O comentarista Paulo Massini afirmou, em programa do BandSports, que existe uma pressão articulada pelo Flamengo para influenciar decisões de arbitragem contra o Palmeiras. A declaração relembrou o polêmico clássico entre São Paulo e Palmeiras em 2025, marcado por uma arbitragem bem estranha a favor do time de coração do jonalista. Segundo Massini, o discurso rubro-negro teria extrapolado o caso específico e criado um ambiente de constrangimento aos árbitros. O problema é que a linha do tempo dos fatos não sustenta a narrativa apresentada.
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A cronologia ignorada
O jogo entre São Paulo e Palmeiras ocorreu no período da tarde. De imediato, os lances polêmicos já dominavam as redes sociais, programas esportivos e portais de notícia. Dirigentes do São Paulo se manifestaram publicamente. A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, comentou o episódio. Mesas-redondas dedicaram blocos inteiros ao tema.
Horas depois, à noite, o Flamengo entrou em campo contra o Bahia. Só após essa partida o dirigente rubro-negro José Boto comentou o cenário da arbitragem, sem citar nominalmente clubes ou árbitros. A fala ocorreu quando o debate já estava instalado no ambiente esportivo. Não foi a faísca inicial, tampouco a única manifestação.
Sustentar que a pressão começou ali exige ignorar todo o ruído anterior.
Influência que não se confirma
Se a tese é de que o Flamengo exerce controle nos bastidores, os próprios registros disciplinares enfraquecem o argumento. Dirigentes rubro-negros foram denunciados no passado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Bruno Spindel foi punido. Marcos Braz chegou a ser denunciado e sofreu sanções antes de obter efeito suspensivo. O próprio Boto foi alvo de denúncia.
Não se trata de juízo de valor sobre as punições, mas de coerência lógica. Um clube que supostamente “manda no sistema” não teria seus representantes enquadrados com frequência.
A acusação de interferência estrutural exige evidências objetivas. Até agora, o que se apresentou foram suposições.
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O sintético e o argumento econômico
Massini também associou a mobilização contra o gramado sintético a um movimento estratégico para enfraquecer o Palmeiras, cujo estádio, o Allianz Parque, recebe grande volume de shows organizados pela construtora WTorre. O comentarista sugeriu que a arena seria um dos pilares da força palmeirense.
Os números, porém, pedem nuance. A arena movimenta cifras expressivas com eventos musicais, superando 300 milhões de reais em determinado período anual. O Palmeiras recebe cerca de 30% desse montante. É uma receita relevante, mas não determinante a ponto de definir competitividade esportiva isoladamente.
A discussão sobre o piso de plástico envolve saúde dos atletas, impacto técnico no jogo e padronização de competições. Reduzi-la a uma conspiração contra um adversário simplifica um debate que atravessa clubes de diferentes estados.
Campeonatos distintos, dados misturados
Outro ponto levantado envolve a ausência de pênaltis marcados a favor do Palmeiras em determinado recorte temporal. Parte das estatísticas divulgadas inclui competições como o Campeonato Paulista, organizado pela Federação Paulista de Futebol, fora do escopo da CBF. Em torneios continentais, sob a gestão da CONMEBOL, decisões também foram questionadas.
Misturar contextos administrativos distintos para sustentar uma hipótese única compromete a consistência do argumento.
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Entre opinião e responsabilidade
Opinar faz parte do jornalismo esportivo. O problema surge quando conjecturas passam a ser tratadas como diagnóstico estrutural sem lastro documental. Ao afirmar que existe uma articulação deliberada do Flamengo para influenciar arbitragem, Massini atribui intenção, método e alcance institucional sem apresentar provas.
A crítica à arbitragem é antiga no futebol brasileiro. Palmeiras, Flamengo, Corinthians, São Paulo e outros clubes já recorreram a notas oficiais e declarações públicas em diferentes momentos. Transformar uma manifestação específica em eixo central de uma teoria sistêmica exige mais do que convicção pessoal.
No ambiente polarizado do futebol, a palavra de quem ocupa espaço em veículos de alcance nacional carrega peso. Quando a análise abandona a cronologia e desconsidera dados que não se encaixam na hipótese inicial, o debate perde densidade.
E o torcedor, que já convive com desconfiança crônica sobre arbitragem, ganha mais ruído do que esclarecimento.
Andreas entende seu lugar na história do Flamengo e reage com ressentimento ao ex-clube e torcida
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