Refém de seu próprio medo.

Chegou perto, Luxemburgo! Por pouco, por uma escalação medrosa com 4 volantes, o resultado não foi diferente. O Atlético não venceu, mas poderia.  Entrou em campo num 4-4-2, em que, mesmo Tardelli tendo que voltar ao meio pra buscar jogo, o time tinha domínio e por vezes não deixava o Flamengo respirar.

E aos 9 minutos do primeiro tempo, isso ficou evidente. A jogada foi muito rápida: um lateral cobrado e a bola chegando aos pés de Maicosuel. Que saiu de João Paulo, Cáceres e Wallace e bateu seco, forte, no canto direito de Paulo Victor. Era o alerta, mas precisou de muito mais para que Luxemburgo resolvesse mexer. Errado e prematuro poderia ser, se o mesmo mandasse a campo Eduardo da Silva e Mugni, como meio de restaurar a criatividade do time. Aliás, restaurar, não. Colocar cabeças pensantes!

E ao menos fosse apenas um erro de escalação, um erro de escolha. Luxemburgo viu o time ficar nervoso e errar demais simples fundamentos. Everton corria feito louco, para cobrir João Paulo que sofria com Maicosuel. Com isso, tirava-se uma das poucas cabeças pensantes que o time tinha no momento, para suprir uma ausência de marcação. O Flamengo ganhava uma marcação nervosa e ficava em criação. Perdido e a todo custo tentando acertar.

Aos 25, Nixon entrara no lugar de Luiz Antônio. Volante por atacante. Não era a melhor das escolhas, mas era uma forma diferente de arriscar cedo. Porém, a impotência ofensiva persistiu. O time seguia errando passes bobos, querendo resolver o jogo como podia e ainda dando espaços ao Atlético.

E a marcação pressão, tão utilizada pelo Flamengo nos últimos jogos? Era do Atlético, no momento. Que vinha com dois, três, e forçava Paulo Victor a sair jogando no chutão.

Diferente do jogo contra o Coritiba, hoje era o Flamengo que tinha mais posse de bola. Eram 54% a 46%. Contudo, como errava muitos passes e perdia jogadas fáceis, o Atlético sempre conseguia recuperar a posse com facilidade.

Para o segundo tempo, o Flamengo retornou sem alterações. Isso vale também para a postura do time em campo.

Só aos 11, o Flamengo conseguiu sair da monotonia e partir pra cima do Atlético de vez. Everton era quem mais avançava à defesa dos mineiros. Aos 14, após bate-rebate na área, Marcelo bate de bico e Victor salva. O Atlético recuava e o Flamengo começava a agredir.

E tamanho recuo, trouxe revés. Aos 18, Léo Moura recebe a bola e vê a infiltração de Eduardo da Silva na ponta direita da área. Pedro Botelho o derruba e Sandro Meira Ricci marca o pênalti. Era o ânimo que o Flamengo precisava para, enfim partir para a virada. Na cobrança, Léo Moura empatou o jogo.

Após sofrer o empate, o Atlético tentava timidamente reagir, mas a pressão da torcida empurrou o Flamengo à virada.

Aos 25, o – digamos – iluminado Eduardo da Silva, vira o jogo. Após cruzamento de João Paulo, Eduardo sobe e desvia no canto esquerdo de Victor. A bola vai na trave, no próprio goleiro e entra devagar. Foi no grito, na raça da torcida e no contágio do time! E era o segundo gol de Eduardo da Silva pelo Flamengo. O segundo de cabeça, o segundo na mesma trave, no mesmo tempo de jogo e no mesmo lado esquerdo.

E o pior poderia ter vindo, graças à teimosia do time em não tentar mais um gol, assim fechando o placar em 3 a 1. Em cruzamento de Dátolo, André cabeceou e a bola foi levemente ao encontro da mão esquerda de Paulo Victor, no cantinho.

E, vide o Coritiba, o fim de jogo foi com tons de dramaticidade. De um lado um time tentando a todo vapor empatar o jogo. De outro, um time se segurando do jeito que podia, em vez de tentar marcar o terceiro e deixar tudo mais tranqüilo.

Não é a primeira vez e não será a última – infelizmente – que o Flamengo fica refém de seu próprio medo. Conseguiu, após um erro e correção de Luxemburgo, uma vitória que quase lhe escapou pelas mãos. Mas, ainda não basta. Pela segunda vez o time ficou refém do “Acaba logo!”. E até quando ficará nesse meio-termo? Vencer nunca será ruim e nem é isso que tento transmitir. Mas sim, a idéia de segurança. É o segundo jogo seguido que o Flamengo passa minutos sufocantes tentando tocar a bola e fazer o tempo passar, quando podia tentar um terceiro gol e liquidar o jogo. Bom também não esquecer da questão do saldo de gols. E que venha a próxima rodada, que venham os 22 pontos!

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