Sobre Flamengo, mandos e o off-rio

 Toda vez que o Flamengo declara um mando direcionado para fora do Rio de Janeiro, eu reflito sobre o amor materno que se manifesta aliançando o gramado a grande parte dos stakeholders do futebol. Há uma face materna, sim. Somos todos filhos da paixão que alimentamos e que nos alimenta dia após dia. Que externamos das formas mais genuínas.

Até hoje, boas milhas me separam da  terra natal do clube que pauta os meus dias. Orgulhosamente, o off-rio com  a criatividade que o amor empresta, viabiliza formas, pontes de ligação. Inúmeras as ocasiões em que se flamenga nos confins de qualquer cidade, por mais afastada que seja do local onde se deflagra a partida. Inúmeras também as loucuras praticadas para se estar perto e morder o pão da melhor paixão.

Toda vez que o Flamengo concilia o incremento de receitas com o carinho ao seus filhos mais distantes, eu  reflito na quantidade de vidas que são eternamente marcadas por 90 minutos de Flamengo ao vivo. Eu me lembro do que vivi quando, ainda rumando para a fase púbere, pude rolar a catraca pela primeira vez. Longe, muito longe do Maraca! Contudo, ali estava a materialização do místico sentimento que eu já nutria.  Uma mistura muito rica de sentimentos fluiu. Eu percebia que a minha voz, sendo só mais uma, era poderosa, era motriz. Eu percebia que a minha individualidade nada importava quando eu podia ser massa. E percebia que me dedicar  ao clube, de alguma forma, seria  cultivar o meu próprio eu.

Quantos berros, lágrimas, cânticos e farras em saguões de aeroporto, aguardando pela oportunidade de mostrar que  o nosso apoio era incondicional? Quantas orações  de joelhos, figas, promessas e afins, para mandar energias e nos aproximar  do que está tão distante? Quantos cruzamentos hipotéticos, para sonhar com mais uma oportunidade para ter o Mengo logo ali? Quantos cálculos e malabarismos financeiros para fazer Maomé chegar a montanha (ir atrás do Mengo)?

90 minutos de Flamengo ao vivo, são suficientes para mudar toda uma existência. Foi assim comigo, foi assim com muitos amigos, será sempre assim. São marcas que o tempo não consegue apagar. São sementes da perpetuação da marca, do nome, da mística. É capilaridade. É marketing, é cifra, mas é também o abraço.

Por mais que doam, eu não me vitimo pelos efeitos da distância. Acho, inclusive, que ela comprova a veracidade e voracidade de muita coisa. E… a gente sempre dá um jeito de não se sentir tão órfão de Flamengo (ele agora também dá uma forcinha).

Ainda bem que apesar de longe, ele está dentro de nós.

SRN,

Bruna Uchôa

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