Resenha: Márcio Braga – Coração Rubro Negro

 Márcio Braga é sem dúvidas o maior presidente do Flamengo. Isso fica claro por ser o presidente mais vencedor em toda história do Clube e também o que teve mais mandatos: Seis ao todo. Nenhum homem incompetente na sua função seria presidente do Clube mais popular do Brasil tantas vezes.

Márcio Braga no lançamento de sua autobiografia – Foto: Marcelo Borgongino

Essa semana li a sua auto-biografia “Márcio Braga – Coração Rubro Negro“, lançada no fim de 2013. Ano em que o entrevistei para a Série “Ex-Presidentes do Flamengo“. Você pode assistir a entrevista neste link: Série ex-presidentes do Flamengo – Entrevista com Marcio Braga. Márcio tem uma presença marcante. É gentil e atencioso. Foi um prazer, pois o admiro demais.

O livro me fez conhecer um Márcio Braga que não explorei em nossa entrevista. Só a sua biografia mostra. Aliás, ressalto que não sou fã das auto-biografias, gosto mais das biografias “não autorizadas”, mas não podia deixar de ler o livro por diversos motivos. Sou um apaixonado pela política do Clube e como venho ao longo de três anos entrevistando Ex-Presidentes e notáveis da vida política do Clube, não poderia ignorar a leitura. Não me arrependi.

Na biografia, conhecemos o Márcio Baroukel Braga. Assim ele assina como Oficial de Registro. Conhecemos o tabelião, o torcedor, o político, o filho, o pai… São muitos Márcios que a maioria talvez não conheça.

Márcio é formado em direito e se transformou em tabelião por indicação do presidente Juscelino Kubitschek. Márcio foi casado com a sobrinha do presidente. Ele confessa que quando começou não tinha experiência na área. Márcio modernizou a profissão. Levou ao seu cartório na época toda tecnologia que hoje nos parece primitivas. Foi Deputado Estadual duas vezes em 1982 e 1986 e tornou-se constituinte pela contribuição na elaboração da Constituição brasileira de 1988. Se tornou um homem bem sucedido.

Papa João Paulo II com a Bandeira do Flamengo em 1980

Como torcedor e dirigente do Flamengo, Márcio nos contempla com grandes histórias. Uma delas é a entrega da bandeira do Flamengo ao Papa João Paulo II quando da sua visita ao Brasil em 1980. A foto que já rodou ao mundo tem uma história em particular. Márcio que estava no Morro do Vidigal para entregar a bandeira, viu que a missão iria por água a baixo quando o Papa começou a fazer um percurso diferente do imaginado por ele. Quem o salvou foi o vascaíno Dom Eugênio Sales, Arcebispo do Rio. Os Papas Bento XVI e Francisco também foram contemplados com um Manto Sagrado por Márcio Braga.

O envolvimento de Márcio Braga com a política do Flamengo vem antes de se tornar presidente. Ainda na primeira gestão do então Presidente André Gustavo Richer (1969-1971) que teria mais um mandato a frente do Clube entre 1972 e 1973, Marcio Braga junto com um grupo de Rubro-Negros que se reuniam regularmente para discutir assuntos do Clube, se uniram ao então presidente para ajudar a sanar as dividas do Clube que desde aquela época já sofria da precariedade em suas finanças. Vocês que acham isso uma novidade, se enganam. O grupo de Márcio e Carlinhos Niemayer conseguiu sanar com 90% da divida na época.

A FAF (Frente Ampla pelo Flamengo) nasce em 1976. Márcio foi candidato por acaso. E o “Grupo Forte”, assim era chamado do qual já falei anteriormente, contava agora com nomes como Walter Clark, João Carlos Magaldi e João Araújo. A FAF, baseada na Frente Ampla que reuniu Juscelino Kubitschek, Jango e Lacerda em Lisboa contra a ditadura, levou ao Flamengo um jeito diferente de angariar eleitores. Eles resolveram ir para fora do Clube. Mais ou menos como fez a atual diretoria em campanha, em 2012. Márcio Braga fez campanha até em São Gonçalo, onde moro. Bairro que fica bem longe do Flamengo.  Márcio venceu a sua primeira de muitas eleições no Clube com 1.200 votos e desbancou o então favorito Hélio Mauricio que tentava a reeleição. No livro, há muitos detalhes dessa eleição.

A gestão de Márcio Braga introduziu no Clube uma administração que foi copiada por outros Clubes brasileiros e que perdura ainda até hoje, mas que na época era super moderna e não por acaso culminou com dezenas de títulos nos anos posteriores.

Em suas gestões, Márcio foi responsável  pela criação do Baile Vermelho e Preto que acontece até hoje, mas longe do glamour dos anos 70 e 80. Lutou para que a Lubrax estampasse a sua marca no Manto Sagrado, o que veio a ser um pioneirismo, pois nenhum Clube tinha patrocínios na camisa e um novo tipo de receita para o Clube. Foi responsável também por levar não só ao Flamengo, mas a todos os Clubes do futebol brasileiro a receita com o direito de transmissão dos seus jogos que até 1977, as TVs não pagavam um centavo. Foi o responsável pela criação do Clubes do 13 e da Copa União em 1987. Bateu de frente com os maiores manda chuvas do futebol brasileiro e mundial que presidiam a CBF e a FIFA. Por descobrir um erro jurídico na reeleição de Ricardo Teixeira como presidente da CBF em 1992, o Flamengo entrou na justiça para anular o pleito. Teixeira recorreu ao seu sogro, presidente da FIFA que puniu o Flamengo com uma suspensão. O Flamengo ficou proibido de fazer jogos internacionais. Marcio Braga processou a FIFA e ganhou. Nunca um Clube havia processado a entidade máxima. Ainda mais presidida pelo mais sujo e corrupto de seus dirigentes na figura de João Havelange.

Márcio Braga merece um capítulo a parte na história centenária do Flamengo. Aos interessados na história e na política do Clube, leiam a biografia.

Informações do livro Coração Rubro Negro – Histórias do tabelião, cartola e político
Autor: Marcio Braga
Gênero: Biografia
Páginas: 288
Formato: 15,5 x 23 cm
ISBN: 9788564116641

Entrevista com Márcio Braga concedida ao Blog Ser Flamengo em 2013

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