5 de julho de 2022

Resposta à carta dos 120 conselheiros que defendem o departamento de futebol do Flamengo

4 min read

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Qualquer administração de um clube tem erros e acertos. Isso é comum. A questão é como os gestores lidam com eles. No Flamengo não é diferente, mas parece que após quatro anos, dirigentes da atual gestão e seus apoiadores ainda encontram dificuldades de receber críticas e cobranças.


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Na tarde deste sábado (11), uma carta assinada por 120 conselheiros, apoiadores da atual direção, foi divulgada, reafirmando seu apoio ao presidente e ao vice de futebol.

Eles iniciam: “É com estranheza que nós, sócios e conselheiros do Clube de Regatas do Flamengo, signatários desta carta, vemos algumas narrativas sendo criadas através de matérias plantadas, movimentações políticas internas e ataques direcionados ao Departamento de Futebol, principalmente, à figura do Vice-presidente Marcos Braz e ao presidente Rodolfo Landim“.

Quais são as narrativas criadas? Quais as matérias plantadas? Que movimentações políticas internas e ataques foram direcionados? Será que é narrativa a falta de resultados do futebol? A movimentação interna seria uma carta cobrando melhorias no departamento por melhor resultado? Ou seria uma narrativa os recentes acontecimentos no campo e fora dele? Não dá para entender, pois falta clareza.

A carta descreve o organograma do futebol, justificando que o setor é profissional por conta disso, por ter o mínimo e dizem não entender as cobranças por profissionalização da pasta. Ora bolas, não basta ter um organograma para garantir que há profissionalismo, pois em outras gestões também havia uma organização mínima de profissionais no futebol, mas que não era suficiente para entregar os resultados que a torcida almejava.

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A escolha dos profissionais, os processos, transparência nos processos… Ah, cadê o executivo de mercado que reformularia o RH do Flamengo? Promessa de 2018. Talvez os signatários da carta não lembrem das cobranças às pasta de comunicação e marketing. Como esquecer que Andrade foi confundido com Adílio?

Falando em Conselho de Futebol, será que não é estranho que um comitê que não participa do dia a dia (como descrito na carta) do futebol tenha condições de participar de decisões estratégicas? Será que aqui não está um erro claro de processo? Não seria mais adequado que esse Conselho fosse formado por profissionais compostos do organograma e que estão a par de toda rotina do departamento?

A carta vai descrevendo o currículo vencedor de Marcos Braz. Não tem como negar o seu histórico glorioso e sua expertise no cargo. Mas se fosse o caso, podemos pedir a volta de dirigentes vencedores no passado. Ser campeão não é salvo-conduto para ninguém ser eximido de críticas e cobranças. Aliás, retomando o texto dos nobres conselheiros, o tempo verbal usado para dizer que houve erros, está errado, pois é dito em seguida que erros “devem ser corrigidos e aprimorados” no tempo presente. Se erros devem ser corrigidos, é porque está havendo equívocos. Não há lógica temporal nessa pequena mea culpa.

E faz menos sentido tal colocação quando não se discorre sobre os erros, bem como se identificados, se há alguma cobrança interna junto a direção, já que estão por dentro do que ocorre no futebol.

A carta mais parece uma resposta e um ataque a quem vem buscando os meios internos para se fazer ouvir pela direção. O tempo não para e já se faz dois anos do último título relevante conquistado. A situação beira o desespero, sentimento diferente dos signatários da carta, que parecem estar tranquilos, mesmo vendo que desde 2020, o departamento inteiro de futebol sofreu com mudanças que só vêm prejudicando o clube. Fora que se perdeu a oportunidade de trazer novamente o melhor treinador do Flamengo dos últimos 40 anos.

Como bem colocou Renato Maurício Prado, “o clube social nunca esteve tão divorciado dos torcedores, suas razão de ser“, pois os reclames das redes sociais já chegaram às arquibancadas e até mesmo fora do Rio de Janeiro. Será que as vaias recentes também foram plantadas?

De qualquer forma, espero que os nobres conselheiros tenham se refastelado em suas camas aconchegantes e repousado suas cabeças tranquilas em seus travesseiros de pluma de ganso para um sono tranquilo após a derrota vergonhosa diante do internacional neste mesmo sábado, em que fizeram questão de minimizar o que ocorre com o futebol do Flamengo. Quem vem fazendo cobranças está tendo pesadelos, com medo de voltar a brigar contra o rebaixamento.

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Por Tulio Rodrigues (@PoetaTulio)

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