Torcida dos USA fala pela primeira vez sobre proibição, ameaça de processo do Flamengo e ‘Lei da Mordaça’ para embaixadas

O Flamengo notificou extrajudicialmente a torcida Fla USA New England, sediada nos Estados Unidos, através de um escritório especializado em marcas e patentes, por conta do uso da sua marca nas redes sociais. Eduardo Cosendey, presidente do grupo, contratou o escritório de advocacia, Gruenbaum, Possinhas & Teixeira Advogados, que enviou a resposta à notificação do clube, falou pela primeira vez sobre o assunto.

Em entrevista para “Nossa Rádio USA”, Cosendey revelou como foi o sentimento dos membros da torcida Fla USA New England ao receber a notificação do Flamengo em que além de diversas solicitações, ameaça o grupo de processo judicial e ressarcimento econômico.

A gente recebeu com tristeza essa notificação do Flamengo. Essa notificação fala que não podemos usar o nome Flamengo, o CRF, o brasão, escudo e a gente como torcida, tenho certeza que temos o direito de poder usar sim. O que aconteceu é que estávamos nesse projeto de embaixadas há quatro anos e durante esse tempo não vimos evolução nenhuma.

Além de revelar que não viu evolução no projeto, Eduardo disse que as solicitações enviadas à pasta de Embaixadas e Consulados, não eram atendidas e que faltava suporte.

Tudo que a gente necessitava e pedia ao Maurício (Gomes de Mattos) para resolver, até questão de Sócio-Torcedor internacional, pagamento e várias outras coisas, nunca erámos atendidos. Estávamos num projeto em que sempre que precisávamos, não dava o suporte necessário.

Tanto o “Regimento interno” como o “Código de conduta” das Embaixadas e Consulados, proíbem que os membros do programa façam publicações irônicas sobre os dirigentes nas redes sociais, além de críticas a jogadores, funcionários ou superiores. Segundo Eduardo, essas proibições também foram determinantes para se retirarem do projeto.

Outra coisa que tinha nesse código de conduta é a ‘lei da mordaça’. Que falava que a gente não pode… As embaixadas que assinassem aquilo ali, não pode falar mal do dirigente, falar mal dos jogadores e eu achei isso um absurdo. Esse foi o estopim para sairmos do projeto das embaixadas.

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POSICIONAMENTO DO CLUBE SOBRE O CASO:

Também em entrevista para a rádio americana “Nossa Rádio USA”, o vice-presidente de Embaixadas e Consulados, Maurício Gomes de Mattos, defendeu as medidas tomadas pelo Flamengo, que segundo ele, está em sua razão absoluta.

Essa marca é do Clube de Regatas do Flamengo e os patrocinadores é que conseguem ter a marca à disposição. Como projeto oficial, nós não podemos e não queremos prejudicar o clube. Quem entende diferente, não pode estar no projeto. Na verdade, o Eduardo (Cosendey) entende de uma outra forma, eu respeito, mas o Flamengo entende que deve proteger às suas Embaixadas e tem que proteger a sua marca. Com isso, o Flamengo entrou de uma forma amigável, numa intimação extrajudicial para colocar à sua razão, que eu acho absoluta, para que o Eduardo possa entrar em um acordo e que não use a marca do Flamengo, o CRF.

INÍCIO DO IMBRÓGLIO ENTRE A FLA USA E O CLUBE:

Todo esse imbróglio começou no dia 20 de julho de 2020, quando os responsáveis pelas Embaixadas e Consulados do Flamengo, receberam com a obrigação de assinatura, o novo “Código de ética e conduta” e o “Regulamento interno”. Além de não poderem mais usar a marca, o símbolo ou distintivos do clube sem autorização prévia, os membros do projeto também não podem ter qualquer confronto, atrito e até mesmo de fazer publicação irônica sobre os dirigentes nas redes sociais, bem como tecer críticas a jogadores, funcionários ou seus superiores.

Mesmo com o descontentamento com os documentos entre alguns embaixadores e cônsules, a única embaixada que externou insatisfação, foi a Fla USA/New England. Eles ainda se reuniram com o vice-presidente da pasta no dia 18 de agosto de 2020, quando não chegaram a um entendimento e no dia 28 de agosto, se desligaram do projeto e passaram a se autointitular, “Torcida Fla USA/New England”.

Foto: Divulgação/Fla USA/New England

Por: Tulio Rodrigues (@PoetaTulio)
Colaboração: Higor Neves (@Higorsneves)

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