Retrospectiva 2012: Processo eleitoral e uma bandeira de esperança

A nossa última parte da retrospectiva 2012 ficou para falarmos da eleição do Flamengo. Eleição que por tudo que ocorreu se tornou histórica em muitos sentidos. Fica claro que a eleição acabou bem diferente de quando começou.

Logo no inicio do ano de 2012, Ronaldo Gomlevsky lança candidatura oficialmente com um grupo denominado de PlanetaFla. Com um discurso de profissionalismo, cativou muitos torcedores no inicio. Em seguida veio Lysias Itapicurú com uma bandeira independente de candidatura. Nesse primeiro momento mais um candidato se apresentou. Foi Affonso Romero com o grupo chamado Revolução Rubro-Negra. O grupo veio forte, pois apresentou um amplo programa de gestão. Nós entrevistamos a todos.

Até a inscrição das chapas, várias especulações eram feitas quanto ao processo eleitoral. Patrícia em nenhum momento confirmava se iria concorrer a reeleição ou não. Enquanto isso, chapas eram lançadas. Em agosto veio o lançamento da chapa “Fla Campeão do Mundo” com o candidato Wallin Vasconcellos tendo o apoio do maior ídolo do Clube, o Zico. A chapa caiu no gosto da torcida de imediato. Alguns motivos para isso devem ser levados em consideração. Primeiro porque eles também apresentaram um programa de gestão profissional e diferente dos outros, um time de executivos mais graduados do país para colocá-las em prática.

Em seguida, Affonso Romero abriu mão de sua candidatura. Veio logo após as candidaturas de Jorge Rodrigues e Maurício Rodrigues que fizeram lançamentos oficiais. No dia da inscrição, oito candidatos se apresentaram para concorrer ao pleito: Ronaldo Gomlevsky, Lysias Itapicurú, Patrícia Amorim, Wallin Vasconcellos, Jorge Rodrigues, Maurício Rodrigues, Marcos Braz e Peruano. De início Peruano teve a candidatura impugnada por não apresentar certidões necessárias para a homologação da candidatura. Em seguida veio a tão famosa reunião do Conselho de Administração que julgaria a elegibilidade das candidaturas de Patrícia Amorim (Falta de apresentação das contas), Wallin Vasconcellos (Tempo de vida associativa) e Jorge Rodrigues (Relação comercial com o Clube).

Patrícia Amorim e Jorge Rodrigues tiveram as suas candidaturas aprovadas pelo Conselho, mas Wallin Vasconcellos junto com Rodolfo Landim, seu vice, tiveram suas candidaturas impugnadas. O clima ficou meio pesado entre os membros da Chapa Azul e membros da chapa de Patrícia. Em menos de 24 horas depois, a agora Chapa Azul, apresentou Eduardo Bandeira de Melo e Walter D’Agostino como candidatos a presidente e vice respectivamente. Marcos Braz abriu mão de sua candidatura.

O clima pesou um pouco nos bastidores da eleição. Ameaças de morte como a feita por Peruano para a Chapa Azul e agressões verbais ocorreram, mas não passou disso. Até o fim da eleição, o clima foi de total tranquilidade. Alguns acontecimentos ocorreram sim em movimentos claramente políticos. Torcedores foram impedidos de entrar na Gávea no dia do aniversário do Clube logo após a caminhada promovida pela Chapa Azul. O hino do Clube e exaltações a Zico também foram proibidos de serem cantados na Gávea neste mesmo dia.

Alianças foram se formando nos bastidores. O primeiro candidato a abrir mão de sua candidatura com esse objetivo foi Maurício Rodrigues que se uniu a Jorge Rodrigues. Ocorreram alguns encontros para que a oposição se unisse numa candidatura única para concorrer contra Patrícia, mas os esforços foram em vão. Faltando duas semanas para a eleição, Lysias Itapicurú também se uniu a Jorge Rodrigues. Naquele momento restavam quatro candidatos: Patrícia Amorim, Eduardo Bandeira de Mello, Ronaldo Gomlevsky e Jorge Rodrigues. Faltando pouco menos de uma semana, ocorre o que ninguém esperava. Ronaldo Gomlevsky, candidato que havia apoiado o pedido de impugnação de Wallin Vasconcellos, abre mão da candidatura e apoia a Chapa Azul. Segundo o próprio Ronaldo, o que o motivou foi um pedido de Zico. O quadro naquele momento era pra mim o ideal com três candidatos: Patrícia Amorim, Eduardo Bandeira de Mello e Jorge Rodrigues.

Não posso deixar de ressaltar os debates que houve ao longo do processo eleitoral. Dois foram promovidos pela CNT e um promovido pelas mídias independentes: O site Magia Rubro-Negra e o Blog Fim de Jogo. O primeiro debate da CNT e o do Magia Rubro-Negra junto com o Fim de Jogo foram feitos quando ainda haviam seis candidatos. O segundo e último debate promovido pela CNT contou com os três candidatos e foi realizado um dia antes da eleição.

No dia da eleição, um clima tranquilo e democrático na Gávea. Foi com certeza um dia de festa na democracia Rubro-Negra. Um dos pontos altos durante a votação foi à chegada de Zico para votar. O nosso eterno ídolo foi ovacionado pelos presentes. Zico, inclusive foi de suma importância para a vitória da Chapa Azul que foi confirmada mais tarde. Na apuração, logo após a apuração da primeira urna, Patrícia já se deu por vencida e saiu do ginásio junto com sua comitiva. Ao fim da apuração e sob uma forte presença da torcida azul, Bandeira e seu grupo foram ovacionados. O resultado foi massacrante. A Chapa Azul obteve nada menos que 1414 votos, A Chapa Amarela de Patrícia Amorim obteve 914 votos e a Chapa Rosa de Jorge Rodrigues obteve 347 votos.

Não foi raro ver torcedores chorando com a vitória da Chapa Azul que significava naquele momento a esperança de dias melhores para a instituição que vem a anos sangrando por péssimas gestões que primaram pelo amadorismo.

Ainda em dezembro e com o apoio da Chapa Azul, Delair Dumbrosck foi eleito presidente do Conselho Deliberativo num pleito que contou também com Gilberto Cardoso Filho e Lysias Itapicurú.Delair foi eleito com 287 votos, Gilberto Cardoso Filho obteve 238 votos e Lysias Itapicurú 43 votos. Também com o apoio da Chapa Azul, Maurício Gomes de Mattos foi reeleito presidente do Conselho de Administração. Maurício foi candidato único.

Tulio Rodrigues (@PoetaTulio)

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