Rumo a Libertadores 2016

Jogo acabou, eu bem longe de Minas. Chorando igual criança, desejando alguém pra socar, ou algo para quebrar.  Nomeando uma vasta lista de culpados, esquematizando as origens dos erros, na esperança de que aquela análise, naquela altura do campeonato fosse tornar a situação mais digerível. Vou te contar… não tornou não. E eu madruguei com a tal da decepção entalada, como um pedaço robusto de comida na traqueia.

Preferi não ouvir o que o Luxa tinha a dizer. Me resguardei de suportar as desculpas dos envolvidos. Seriam tão inúteis, como normalmente são. Ainda tentei bater palmas para um elenco limitado que chegou a semi, com tão boa trajetória. Mas aí fiquei mais absorta em raiva: é que pra mim, a final era muito nossa.

Quando finalmente deitei, já tinha definido o percentual de culpa de cada um naquela noite trágica, listando os piores vilões. Todavia,  pior do que todas as esdrúxulas substituições, do que toda a incompetência em manter a bola  sob domínio,  toda a cratera no meio de campo, do que todas as  negligências defensivas, do que a mediocridade ofensiva, foi a famigerada APATIA.

Apatia é a ausência de emoção, falta de interesse. Essa é a definição do que massacrou o sonho do Tetra 2014, da Libertadores 2015. Eu quase entrando em colapso, bandeira na mão, suor frio umedecendo o rosto, o coração desesperado, a ponto de causar ligeira dor física. E nada indicava que o meu desespero seria honrado. Pelo contrário. Eu vi uma desmotivação que se encerrou tarde demais. Tudo era erro, tudo era mal feito. Tudo era vergonhosamente cedido. Como se o adversário tivesse mais pernas, mais saúde. Como se não fizesse a mínima diferença, encerrar aquilo daquela maneira. E ninguém ficasse sentido. Como se não tivessem nos permitido sonhar.

Quando penosamente acordei, o escudo do Flamengo sobre minha cortina me fez cair em mim. Não foi um pesadelo, e assustadoramente, me incentivou a cantar aquelas cores, com devoção. Beijei o escudo, e apesar da terrível dor de cabeça, sorri. Compreendi que nem toda decepção do mundo me faria  desanimar. E aqui estou eu, preparada para essa reta final rumo ao nada, já desenhando em minha mente fértil, o Hepta 2015, a libertadores 2016 ( cheiro de bi nessa zorra, ha ha ha). Ciente de que aconteça o que acontecer, somos o foco. Somos notícia. Somos o rival universal. Somos ainda a bastilha inexpugnável, ainda que a apatia a viole ( e que contradição) . Somos a emoção mística, somos um vale de causas impossíveis. Conquistadas.

Desisto de tentar te entender,  famigerado Flamengo!  Me limito a imensa arte de te amar.

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