Sobre Flamengo, mandos e o off-rio

Torcida-Flamengo-Estadio-Garrincha-Imagem_LANIMA20130705_0141_26Toda vez que o Flamengo declara um mando direcionado para fora do Rio de Janeiro, eu reflito sobre o amor materno que se manifesta aliançando o gramado a grande parte dos stakeholders do futebol. Há uma face materna, sim. Somos todos filhos da paixão que alimentamos e que nos alimenta dia após dia. Que externamos das formas mais genuínas.

Até hoje, boas milhas me separam da  terra natal do clube que pauta os meus dias. Orgulhosamente, o off-rio com  a criatividade que o amor empresta, viabiliza formas, pontes de ligação. Inúmeras as ocasiões em que se flamenga nos confins de qualquer cidade, por mais afastada que seja do local onde se deflagra a partida. Inúmeras também as loucuras praticadas para se estar perto e morder o pão da melhor paixão.

Toda vez que o Flamengo concilia o incremento de receitas com o carinho ao seus filhos mais distantes, eu  reflito na quantidade de vidas que são eternamente marcadas por 90 minutos de Flamengo ao vivo. Eu me lembro do que vivi quando, ainda rumando para a fase púbere, pude rolar a catraca pela primeira vez. Longe, muito longe do Maraca! Contudo, ali estava a materialização do místico sentimento que eu já nutria.  Uma mistura muito rica de sentimentos fluiu. Eu percebia que a minha voz, sendo só mais uma, era poderosa, era motriz. Eu percebia que a minha individualidade nada importava quando eu podia ser massa. E percebia que me dedicar  ao clube, de alguma forma, seria  cultivar o meu próprio eu.

Quantos berros, lágrimas, cânticos e farras em saguões de aeroporto, aguardando pela oportunidade de mostrar que  o nosso apoio era incondicional? Quantas orações  de joelhos, figas, promessas e afins, para mandar energias e nos aproximar  do que está tão distante? Quantos cruzamentos hipotéticos, para sonhar com mais uma oportunidade para ter o Mengo logo ali? Quantos cálculos e malabarismos financeiros para fazer Maomé chegar a montanha (ir atrás do Mengo)?

90 minutos de Flamengo ao vivo, são suficientes para mudar toda uma existência. Foi assim comigo, foi assim com muitos amigos, será sempre assim. São marcas que o tempo não consegue apagar. São sementes da perpetuação da marca, do nome, da mística. É capilaridade. É marketing, é cifra, mas é também o abraço.

Por mais que doam, eu não me vitimo pelos efeitos da distância. Acho, inclusive, que ela comprova a veracidade e voracidade de muita coisa. E… a gente sempre dá um jeito de não se sentir tão órfão de Flamengo (ele agora também dá uma forcinha).

Ainda bem que apesar de longe, ele está dentro de nós.

SRN,

Bruna Uchôa

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Comentários

3 Comments

  • Junior Lopes 4 de setembro de 2015 at 19:20

    Flamengo é um time Nacional,é importante o Flamengo ser itinerante e poder estar perto de seus torcedores off-Rio,mas,não podemos perder nossa identidade com o Maracanã,palco de nossas maiores conquistas.Fico feliz em ver o Flamengo em São Paulo,atuando como se estivesse em casa.Não poderíamos ser a maior torcida do Estado o que seria de fato uma loucura,mas, somos respeitados porque estamos presentes de forma efetiva.Temos apaixonados em São Paulo,torcedores fiéis e não simpatizantes como alguns rivais pregoam,é duro para qualquer rival engolir o Flamengo sem chorar,porque aonde existir um estádio e arquibancadas,ali,o torcedor do Flamengo estará presente,sem ter que provar nada a ninguém,sem precisar provar seu tamanho,ou rivalizar com quem é menor e sempre será!Flamengo é gigantesco,está na alma de quem veste essa camisa,clube centenário,de glórias e histórias de suor,raça,paixão,essa camisa joga sozinha,e carrega o peso de 40 milhões de vozes.Não precisamos lotar vôos para o Japão,porque Zico no Japão é Pelé,onde o Flamengo estiver lá estaremos,falando idiomas diferentes,sotaques diferentes típicos de cada região mas unidos pela mesma camisa e mesmo amor pelo mais querido do Brasil.Flamengo seja off Rio,mas,nunca deixe de ser off do coração de seu torcedor fiel.Aos meus rivais deixo um caloroso abraço,o que seríamos de nós sem cada um de vocês!SRN,aqui é Flamengo,apena isso,nada mais!

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    • brunauchoa 9 de setembro de 2015 at 08:07

      Boa Júnior!

      Grata pelo feedback. Abraço e SRN.

      Bruna Uchoa

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  • Alexandre Fernandes 10 de setembro de 2015 at 14:18

    Muito bacana mesmo, essa ideia do ‘off-rio’. O Flamengo, jogue onde jogar, sempre será recebido e tratado como se estivesse em casa. Além de dar aquela moral para os sócios-torcedores de outros estados. (vem pra Salvador, mengão!)

    ” reflito na quantidade de vidas que são eternamente marcadas por 90 minutos de Flamengo ao vivo”
    kk mt bom!

    SRN

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