Vitória da agonia de Joel.

Flamengo foi a campo num 4-4-2 com: Paulo Victor; Wellington Silva, Marllon, Welinton, Magal; Aírton, Renato Abreu, Luís Antônio, Ibson; Vágner Love, Diego Maurício. Técnico: Joel Santana.

Coritiba foi a campo num 4-4-2 com: Vanderlei; Demerson, Emerson, Lucas Mendes; William, Sérgio Manoel, Lincoln, Eduardo Ribeiro; Roberto, Everton Costa. Técnico: Marcelo Oliveira.

Arbitragem: Rodrigo Braghetto. Auxiliares: Márcio Augusto, Carlos Nogueira, Emerson Ferreira, Cleisson Pereira.

Flamengo e Coritiba entraram em campo neste sábado, sabendo que precisavam demais de uma vitória. Um, não perdeu ainda no campeonato, mas sabia que se perdesse ou ao menos, empatasse novamente, ia complicar demais sua vida e a vida de seu treinador – Joel Santana. Esse que acabo de falar, era/é o Flamengo. Por outro lado, tínhamos um Coritiba, que vinha de 3 derrotas seguidas e precisava até 2 vezes mais da vitória, do que o time-da-casa.

Joel Santana e seu estilo pragmático, conservador até demais, não mudou. Apenas a escalação, ou melhor, a simples troca de dois componentes – um na lateral e outro na zaga – dificultaram um pouco as coisas no setor defensivo do time. Se o atual capitão do time, Léo Moura estava machucado e foi poupado, cabia e coube a Wellington Silva fazer a proteção e avançar pela direita. Coisa que o titular da posição já faz – e muito bem. Na zaga, tivemos mais uma vez, Marllon junto do Welinton. Só de ver essa escalação assim armada, já bate medo em qualquer rubro-negro. Porém o jovem Marllon, oriundo da base, não está mostrando abalo psicológico neste momento em que precisa ocupar a vaga deixada por González, que está com a Seleção Chilena.

Falando do jogo em si, começou com certo equilíbrio de ambos os lados, logicamente. O Coritiba se continha em seu campo defensivo, mas, vez ou outra, tentava uma subida e contra-ataque. O Flamengo jogava em casa, mas demorou um tempo a se tocar disso e usá-lo a seu favor. Porém, quando se “acertou”, chegou e o fez com sucesso.

Em levantamento pra área feito por Magal, Love em posição duvidosa recebe e de primeira manda no canto esquerdo de Vanderlei. Flamengo abre o placar no Engenhão. Era o quarto gol de Vágner Love neste Campeonato Brasileiro. Mas, a pulga atrás da orelha, tanto de Joel, como de todos os rubro-negros, tanto do Engenhão quanto do Brasil, estava mantida e só o Flamengo era quem podia excluí-la de lá.

O Coritiba talvez sentisse o ilusório bom momento do Flamengo, mas não demonstrava. Era aquele time tímido, que só sobia às vezes. Ou melhor, ainda tentava, mas sem êxito!

Tamanha timidez, uma hora resultaria em seguida falha, em segundo gol.

Em contra-ataque, Ibson recebe na meia-lua e serve Luiz Antônio que chegava livre na direita. O volante, que também sabe apoiar, “como poucos”, recebeu, entrou na área e finalizou no canto direito de Vanderlei. Era o segundo gol do Flamengo, que aquela altura demonstrava certa facilidade e tranquilidade para entrar na área do Coritiba e ameaçar o time Paranaense.

Era correto que o Coritiba precisava de um empurrão a mais, pra acordar e tentar empatar e reverter aquele quadro. Todo mundo via, sabia e percebia que ainda tinha muito tempo para tentar a reversão. O Flamengo fez o segundo gol aos 12 minutos do primeiro tempo e a partir dali, se recolheu no seu campo defensivo, à espera de “sabe-se lá o quê”.

