Debatedor vascaíno relativiza racismo contra o Flamengo e contraria posição oficial do clube

Debatedor vascaíno relativiza racismo contra o Flamengo e contraria posição oficial do clube
Imagem: Reprodução/Estúdios Vibe

A discussão sobre racismo no futebol voltou ao centro do debate após declarações de um debatedor vascaíno que relativizou termos historicamente usados contra o Flamengo, tratando-os como simples provocação de arquibancada. O episódio ocorreu durante uma embate com flamenguistas, enquanto se analisavam temas paralelos ao clássico, mas rapidamente ganhou outro peso ao escancarar um problema antigo: a dificuldade de parte do meio esportivo em reconhecer práticas racistas quando elas vêm travestidas de “rivalidade”.


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O ponto de partida foi a tentativa de minimizar expressões como “mulambo”, frequentemente entoadas por setores da torcida do Vasco contra flamenguistas. Ao ser questionado sobre o caráter racista do termo, o debatedor optou por um discurso evasivo, sugerindo desconhecimento histórico da torcida e tratando o episódio como algo menor, quase folclórico. A fala, no entanto, entra em choque direto com o que o próprio Vasco vem discutindo internamente nos últimos anos.

Em novembro do ano passado, o Flamengo promoveu encontros e debates com seu departamento de Responsabilidade Social e representantes de outros clubes justamente para enfrentar esse tipo de problema. Em uma dessas ocasiões, o historiador do Vasco Walmer Perez foi categórico ao afirmar que expressões como “mulambo” e outras associadas à favela e à pobreza carregam um peso racial inegável. Segundo ele, combater o racismo passa necessariamente pelo letramento racial de torcedores, dirigentes e funcionários, reconhecendo que nem toda ofensa nasce da ignorância, mas que a ignorância também produz violência.

O contraste entre esse posicionamento institucional e a fala do debatedor chama atenção. Enquanto o clube admite a necessidade de correção, estudo e conscientização, a relativização pública reforça a normalização do problema. Não se trata de revisão histórica oportunista nem de patrulhamento moral tardio. Trata-se de compreender que o futebol, como espaço social, reproduz estruturas da sociedade brasileira, inclusive o racismo.

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A tentativa de reduzir o debate à rivalidade esbarra em outro ponto sensível. O futebol já conviveu, por décadas, com cantos homofóbicos, machistas e racistas que hoje são amplamente reconhecidos como inadequados. Muitos torcedores, inclusive, admitem ter repetido esses cânticos sem reflexão no passado e optaram por abandoná-los ao compreender seu significado. Isso não apaga a história, mas aponta um caminho de amadurecimento.

Relativizar o racismo não o torna menor. Pelo contrário: contribui para sua permanência. Quando um debatedor escolhe minimizar o problema, mesmo diante de dados históricos e posicionamentos oficiais do próprio clube que defende, ele ajuda a deslocar o debate do campo educativo para o da negação.

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O episódio também evidencia como o Flamengo costuma ser colocado no centro dessas discussões, não como vítima de práticas discriminatórias, mas como objeto de disputa simbólica. A vilanização recorrente do clube, muitas vezes, serve para justificar excessos que não seriam tolerados em outros contextos.

Combater o racismo no futebol não é escolher lados entre clubes. É reconhecer fatos, ouvir a história e entender que certas palavras não são neutras. Quando até o historiador do clube aponta o problema, insistir na relativização deixa de ser ignorância e passa a ser escolha.

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