Crítica de PVC ao gramado do Maracanã ignora chuva extrema e dados técnicos
Durante a análise do Fla-Flu disputado no Maracanã, um comentário específico acabou deslocando o debate do campo esportivo para uma crítica que não se sustentou nos fatos. Em duas intervenções distintas no programa exibido dia seguinte ao clássico, o jornalista Paulo Vinícius Coelho, o PVC, apontou supostas falhas estruturais no gramado do estádio, questionando drenagem, nota técnica e planejamento. A leitura, no entanto, desconsiderou o contexto climático extremo vivido no Rio de Janeiro naquela noite e ignorou dados básicos sobre o funcionamento do sistema do Maracanã.
O jogo, disputado sob chuva intensa, precisou ser paralisado por cerca de 40 minutos. Até ali, a principal dúvida era se a partida teria condições de prosseguir. Quando a bola voltou a rolar, no entanto, o jogo transcorreu normalmente. Houve concentração de água nas grandes áreas, algo visível, mas o campo permaneceu jogável, sem interferir de forma decisiva na dinâmica da partida.
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A chuva fora da curva
Naquele dia, o Rio de Janeiro registrou cerca de 35 milímetros de chuva em apenas 15 minutos. Trata-se de um volume muito acima do padrão para um intervalo tão curto. O detalhe, muitas vezes ignorado, é que a cidade já vinha de dias consecutivos de chuva. O solo, portanto, não estava seco. A camada inferior do gramado já se encontrava saturada, o que reduz drasticamente a capacidade imediata de absorção.
Mesmo assim, o sistema de drenagem do Maracanã funcionou. Funcionou dentro do que é tecnicamente possível diante de um evento climático anormal. A água não permaneceu acumulada de forma permanente. O processo natural de escoamento apenas levaria mais tempo. Para evitar uma paralisação ainda maior, equipes entraram em campo com rodos, procedimento comum em estádios do mundo inteiro em situações semelhantes. Foram, inclusive, aplaudidas pelo público presente.
Notas técnicas não são estado permanente
Outro ponto levantado foi a chamada “nota do gramado”. O Flamengo anunciou, de forma pública e transparente, que trabalha para elevar o padrão do campo do Maracanã, com metas progressivas até 2027 e 2028. Hoje, o gramado oscila em avaliações que variam entre 3 e 3,5 em uma escala de 1 a 5. Isso não significa que o campo seja permanentemente “nota 3”.
Essas notas são atribuídas em avaliações pontuais, geralmente feitas por entidades como a FIFA em períodos específicos, como antes de competições internacionais. Elas não representam um estado fixo. O gramado sofre influência constante de fatores naturais como chuva, calor e uso intenso. Não existe gramado de nível europeu que mantenha nota máxima o ano inteiro, especialmente em uma cidade com clima tropical e calendário esportivo pesado como o Rio.
O próprio Flamengo reconheceu publicamente que o campo não era ideal e anunciou investimentos para melhorar. Isso não é demérito. É transparência. O clube assumiu a necessidade de evolução antes mesmo de cobrar qualquer padronização nacional, quando contribuiu para o debate sobre uniformização dos gramados junto à CBF.
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Drenagem não falhou
A afirmação de que o Maracanã “não tem drenagem” não encontra respaldo técnico. O sistema do estádio é considerado um dos melhores do país. O que houve foi um evento climático extremo, com acúmulo de água acima da capacidade imediata de absorção do solo. Isso é diferente de falha estrutural.
Após a retomada da partida, a bola rolou normalmente. Não houve novo adiamento, tampouco prejuízo esportivo relevante. O gramado não virou pauta nacional, não gerou reclamações formais de jogadores ou comissão técnica. A discussão ficou restrita àquela análise específica de PVC.
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Um trabalho contínuo
O Maracanã será uma das sedes da Copa do Mundo Feminina em 2027, o que submete o gramado a inspeções frequentes da FIFA. O Flamengo, gestor do estádio, vem investindo em tecnologia de ponta para acelerar a recuperação do campo e melhorar sua qualidade geral. Recentemente, o clube adquiriu equipamentos de última geração para manutenção e monitoramento do gramado.
Hoje, janeiro de 2026, o campo do Maracanã está entre os melhores do Brasil. Pode não ser referência absoluta como o gramado da Neo Química Arena, mas figura no grupo de elite do país. A evolução é contínua e documentada.
Crítica sem base
Questionar é legítimo. Ignorar dados, contexto climático e funcionamento técnico não é. A crítica feita ao gramado do Maracanã naquele Fla-Flu soou gratuita porque não dialogou com os fatos. Choveu muito, acima do normal, em um curto espaço de tempo. A drenagem funcionou. O jogo aconteceu. O campo respondeu.
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