Um futuro ameaçador

Dói, né? Depois de uma semana de labuta, esperar um bom final de domingo e ver o show de horrores que é esse Flamengo em campo. E mais uma vez, aquele sorriso de triunfo vai ficando guardado, o ânimo desgostosamente vai se transformando em impaciência, o otimismo vai virando seu enfezado antônimo. No Flamengo sempre foi mesmo assim. 60 segundos para ir do céu ao inferno, e uma gota o estopim da tempestade. Dói né? Saber que perdemos o sono, a fome, o humor, e sentir que isso não é verdadeiramente partilhado com aqueles que nos representam.

Só mesmo muita força interior para segurar alguém em frente à TV durante os jogos do Fla, e muito amor para encarar as peladas in loco. Eu adoro esse papo de austeridade, de foco no projeto, de saúde financeira. Mas eu também adoro ver a minha Nação sorrir. Adoro sentir o Urubu temido. Adoro o Flamengo sendo Flamengo.

Encaremos os fatos. É tudo um grande conjunto de coisas esdrúxulas, a começar pelo nosso guarda metas, que volta e meia, se posiciona tão bem quanto um cego em um tiroteio. A nossa zaga tem sido tão madura quanto uma criança de dois anos (ainda que não tenha sido dos males o pior na última rodada). E quem precisa de The WalkingDead com Léo Moura e André Santos se arrastando pelas laterais tais quais os zumbis que provam saber interpretar como ninguém mais? E quantas vezes me queixei por não termos homens de criação? Ou alguém aí se habilita a me convencer que algum dos nossos meias vem honrando a função? Não tenho coragem de tecer críticas das mais duras aos rapazes do ataque. Por mais que errem, será que vão voltar para buscar jogo, criar, finalizar e serem sempre eficazes? Não falta aí o famigerado armador?

A verdade é que ninguém está pedindo o Bale, o Lampard, o Yayá, o Messi. Estamos apenas pedindo que o nosso dinheiro seja investido de forma sensata. É que o torcedor se contorce ao pensar em certas coisas, como por exemplo, a relação custo/benefício do Cadu todo o tempo (tempo que se arrastou) em que permaneceu na Gávea. É que o torcedor acredita que uns poucos homens na hora e na posição certa, alavancam grandes resultados. É que o torcedor não quer estrelismo, quer dignidade, quer competitividade, quer resultado, porque se o foco é receita, o resultado também se encarrega de gerar.

Os títulos recentes estão na história, mas eles não fazem as necessidades menos urgentes. Não sou azul, sou Flamengo. Até confio no trabalho em que a diretoria desempenha, mas no que diz respeito ao futebol, já repetiram mil vezes que o futuro será recompensador, e mostram não considerar que o presente é ameaçador.

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