Sobre o livro “Um jogo cada vez mais sujo”

Andrew Jennings já havia abalado as estruturas da família FIFA ao publicar em 2011 o livro “Jogo sujo” denunciando os casos de corrupção da entidade mãe do futebol mundial. Em 2014, Andrew Jennings volta novamente com um novo livro que conta detalhes obscuros sobre a FIFA e alguns dos seus famosos membros que fazem da entidade uma máfia no qual a atividade fim é ganhar dinheiro da forma menos honesta possível.

Em “Um jogo cada vez mais sujo”, que traz o prefácio do ex-craque e agora Deputado, Romário, Andrew Jennings vem com uma riqueza de detalhes que nos chega ser assustadora dos negócios escusos liderado por Joseph Blatter tendo como aliados João Havelange e Ricardo Teixeira.

Andrew Jennings abre o livro no prólogo explicando como funciona a máfia em Palermo, na Itália investigada por ele e no capítulo seguinte sobre a misteriosa morte do sobrinho-neto de Castor de Andrade, famoso bicheiro que atuava no Rio de Janeiro desde os anos 60. Castor de Andrade era influente no Carnaval e no futebol contando com a ajuda de João Havelange, que muito aprendeu com o bicheiro.

João Havelange, um dos personagens principais do livro é a ponta que abre o novelo que transformou a FIFA após ele vencer a presidência da entidade em 1974 comprando votos. Prática que perdura até hoje. Assim Havelange venceu suas eleições até ser substituído por Blatter que foi preparado por Horst Dassler na adidas para a FIFA.

Como em “Jogo sujo”, nos foi apresentado o esquema, em “Um jogo cada vez mais sujo” podemos vê-lo por dentro. Umas das revelações do livro são sobre a quantia sugada por Ricardo Teixeira durante seis anos da ISL via FIFA. Nada menos que 9,5 milhões de dólares. Já João Havelange conseguiu receber nada menos que 45 milhões de dólares. Foram essas propinas pagas pela ISL para ter os direitos de transmissão dos jogos da Copa do Mundo aos membros da FIFA que ajudou a afundar a empresa de marketing fundada por Horst Dassler. A CPI da Nike é relembrada no livro com detalhes do contrato da empresa americana com a CBF e de como Ricardo Teixeira se beneficiou financeiramente quebrando a Confederação Brasileira.

Ao falar sobre a manipulação na escolha das sedes da Copa do Mundo, é mostrado como o dinheiro foi importante para a escolha da Alemanha em 2006 e não a Africa do Sul de Mandela. Até mesmo o ex-craque alemão, Franz Beckenbrauer esteve envolvido. O livro ainda nos mostra como a Copa foi para a Africa do Sul em 2010, ao Brasil em 2014, Rússia em 2018 e Qatar em 2022.

Você quer comprar ingressos para a Copa do Mundo? Esse é o título do sétimo capítulo do livro que minuciosamente nos mostra como os ingressos saem da FIFA e vão parar no mercado negro pelo mundo. Um dos dirigentes que mais se beneficiou com a venda de ingressos no mercado negro foi Jack Warner, de Trinidad Tobago que depois caiu após rasteira do também corrupto Chuck Blazer que logo em seguida caiu, mas não sem antes esbanjar o dinheiro da FIFA pelo mundo.

Outros fatos aterradores nos mostram como Blatter e os membros executivos da FIFA saem impunes diante de toda corrupção comprovada e documentada. Blatter compra os seus próprios investigadores, reescreve o código da FIFA que o ajuda a nunca ser pego. A palavra confidencial é uma das que mais consta no código de ética. Reuniões confidenciais, salários, despesas e bonificações são confidenciais. As cláusulas são um tanto assustadoras e merecem destaque como a que diz que quem processar Blatter ou outro membro da FIFA num tribunal civil é banido do futebol.

José Maria Marin, nosso atual presidente da CBF, ganha destaque por dar continuidade ao que Teixeira começou. Teixeira não sairia da CBF deixando em seu lugar alguém que não fosse de sua confiança. Marin era braço direito dos militares que deram o golpe no Brasil em 64 instalando uma ditadura que durou um pouco mais de duas décadas. Em 9 de outubro de 1975, o Deputado Wadih Helu discursou na Assembleia Legislativa de São Paulo atacando os conteúdos que a TV Cultural levava ao ar sob o pretexto de serem conteúdos comunistas. Marin deu o seu aparte raivoso cobrando o governo alguma atitude. No dia 25 de outubro, Vladimir Herzog, editor-chefe da TV Cultura era preso e não mais voltaria pra casa. Herzog foi assassinado ao sofrer tortura em seu interrogatório. Os militares quiseram montar um suicídio, versão nunca aceita pela família que desde então, através da esposa de Vlado, Clarice, lutaram para provar o assassinato, o que só ocorreu no dia 15 de março de 2003.

O último capítulo do livro vem trazendo no título uma pergunta: “O Rio de Janeiro pagou propina para sediar as Olimpíadas?” Compre o livro e descubra!

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Com as denúncias publicadas no livro “Jogo sujo”, Andrew Jennings ajudou a tirar do poder João Havelange e Ricardo Teixeira.

Leia a entrevista que fiz ano passado com Andrew Jennings: (Entrevista com Andrew Jennings)

Conheçam o site de Andrew Jennings: http://www.transparencyinsport.org/

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