No embalo do menino Gabriel

 

 O jogo ante o Botafogo, no último sábado, poderia ter desestabilizado a equipe, caso a mesma tivesse sido titular na ocasião. O Flamengo perdeu, não fez uma exibição ruim, mas também não brilhou – e nem tinha como esperar isso de um time ‘montado às pressas’. Luxemburgo mexeu aqui, ali e torceu. Torceu pra que o time ao menos jogasse futebol. A partida terminou em 2 a 1. Ambos os gols do Botafogo sem falhas gritantes, apenas pequenas desatenções. O segundo foi um chutaço no ângulo de Paulo Victor, não tinha como. No mais, ficou o destaque para a jogada de Anderson Pico, limpando dois marcadores, fazendo um-dois com Gabriel e batendo na trave. Eduardo da Silva marcou no rebote.

O Flamengo havia chegado a Manaus para enfrentar o Botafogo sabendo que tinha a chance de ir aos 43 pontos, ficar mais confortável na tabela, a dois pontos do livramento definitivo de descenso e podendo ir com todas as forças em busca do tetra da Copa do Brasil.

Os 3 pontos não vieram mas o time sabia que devia virar a chave rapidamente. Afinal, na quarta-feira tinha decisão, tinha Maraca lotado, tinha um Atlético-MG perigoso, que joga ao mesmo estilo do Flamengo de Luxemburgo: no contra-ataque. Mas algo/alguém eles não tinham/têm.

Gabriel que chegou ao Flamengo em 2013, após uma ótima campanha pelo Bahia no Campeonato Brasileiro de 2012, era desacreditado, pouco atuava e quando o fazia, não convencia. O Flamengo tinha Paulinho, tinha Elias. Paulinho infernizava os adversários que enfrentava, vide Botafogo e Goiás, ano passado, nas quartas e semis da Copa do Brasil respectivamente. Elias nem se fala. Combustível do time até o título contra o Atlético-PR naquele fim de novembro de 2013, com Jayme se sagrando campeão, fazendo a torcida cair em seus braços e pedir em uníssono sua permanência. Também pediram Elias. O primeiro ficou, Elias, o destino o levou.

Todos esses componentes engoliram a existência de Gabriel ali naquele banco de reservas, naquele time. E o gol olímpico em Criciúma ano passado? Talvez não lembrem, mas naquele 3 a 0 ele estava lá. Veio o Campeonato Carioca, já desgastado e com sua importância perdida. Gabriel sumido. No mesmo passo a Libertadores. A obsessão pelo bi da América. Gabriel? Nada! Veio a crise de início de Campeonato Brasileiro. Cai Jayme e vem Ney Franco. Cai Ney Franco, bombardeado pela mídia, pela imprensa, pela torcida e pelo Cruzeiro, que numa tarde em Minas lhe meteu um 3 a 0 e fez o time de bobo. Às vésperas da Copa, com direito a uma sonora bronca de Felipe Ximenes no vestiário. O clima era tenso. Se bem que tenso também era pouco, para a tamanha balbúrdia que imperava no Flamengo.

Veio a Copa e a certeza(bem coberta de incertezas) que o recesso de um mês iria fazer as coisas na Gávea se ajeitarem. Ney Franco permaneceu, a Copa se foi e o Brasileiro voltou. Mais derrotas, mais trágicas apresentações, nada havia mudado. A nação que é tão esperançosa, tão acolhedora, começou a temer. Certa tarde veio um jogo contra o Internacional no Beira-rio. Um Flamengo completamente sem chão, um 4 a 0 sem dó nem compaixão. E foi como se Zico chegasse à Gávea e ordenasse: “Basta!”

Passada a época Ney Franco e para não escrever um livro ao invés de um post, Luxemburgo veio e, como sempre, tivemos os prós e contras. Chegou, fez o simples, trouxe o grupo para si e aos poucos ajeitou o que chamavam(e era) de bagunça. De repente aquele time morto e sem vida, aquele conjunto desacreditado foi se reerguendo. Vitórias, 3 pontos, confiança, fecha a zaga, troca o goleiro que muito vem falhando, Copa do Brasil, Vamos virar, Viramos, Brasileiro, Vamos sair da confusão, ajeita o meio-campo, Everton infernal, Mugni elevador que pifou, Eduardo da Silva que vingou, Coritiba deu Adeus no Maraca, Paulo Victor inconteste… Paulinho machucou. E aí até aquele torcedor do Flamengo que mora na Finlândia e não acompanha o Flamengo como a gente aqui do Brasil, pensou: “Agora ferrou!”

Paulinho machucou e todo mundo levou as mãos à cabeça. Porém, foi como se o dito popular prevalecesse: “Há males que vêm para o bem.” Bem de quem? Para o bem de Everton, por exemplo, que enfim ‘desabrochou’ seu futebol. E para o mais recente bem de Gabriel, que não corre igual uma esteira como Everton, mas é tão atrevido como o canhoto.

O América-RN já provou disso, em dose dupla. No agregado das quartas de final da Copa do Brasil desse ano, 2 a 0 Flamengo. Dois gols dele, Gabriel. Contra o Cruzeiro, que era favorito no confronto pelo Campeonato Brasileiro: 3 a 0. Dedé contra, Canteros e ele de novo. E a confiança em disparada. Mas faltava um jogo pesado, mais que o jogo contra o líder e atual campeão brasileiro. E viria na primeira semifinal da Copa do Brasil. Cáceres de cabeça abriu o placar e diminuiu a ladeira que o Flamengo tinha sobre si mesmo por conta do placar que necessitava pra levar para o Mineirão, na volta.

E ele recebeu a bola atrás do meio-campo, deu um toque de cabeça e um chapéu no primeiro marcador. O marcador voltou e tomou outro drible, enquanto Gabriel disparava. Parou, conduziu a bola, enganou passando o pé por cima dela, um drible curto e livrou de dois. Jogadaça! Victor já se preparava pra presenciar um golaço quando Josué chegou todo desajeitado, caindo deitado e acabou derrubando o baiano mais infernal dos últimos tempos. Chicão bateu e converteu. Dois a zero e a marra do Maraca insuportável. E quem liga? Era o Flamengo no embalo do menino Gabriel!

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