Sobre Léo Moura, adeus e respeito

Os anos passam, e as pessoas indubitavelmente mudam. O corpo envelhece, a visão de mundo amadurece, e o contexto, a cada rotação e translação do mundo, modifica. Por mais que nos acostumemos a uma dada realidade, sua alteração é quase sempre iminente.

São quase 10 anos de Flamengo. Difícil encontrar um Rubro-Negro que não tenha se acostumado ao atleta. Às vezes parecia que Leonardo Moura era a personificação da posição, e não um exemplar. Esse costume foi fortalecido por um respeito e admiração muito forte de grande parte de nossa Nação.

Ele viveu coisas memoráveis.

Chegou a Gávea em 2005, brilhou em nosso Penta Tri, levantou duas taças de Copa do Brasil, um título brasileiro. Figura a lista dos jogadores que por mais vezes conquistaram títulos com o Manto Sagrado. Léo congelou sua imagem emocionada em muitas retinas, inclusive a minha.

E se for falar mesmo da minha visão de Léo Moura, começa neste espaço uma grande tietagem. Romântica que sou ver o Léo derramar lágrimas pela Magia Rubro-Negra me fez fã incondicional, ignorando os aspectos profissionais, e exaltando o ídolo. Aos 12 anos, uma caricatura do Moicano feita por mim, enfeitava uma das minhas paredes. Eu era uma das que mais gritavam ao ver o Moicano despontar nos desembarques da delegação, por exemplo. Cessando a tietagem pessoal, voltemos a generalizada.

Como esquecer os passes e dribles, a postura de motorzinho daquele que passou por todos os 4 principais do Rio, e foi se consolidar justamente no que morava no seu coração? O cigano encontrou um bom lar. Junto com Juan, formou uma espécie de espinha dorsal. A dupla era temida e eficaz que possibilitou aos dois laterais a convocação para vestir a amarelinha.

Em suma, uma história vitoriosa e aliançada a veia do quarto dedo de nossa mão. Passemos para o pragmatismo.

Nos últimos tempos, as críticas se intensificaram ferozmente. O Léo passou de Moura a múmia, morto etc. Lances gritavam a necessidade: como capitão, deixava a desejar. E o Motorzinho passou a precisar de mais azeite.

Formaram-se dois blocos dentro da Nação. De um lado, os mais críticos, apontando a necessidade de um novo nome para assumir a posição. Do outro, aqueles que defendem que Léo é o dono emérito da posição. Desse contraste de opiniões, nasceu a polêmica do desrespeito. Para uns, apontar os erros do camisa 2, ou mesmo apenas não querer mais 2 anos de Léo na lateral, virou ingratidão. E de fato o é? Se uns assim julgam, outros questionam: será que realmente vale a pena fechar os olhos para a realidade que grita, e subestimar as necessidades do elenco?

A verdade, meus amigos, é que respeito é bom e todos nós apreciamos (ou deveríamos apreciar), mas o nome do Flamengo sempre será maior que o de qualquer um. Talvez não valha a pena encarar uma rejeição que cresce quando as expectativas não são mesmo da melhora almejada. Se o que o Fla precisa hoje não casa com o que o nosso querido L.M pode nos ofertar, que as partes se acertem de forma a confluir para o bem do Mengão. E isso não precisa ocorrer em detrimento a história de Léo, que é bela.

Um adeus parece iminente, e uma vez que tenha chegado, não precisa ser traumático, para ninguém. Se a dor é temporária, a vitória é eterna. Todas as boas memórias jamais serão extintas. Se esse camisa 2 partir para outros desafios, defendendo outras cores, que o sorte o acompanhe. Se decidir pendurar as chuteiras conosco, como já disse pretender, que tenha a certeza: sairá dos campos para povoar milhões de mentes e corações.

Saudações Rubro-negras

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Comentários

1 Comment

  • Oldemar Souza Figueiredo 19 de dezembro de 2014 at 01:09

    Sem dúvida. Somos agradecidos ao Leo. Acontece que o tempo passa. Ele já não é consegue acompanhar jogadores mais jovens em uma posição em que a velocidade submete o defensor com a idade no limite a crueldade. Assim é em todas as profissões, chega uma hora que não dá mais. Somente isso.

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