A assembleia da Libra realizada na sede do Flamengo, na Gávea, no Rio de Janeiro, nesta quarta (18), marcou uma reaproximação significativa entre dirigentes que, até poucos dias antes, protagonizavam uma disputa aberta por influência e dinheiro no futebol nacional. Convocado pelo próprio clube carioca, ao lado de Grêmio e Remo, o encontro reuniu representantes dos 15 associados, presencialmente ou por videoconferência, e terminou com sinalizações concretas de pacificação institucional.
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O ambiente inicial foi marcado por tensão e trocas duras entre dirigentes rubro-negros e integrantes da gestão vigente da entidade. O pano de fundo era a disputa em curso numa corte arbitral sobre a divisão da fatia de audiência do contrato de direitos de transmissão firmado com o Grupo Globo. Com valores bloqueados por iniciativa do Flamengo, o impasse vinha paralisando decisões estratégicas e alimentando rumores de esvaziamento político da associação.
Trégua construída na prática e poder redistribuído
À medida que a reunião avançou, o tom das conversas foi sendo suavizado. Um dos momentos mais simbólicos ocorreu no diálogo direto entre o presidente flamenguista, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e representantes da diretoria da liga. Interlocutores presentes relatam que ambos os lados reconheceram a necessidade de concessões para evitar o colapso do projeto coletivo.
O resultado mais visível desse movimento foi a eleição de um novo conselho gestor. A composição dividida entre Bap e o presidente do Bahia, Raul Aguirre, simboliza a tentativa de equilibrar forças dentro da entidade. Antes, os cargos eram ocupados por Aguirre e Julio Casares, cujos mandatos haviam expirado, ampliando o vácuo administrativo.
Dinheiro, divisões e concessões
Outro ponto relevante foi a aprovação da destinação de 3% do contrato da Libra a clubes que não disputam a Série A, incluindo equipes da Série C como Paysandu e Volta Redonda. A medida havia sido defendida previamente por um grupo liderado pelo Palmeiras, pelo Bahia e pelo Red Bull Bragantino, que chegou a cogitar boicote ao encontro.
A assembleia também encaminhou a criação de uma nova estrutura técnica para calcular a distribuição futura das receitas televisivas. A proposta surge após críticas recorrentes sobre a ausência de critérios transparentes no rateio, problema que ajudou a desencadear a disputa judicial.
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Negociação pode redefinir o futuro da liga
Mais significativo que as deliberações formais foi o compromisso firmado entre Flamengo e os demais associados para retomar negociações diretas sobre a divisão dos direitos por audiência. A intenção é promover, em breve, uma reunião exclusiva entre presidentes para buscar um acordo antes de uma decisão definitiva da arbitragem.
Nos bastidores, dirigentes avaliam que a pacificação interna pode abrir caminho para um movimento mais amplo: a retomada do diálogo com a Futebol Forte União, a FFU, e com a CBF visando a criação de uma liga nacional unificada para organizar o Campeonato Brasileiro.
Linha do tempo recente da crise
• 2025: disputa sobre divisão da audiência leva o Flamengo à arbitragem
• Últimas Semanas: grupo liderado por Palmeiras articula proposta paralela e ameaça esvaziar assembleia
• Reunião na Gávea: presença de todos os clubes e início tenso das discussões
• Desfecho: eleição de nova gestão compartilhada e retomada do diálogo institucional
A assembleia foi suspensa devido ao horário avançado e terá nova sessão em breve para deliberar sobre itens pendentes. Ainda assim, o encontro já alterou o clima político dentro da entidade, substituindo a retórica de confronto por uma estratégia pragmática de sobrevivência.
Ao final, os 15 clubes da Libra mandaram representantes on line ou presencial. O ambiente inicial foi mais tenso com discussão entre dirigentes do Flamengo e da gestão atual da Libra.
Mas, com o desenrolar da reunião, o tom das conversas foi amenizado inclusive com diálogo entre o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, e representantes da diretoria da Libra sobre a disputa em Corte Arbitral das partes.
Na pauta, foi eleito um novo conselho gestor que tem como diretores o próprio Bap e o presidente do Bahia, Raul Aguirre. Ou seja, com o poder dividido entre os dois grupos. Anteriormente, os cargos eram ocupados por Aguirre e Julio Casares, cujos mandatos tinham acabado.
Foi aprovada ainda a destinação de 3% do contrato da Libra para os clubes que não estão na Série A. São times que estão na Série C, como Paysandu, Volta Redonda. O Palmeiras tinha feito proposta neste sentido antes da reunião.
Ainda ficou acertado que será montada nova estrutura para calcular valores a serem distribuídos do contrato da Libra para os clubes.
Mais importante, Flamengo e Libra acertaram que farão uma nova reunião para tentar chegar a um acordo entre as partes sobre a divisão da fatia de audiência do contrato com a Globo. A intenção é que ocorra um encontro em breve entre presidentes para tentar chegar a um acordo, houve boa disposição entre as partes nesse sentido.
Veja a nota da Libra:
“Libra volta a ter aproximação interna entre os Clubes associados após boa Assembleia realizada no dia de hoje na sede do Clube de Regatas do Flamengo, no Rio de Janeiro. A reafirmação de unidade em torno da Associação, e o encaminhamento de assuntos importantes, além da reabertura de diálogo entre o Flamengo e os demais Clubes, apontam para um fortalecimento da entidade. A Assembleia foi suspensa em razão do horário tardio e será retomada em segunda sessão muito em breve para que os demais itens da pauta sejam deliberados. Não resta dúvida de que com o alinhamento interno os Clubes da Libra direcionam a conversa ao rápido avanço na formação de uma Liga Nacional em conjunto com a CBF e com a FFU”.
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