O Coritiba se animou. Marcelo Oliveira no banco aquietou-se. Sabia que não era a hora exata para mexer. Aposto com você que, se fosse o Flamengo o dono da desvantagem, Joel mexeria rápido.

Marcelo Oliveira não o fez, e viu seu time diminuir a vantagem rubro-negra. Em levantamento pra área, Emerson, zagueiro, cabeceia e diminui no Engenhão.

Não estou aqui falando que o Marcelo Oliveira é o melhor técnico do Brasil, nem do mundo, só porque decidiu manter o time por estar muito cedo pra mexer na ocasião. Mas estou afirmando que ele, talvez, tenha feito a coisa certa. Mexer naquele dito momento, poderia “quebrar” o esquema montado por ele, e a coisa piorar pro Coritiba.

No mais, o primeiro tempo seguiu-se no mesmo ritmo que estava depois dos 12 minutos. O pragmatismo do Flamengo, em querer se manter recuado e segurar muito cedo o placar de 2 a 0.. E um Coritiba fechado, tímido e que ao mesmo tempo, tinha mas não tinha a coragem de subir e se arriscar.

Na volta ao segundo tempo, só o Coritiba mexe. Lincoln saiu e deu lugar a Robinho, e Sérgio Manoel saiu para a entrada de Chico.

Talvez no vestiário a conversa, que no campo não surtiu efeito, tenha sido amplamente solucionada. Pois o Coritiba voltou ao segundo tempo com mais ímpeto que no primeiro.

Já o Flamengo voltou bem mais retraído, recuado, que no primeiro.

Foram muitos erros de passes e jogadas facilmente desperdiçadas. Em dado momento do jogo, os times conseguiam arrancar de um campo a outro com ampla facilidade. Porém o que o Coritiba queria e buscava, não conseguiu. Não aconteceu!

Pelo lado do Flamengo, foram inúmeras chances de bola parada. Nenhuma jogada pra área. Como antes era de praxe do time carioca. Na maioria, ampla maioria, Renato Abreu de dispôs a fazer a cobrança. Não mal, não bem. Apenas regular e fora do alvo, fora do gol. Bottinelli que entrara no lugar de Magal, pediu na maioria das vezes para cobrar as faltas. E na única chance que teve de cobrar, cobrou bem, mas fraco e facilitou pra Vanderlei.

O Coritiba até ensaiou uma certa pressão perto do fim, quando Luís Mendes deu lugar a Tcheco, que passou a tomar conta da organização no meio-campo do time. Mas nada surtiu o efeito desejado.

Perto do fim, Joel decidiu mandar suas últimas doses de esperança e salvação, a campo. Primeiro entrou Hernane, estreante da noite, no lugar de Diego Maurício, bastante apagado no jogo.. Em seguida, foi a vez de uma troca simples. Bem ao estilo “seis por meia-dúzia”. Luís Antônio saiu e deu lugar a Muralha. Que teve tarefa “simples”. Segurar o ímpeto do Coritiba e garantir nossa primeira vitória no campeonato.

Joel no banco se agoniava pedindo o fim da partida. O árbitro dava 4 de acréscimo.

Falta na entrada da área pro Flamengo. Bottinelli cobra na barreira, mas a bola acaba sobrando para o mesmo, que corta a marcação e toca para Hernane, estreante da noite – lembrando Jael no ano passado – bater no canto esquerdo de Vanderlei e assegurar a vitória ao Flamengo.

No mais, o Coritiba ainda tentou e muito. Mas o Flamengo soube se segurar e garantir os primeiros 3 pontos no campeonato. Foi uma vitória que, pra quem não viu o jogo, ou chegou apenas no fim, deverá pensar: “Foi tranquila.” Mas não foi. Foi a vitória do pragmatismo revoltante. Foi a vitória dos suspiro positivo. Foi a vitória da agonia de Joel. Que, pelo menos por enquanto, se mantém no cargo.

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