubro-negro pudesse jogar tranquilo e até mesmo bonito. Era tudo tão belo: era contra o Vasco, eterno vice; era no Maraca entupido(vide ontem); e tínhamos uma vantagem de 2 a 0 construída uma semana antes. Mas, aquele Flamengo não entrou para apenas segurar jogo ou mesmo jogar bonito. Trocas passes e fazer do jogo um treino, humilhando o Vasco. Entrou ciente de que queria acabar logo com qualquer chance de reação vascaína. Tudo se resolvendo no primeiro tempo com Juan e ponto final.

E ontem, exatos 7 anos e 4 meses depois, lá estava de novo o Flamengo disputando uma final de Copa do Brasil. E como naquela época: desacreditado e massacrado por especialistas do futebol. Também tivemos o papo do preço do ingresso. Absurdo, sim! Altíssimo, com certeza! Mas, se até mesmo nós duvidávamos da força da nação rubro-negra, caímos mais uma vez em nossa própria armadilha de desacreditar na história, na magia que ronda o Clube de Regatas do Flamengo. Magia essa que desde Curitiba tomou conta do Brasil. Alguns sortudos foram ao Paraná para empurrar o time. Assim como não dá pra esquecer jamais do golaço do Amaral Pantera Love da Silva, não dará para esquecer jamais do canto entoado pela torcida do lado de fora da Vila Capanema, acho que antes do jogo: “Nós queremos respeito e comprometimento. Isso aqui não é Vasco. Isso aqui é Flamengo!”

No fim daquele jogo, a torcida saudou o time cantando a plenos pulmões, lembrando a penúltima rodada do Campeonato Brasileiro de 2009, em Campinas, quando vencemos o Corinthians por 2 a 0 e ficamos a uma vitória – que viria sobre o Grêmio – para sermos hexa. E o fato mais marcante e que com certeza colocou na mente de cada rubro-negro a certeza de título nessa semana, ontem, foi o discurso de cada um dos jogadores… “Não há nada ganho. Como foi difícil aqui, será lá no Rio. Mas essa torcida maravilhosa nos ajudará e levaremos essa taça pra Gávea.”

E com certeza, não foi fácil mesmo. A proposta do Atlético foi de retranca absoluta e espera por contra-ataques. Jogaram com a certeza de que, o Maraca lotado e a pressão/tensão pelo título fosse atrapalhar o Flamengo na busca pelo gol que iria decidir de uma vez a eliminatória. Fato é que ninguém se arriscava muito no primeiro tempo. A não ser Luiz Antônio que mandou uma bola no canto direito de Uewerton, o fazendo espalmar pro lado, e depois de falta, no ângulo do mesmo – lembrando inevitavelmente Senhor Petkovic em 2001. Pena que essa não entrou, pois merecia!

O nervosismo tomou conta dos dois times que só ao gol foram de fato no segundo tempo. Em certos momentos pensei que a atmosfera impressionante de 70 mil cabeças num Maraca entupido estivesse fazendo o Flamengo ficar tenso e querendo resolver logo o jogo. Pensava e pensava muito e ainda não tenho certeza, mas, boa parte de mim acredita que sim.

Lembro de ir ao chão, tremendo e exatamente aos 30 do segundo tempo pedir a ajuda suprema de São Judas Tadeu para que o gol viesse logo e acabasse aquele martírio inexplicável. A palavra inexplicável soa como uma profunda ironia quando se trata de um torcedor do Flamengo, mas… é isso!

Porém, a agonia estava a acabar. Quando Paulinho recebeu a bola na pequena área do Atlético. Tinham dois marcando o mesmo, que girou pra trás, deixou os dois de lado e foi ao encontro de Elias. Elias genialmente, com uma frieza impecável, absurda, diante de um Maraca lotado, nervoso e preste a explodir, só usou a parte interna do pé, abriu o placar e não aguentou muito. Não sabia pra onde corria, o que fazia. Ajoelhou ao chão e ali ficou.

 
Elias, tento imaginar o que eu faria se no seu lugar estivesse, mas, já te parabenizo por não tido um ataque. Gritos, abraços e uma tensão mínima ainda continuou a pairar sobre o Maraca. Até que ele, o Broca D’or, que já havia quase feito de voleio, após passe de Luiz Antônio, que vinha fazendo uma partida espetacular, colocou num voleio meio descido (se é que essa expressão vale) a bola no fundo daquela rede, saiu, sem fazer a broca, a britadeira, ou como preferir, mas dizendo que havia acabado e no fim: “Quem manda aqui é o Flamengo!” Bradando aos sete mares, à América, ao mundo inteiro.
 
Apenas aqui estou fazendo esse texto magnífico(pelo fato do título) pois o que está ferrado é minha garganta.

O ano de 2013 encerra-se hoje, ou ontem. Para o Flamengo pelo menos. Uma vaga na Libertadores que veio como um anjo, no momento que a torcida, o time, o clube mais precisavam. Não irei falar sobre diretoria, gestão, Pelaipe, Carlos Eduardo, nem nada parecido, pois não é o momento. Aliás,o momento era e é de apoio. E que continue sendo! Pois, como Felipe falou horas após o jogo e a comemoração: “Não adianta culparmos treinadores que passaram e não conseguiram desenvolver bem seu trabalho. Nós conversamos internamente e vimos que o melhor a fazer era peitar a situação e tomarmos vergonha na cara, atitude, honrar a camisa que vestimos e nos unirmos em busca desse ideal.”

Mais uma vez, obrigado, São Judas Tadeu. Que aos 30 do segundo tempo te implorei ajuda e que fui atendido. Não só ontem, mas durante toda a campanha. Ih, Libertadores qualquer dia estamos aí. Vamos ser campeões, vamos, Flamengo. Davi, Davi, Davi. Dalhe, dalhe, dalhe, oh, Mengão do meu coração. É hexa, é tri campeão do Brasil! E você que secou, admiro sua coragem de ainda permanecer tentando em pleno 2013, de ser fiel a esse ideal e esquecer o próprio time só pra pensar na nossa desgraça. E pra não deixar passar… Jayme, obrigadásso!

Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer!

 
 
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