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Bap explica por que Flamengo adia construção do estádio e condiciona projeto ao cenário econômico

União cobra R$ 426 milhões da Prefeitura e terreno do estádio do Flamengo no Gasômetro pode ser retomado

Imagem: Divulgação/Flamengo

A construção do estádio próprio do Flamengo voltou ao centro do debate após declaração de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, durante participação no MengoCast, da FlamengoTV. Em uma fala direta, sem atalhos retóricos, o presidente deixou claro que o clube terá sua arena, mas não a qualquer custo. O ponto central não é a viabilidade do projeto, e sim o momento econômico adequado para tirá-lo do papel.


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A discussão surge em meio a expectativas crescentes da torcida e a um cenário de estabilidade administrativa no clube. Com contas organizadas e receitas em alta, o Flamengo aparece, à primeira vista, como candidato natural a investir em infraestrutura própria. Ainda assim, o dirigente traça um limite claro entre capacidade de arrecadação e responsabilidade financeira.

O estádio vai sair, mas não agora

Bap estabelece uma analogia que resume o pensamento atual da gestão. Assim como a FlamengoTV tende a evoluir até, no futuro, transmitir jogos, o estádio é tratado como um caminho inevitável, porém condicionado ao tempo.

A resposta é simples na forma, mas complexa no conteúdo: o Flamengo terá um estádio. A questão é quando.

Esse “quando” está diretamente ligado a fatores externos, sobretudo ao custo do dinheiro no Brasil. Em um ambiente de juros elevados, qualquer investimento de grande porte se torna mais oneroso e arriscado.

O peso dos juros e o risco esportivo

O presidente ilustra o problema com números objetivos. Um estádio de cerca de R$ 3 bilhões, financiado com juros na casa de 15% ao ano, geraria aproximadamente R$ 450 milhões anuais apenas em encargos financeiros.

Na prática, isso representaria o equivalente a dois jogadores do nível de Lucas Paquetá por temporada, apenas para pagar juros, sem reduzir o principal da dívida.

A consequência direta seria um impacto no desempenho esportivo. Para Bap, assumir esse tipo de compromisso hoje significaria comprometer a competitividade do time. A definição é forte: seria um “suicídio esportivo”.

Essa leitura reforça a prioridade da atual gestão, que opta por preservar a capacidade de investimento no futebol em vez de direcionar recursos para uma obra de longo prazo em condições desfavoráveis.

A conta que nem sempre aparece

Um dos pontos mais relevantes da fala está na distinção entre faturamento e lucro. O Flamengo movimenta cifras bilionárias, mas isso não significa disponibilidade imediata de caixa.

Segundo Bap, o clube registrou cerca de R$ 365 milhões de resultado positivo no último ano. Um valor significativo no contexto nacional, mas insuficiente para sustentar um projeto de estádio nas condições atuais.

Essa diferença entre percepção e realidade financeira costuma gerar ruído no debate público. Para parte da torcida, o alto faturamento sugere margem para grandes investimentos. Na prática, a equação envolve compromissos operacionais, folha salarial, impostos e manutenção da estrutura.

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Gestão responsável como princípio

Ao longo da entrevista, o presidente reforça um ponto que considera inegociável: o Flamengo não abre mão de cumprir suas obrigações. O clube não possui dívidas atrasadas, não posterga impostos e mantém salários em dia.

Esse modelo contrasta com a prática comum no futebol brasileiro, onde atrasos e renegociações são recorrentes. Bap chega a afirmar que, se o Flamengo adotasse esse comportamento, poderia acelerar investimentos como o estádio ou ampliar contratações.

Mas a escolha é outra. A gestão entende que abrir mão desse padrão comprometeria não apenas a imagem institucional, mas a sustentabilidade de longo prazo.

Outro ponto abordado foi a situação do terreno do Gasômetro. Bap minimiza as preocupações recentes, classificando-as como questões já resolvidas anteriormente e agora reapresentadas no debate público.

Entre o desejo e o timing

O Flamengo convive há mais de um século sem estádio próprio. A ausência, segundo o presidente, não impediu o clube de crescer, mas limita o potencial de expansão.

A construção de uma arena própria é vista como passo natural para consolidar ainda mais a força da marca. No entanto, a gestão opta por não antecipar esse movimento sem condições ideais.

A lógica é pragmática. Ter recursos não significa que devam ser utilizados a qualquer custo. Assim como não faz sentido pagar um preço desproporcional por um produto, também não seria racional assumir um investimento em cenário desfavorável.

O futuro desenhado

A projeção é de que, com a redução das taxas de juros e a continuidade do crescimento financeiro do clube, o cenário mude nos próximos anos. Bap cita um horizonte de três a quatro anos como possível ponto de inflexão.

Até lá, o Flamengo seguirá operando com sua estrutura atual, mantendo competitividade esportiva e fortalecendo suas receitas. O estádio permanece como objetivo estratégico, mas não como urgência imediata.

No fim das contas, o discurso do presidente aponta para um equilíbrio delicado: crescer sem comprometer o presente. Construir sem colocar em risco aquilo que já foi consolidado.

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