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Bap avalia relação do Flamengo com a CBF, reconhece avanços e aponta mudanças no futebol brasileiro

Flamengo tem papel decisivo nas novas regras da CBF e expõe hipocrisia da mídia sobre “omissão”

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, fez uma avaliação direta e, em alguns momentos, surpreendente sobre a relação do clube com a CBF, ao participar do MengoCast, na FlamengoTV. A fala surge em meio a um contexto de reorganização do futebol brasileiro, com discussões sobre liga, fair play financeiro, calendário e profissionalização da arbitragem ganhando força nos bastidores. Ao abordar o tema, o dirigente não apenas revisitou o histórico recente da entidade, como também reconheceu avanços que, segundo ele, não eram esperados no início da atual gestão.


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A declaração acontece em um momento de tensão institucional no futebol nacional, marcado por divergências entre blocos de clubes, contratos de mídia e interesses comerciais. Ainda assim, o tom adotado por Bap foi de ponderação. Mesmo lembrando que o Flamengo não apoiou a eleição do atual comando da CBF, ele destacou mudanças práticas implementadas em curto espaço de tempo, algo que, na visão do dirigente, não ocorria há anos.

Relação institucional: da desconfiança ao pragmatismo

O ponto de partida da análise é o passado recente. Bap deixa claro que o Flamengo não votou na atual gestão da CBF por falta de alinhamento prévio e ausência de diálogo sobre temas estruturais do futebol brasileiro. A decisão, segundo ele, não foi pessoal, mas baseada em critérios objetivos.

Apesar disso, o cenário mudou rapidamente. O dirigente afirma que houve uma quebra de expectativa positiva, com a entidade passando a demonstrar disposição para ouvir clubes e enfrentar temas historicamente negligenciados. A leitura é pragmática: independentemente de posicionamentos anteriores, o que importa é a capacidade de entrega no presente.

Há, inclusive, uma crítica indireta ao período anterior. Para Bap, o futebol brasileiro passou cerca de uma década sem decisões relevantes, acumulando atrasos que impactaram competitividade e organização. A consequência, segundo ele, foi a perda de protagonismo internacional.

Reformas estruturais e mudança de postura

Entre os avanços apontados, o presidente destaca a reorganização do calendário. A redução de datas estaduais, a tentativa de encaixar competições nacionais e internacionais com menor conflito e a diminuição de distorções entre rodadas são vistas como medidas concretas.

O dirigente chama atenção para um ponto pouco percebido pelo torcedor: a previsibilidade. Em temporadas anteriores, clubes chegavam às rodadas finais com números diferentes de jogos disputados, o que comprometia a integridade esportiva. A correção desse problema, embora técnica, representa um salto organizacional.

Outro eixo citado é o enfrentamento de temas sensíveis, como a relação com a Conmebol e a necessidade de maior autonomia na construção do calendário. A leitura é de que a CBF passou a atuar com mais firmeza, deixando de apenas se adaptar às imposições externas.

Arbitragem: profissionalização e redução de erros

Um dos trechos mais detalhados da fala de Bap envolve a arbitragem. O mandatário afirma que houve melhora perceptível na qualidade dos árbitros, resultado de um processo de profissionalização e renovação.

Ele destaca que os erros não desapareceram, mas se tornaram menos frequentes e mais complexos. Na prática, isso indica evolução técnica. Lances que hoje geram debate são, muitas vezes, situações interpretativas de alto grau de dificuldade, e não falhas evidentes.

O Flamengo, segundo o presidente, acompanha esse cenário de forma minuciosa. O clube realiza análise de desempenho de árbitros, observando padrões de atuação em diferentes contextos, como jogos em casa ou fora. Essa prática reforça o nível de profissionalização interna e a preocupação com detalhes que influenciam diretamente o resultado esportivo.

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Fair play financeiro e padronização do futebol

Outro ponto relevante é a introdução de discussões sobre fair play financeiro. Tema antigo no discurso de clubes como o Flamengo, a proposta ganha força dentro da CBF como mecanismo de equilíbrio competitivo.

Bap reconhece que a implementação não será imediata nem uniforme. Cada clube terá um ponto de partida diferente, o que exige um período de transição. Ainda assim, a simples abertura do debate já representa avanço em relação ao passado recente.

A padronização de gramados também entra na pauta. A ideia de estabelecer critérios mínimos para campos de jogo é tratada como essencial para a qualidade do espetáculo. Segundo o dirigente, há expectativa de avanços concretos nesse sentido a partir de 2027.

Flamengo no centro das narrativas

Ao comentar a percepção de que o Flamengo costuma ser alvo de críticas ou suspeitas em decisões de arbitragem, Bap adota um tom mais leve, mas não ignora o tema. Ele sugere que muitas reações são fruto do comportamento de torcedores e dirigentes que, em determinados momentos, deixam a racionalidade de lado.

A análise aponta para um fenômeno recorrente no futebol brasileiro: a amplificação de episódios isolados. Um erro pontual ganha proporção nacional quando envolve o Flamengo, enquanto situações contrárias ao clube nem sempre recebem a mesma atenção.

Ainda assim, o presidente não vê um cenário institucional de perseguição. Para ele, há um amadurecimento gradual entre dirigentes, com diferenças sendo mais intensas no discurso público do que nas relações de bastidor.

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Um novo ambiente de diálogo

O pano de fundo da fala de Bap é a tentativa de construção de um ambiente mais colaborativo no futebol brasileiro. A aproximação entre clubes e CBF, ainda que marcada por divergências, indica uma mudança de postura.

A criação de grupos de trabalho, a discussão sobre liga e a busca por soluções conjuntas apontam para um cenário em que decisões estruturais deixam de ser adiadas. O dirigente reconhece que há muito a ser feito, mas avalia o início do processo como promissor.

No fim, o que se desenha é um futebol brasileiro em transição. Entre críticas ao passado e expectativas para o futuro, o Flamengo se posiciona como protagonista de um movimento que busca reorganizar as bases do jogo no país.

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