24 de maio de 2022

Opinião: Clima de “oba oba” e “já ganhou” faz Chapa Roxa adotar silêncio na eleição do Conselho Fiscal

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Foto: Marcelo Cortes/Flamengo

O silêncio em qualquer processo eleitoral também é estratégia, não se pode negar, mas fica o questionamento: O quanto isso é benéfico aos Conselheiros do Flamengo que terão direito a voto no dia 28, na eleição do Conselho Fiscal? Nesta quarta (23), a Chapa Roxa, encabeçada por Sebastião Pedrazzi, negou um pedido de entrevista feito pelo Blog Ser Flamengo.


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Uma das justificativas poderia ser que, como concorre a reeleição, o trabalho pode ser avaliado pelo que foi feito no último triênio (2019-2022), mas após a entrevista de Sérgio Bessa, candidato da Chapa Azul e atual membro titular do Conselho Fiscal, muitas dúvidas pairam sobre a independência tão apregoada pela Chapa Roxa. Uma delas se deve pela falta de questionamentos que poderiam ter sido feitos a direção liderada por Rodolfo Landim sobre as operações realizadas no Maracanã e com o Banco de Brasília (BRB).

Vejam o que disse Sérgio Bessa sobre esses contratos:

— Qual é o resultado da “operação Maracanã” dentro do Flamengo? A gente não sabe. Eu não sei dizer pra você se o Flamengo está ganhando dinheiro ou está perdendo dinheiro com o Maracanã. Isso nunca chega nas demonstrações financeiras ao Conselho Fiscal de maneira aberta. Quanto o Fluminense deve para o Flamengo? Não sei. O Conselho Fiscal tem que fazer pedidos formais sobre isso e o Conselho não faz de jeito nenhum.

— Outra situação complicada é o contrato com o BRB. Nós não sabemos. Isso não é divulgado pra ninguém. O contrato com o BRB é claro. O Flamengo recebe R$ 32 milhões por ano, tem uma operação de cartão de crédito no qual o Flamengo é sócio dessa operação e se essa operação der um determinado lucro, metade deste lucro será dividido com o Flamengo. A verdade é a seguinte: Qual é o resultado da operação de cartão de crédito com o BRB dentro do Flamengo? não sei. Isso está em que conta contábil? Não sei. Isso são informações que têm que ser pedidas. O Conselho Fiscal tem que pedir ao Conselho Diretor essas informações.

VEJA A ENTREVISTA COMPLETA COM SÉRGIO BESSA:

Ficam as perguntas: Por que essas demonstrações não chegam ao Conselho Fiscal? Por que jamais se fez pedidos formais junto ao Conselho Diretor para esclarecimentos? — Acredito que todo associado do Flamengo e também os torcedores, adorariam saber detalhadamente sobre esses contratos. Com tais informações, o sócio do clube, que futuramente deve votar sobre o contrato de longo prazo com o Maracanã, teria base para saber se vale a pena ou não tal negócio. O mesmo vale para o BRB, que prevê até abertura de uma sociedade no futuro. Por que não há cobrança para uma maior transparência dessas parcerias?

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No meu ponto de vista, a Chapa do Conselho Fiscal não deve ser nem da situação nem oposição, pois é um órgão eminente técnico para examinar as Contas da administração do Flamengo, bem como acompanhar a execução orçamentária“, disse Pedrazzi em entrevista ao Blog Ser Flamengo, em 2016, quando foi candidato ao pleito que reelegeu Mário Esteves. Como um órgão técnico, as atribuições do Conselho Fiscal devem ser cumpridas independente da ligação política dos seus membros, pois são os olhos de uma Nação inteira. As colocações de Sérgio Bessa são mais sérias do que alguns querem fazer parecer e resumir: “Ah, ele é oposição, quer fazer política“. Ele disse é que um conselho “técnico” não cumpre com uma de suas principais atribuições, que como está no Estatuto e como disse Pedrazzi acima, examinar as contas da administração.

Outra pergunta que seria feita ao Pedrazzi, é porque ele convidou dois membros para sua chapa que respondem a processos judiciais. Uma dessas ações, inclusive, se deve a respeito de questões financeiras. Será que essa pessoa está apta para fazer parte de um órgão fiscalizador enquanto essa questão tramita na justiça?

Do atual ciclo eleitoral do Flamengo, que se encerra com essa eleição do Conselho Fiscal, o único candidato da Chapa Roxa a falar para os associados e para os torcedores, foi Antonio Alcides, reeleito presidente do Conselho Deliberativo este ano. Cabe ressaltar que a entrevista foi técnica, mesmo diante de questionamentos polêmicos. Essas entrevistas e bate-papos ajudam aos torcedores a entenderem como funciona o clube dentro da sua estrutura estatutária, bem como a incentivar novos sócios a participarem da vida política do Fla.

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A estratégia do silêncio adotada pela Chapa Roxa só pode ser encarada como ‘oba oba’ e por achar que já venceram a eleição. No entanto, cabe destacar que, diferente de Landim, reeleito em 2021 com sobras, o Conselho Deliberativo teve números bem divididos em sua última eleição. Alcides, que venceu novamente, teve 55,2% dos votos válidos e Lomba, 44,8%. A diferença foi de 92 votos. Margem muito pequena se comparada com os números alcançados por Alcides em 2018, 64,9%, contra 35,1% de Póvoa, ex-vice de Esportes Olímpicos e candidato na ocasião.

A comunicação da campanha de Pedrazzi é decepcionante e se resume a pedir votos ao associado, sem qualquer apresentação mais detalhada de propostas ou mesmo esclarecimentos de questionamentos recentes: Independência do Conselho após vídeo de Landim pedindo voto para quem vai lhe fiscalizar e sobre os contratos com o Fluminense no Maracanã e BRB.

O currículo dos membros da Chapa Roxa só foram divulgados há seis dias, enquanto a Chapa Azul divulgou já no seu lançamento, no último dia 13, seguido de um extenso texto sobre o que pretendem fazer caso sejam eleitos.

Outro ponto que mostra a falta de cuidado no trato com os Conselheiros, e que parece remeter ao clima de vitória, foi o e-mail encaminhado aos sócios nesta quarta (23). Não há qualquer texto no corpo e vem com 10 anexos. Só material de campanha. Currículo dos membros da chapa? Só de um integrante que não é nem de nenhum dos cabeças. Assunto? Um simples “Conselho Fiscal”. Não informa nem que é sobre a eleição. Veja:

Imagem: Reprodução

O espaço no Blog Ser Flamengo ainda está aberto para a Chapa Roxa esclarecer alguns dos pontos levantados aqui. Se a postura for essa (silêncio) em caso de vitória no dia 28, o Flamengo, o associado e os torcedores vão ter muito com o que se preocupar. Isso porque, sem um Conselho Fiscal questionador e que cobre mais transparência, a tal propagada independência e profissionalismo, não serão nem da boca pra fora, mas da boca para dentro, das sombras, aonde não queremos mais voltar.

Termino o texto com o recado deixado por Sebastião Pedrazzi na eleição do Conselho Fiscal em 2016:

Na hora de votar não pense se a chapa é da situação ou de oposição, mas sim se seus componentes têm condições de exercer o cargo para o qual estão se candidatando com independência, transparência e competência.

Por Tulio Rodrigues (@PoetaTulio)

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