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Detonou! Trajano critica Abel e Leila e aponta estratégia do Palmeiras na guerra de narrativas

Detonou! Trajano critica Abel e Leila e aponta estratégia do Palmeiras na guerra de narrativas

A atuação da arbitragem na vitória do Palmeiras sobre o Vitória, marcada por duas expulsões ainda no primeiro tempo e pela permanência de Maurício em campo após atingir o rosto de Cacá, ultrapassou os limites da discussão técnica e voltou a colocar Abel Ferreira e Leila Pereira no centro de uma disputa política. Ao analisar o episódio, Trajano rejeitou a tese de perseguição apresentada pelos dirigentes palmeirenses, apontou a existência de “dois pesos e duas medidas” e cobrou do treinador a mesma veemência demonstrada quando as decisões prejudicam sua equipe.


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A crítica ganha relevância porque não se concentra apenas em um erro isolado. O jornalista relaciona o comportamento público de Abel e Leila a um método baseado na construção permanente de uma posição de vítima. Quando o Palmeiras considera ter sido prejudicado, surgem reclamações, entrevistas e notas oficiais. Nos episódios favoráveis, aparecem explicações sobre jogadas “no limite”, defesas da interpretação adotada em campo e ataques a quem levanta questionamentos.

Não há elementos para afirmar que essa pressão produza favorecimento deliberado ou que exista qualquer estrutura montada para beneficiar o clube paulista. O que pode ser analisado é a maneira como o Palmeiras ocupa o debate público, seleciona exemplos, organiza sua comunicação e tenta impedir que decisões favoráveis sejam tratadas com o mesmo rigor aplicado aos erros contrários.

A partida que acabou antes do intervalo

Trajano chamou atenção para o contexto esportivo do confronto. Antes das expulsões, o Vitória competia em igualdade, participava de uma partida truncada e não parecia destinado a sofrer uma goleada. O cenário mudou quando a equipe baiana ficou com nove jogadores, tornando praticamente impossível sustentar a disputa contra um adversário que já possui maior capacidade técnica.

A análise não pretende apagar os méritos do Palmeiras nem afirmar que todas as punições foram equivocadas. O ponto está na falta de uniformidade. De um lado, o VAR interveio para recomendar expulsões de atletas do Vitória; de outro, Maurício recebeu apenas amarelo após acertar o rosto de Cacá, que precisou levar cinco pontos.

Foi nesse contexto que Trajano utilizou a expressão “dois pesos, duas medidas”. A crítica se dirige menos à existência de interpretações diferentes e mais à assimetria produzida durante a mesma partida. Quando jogadas semelhantes recebem respostas disciplinares distintas, a arbitragem precisa explicar os elementos técnicos que justificaram cada decisão.

A goleada por 4 a 0 passou a ser apresentada como resultado natural da superioridade palmeirense, embora o jogo tenha sido completamente transformado pelas expulsões. Isso não significa que o placar deva ser invalidado, mas impede uma leitura que ignore as condições em que a vantagem foi construída.

Abel reclama, mas evita reconhecer benefícios

Trajano também cobrou de Abel Ferreira uma postura que raramente aparece quando o Palmeiras é favorecido por uma decisão discutível. O treinador costuma ser enfático ao apontar erros contrários, questiona critérios, recupera episódios anteriores e utiliza entrevistas para sustentar a ideia de que sua equipe enfrenta tratamento desigual.

Quando o movimento ocorre na direção oposta, o discurso muda. No caso de Maurício, Abel recorreu ao argumento de que a jogada estava “no limite”, expressão semelhante à utilizada por comentaristas que também relativizaram a possibilidade de expulsão. A certeza aplicada aos erros contra o Palmeiras dá lugar à prudência quando o beneficiado veste verde.

Reconhecer uma decisão favorável não diminuiria o treinador nem retiraria os méritos de sua equipe. Pelo contrário, demonstraria coerência e fortaleceria as cobranças futuras. O problema é exigir autocrítica das instituições enquanto o próprio clube não admite situações em que a interpretação poderia ter sido diferente.

Trajano resumiu essa contradição ao afirmar que Abel reclama com frequência, mas não demonstra a mesma disposição para reconhecer quando sua equipe é beneficiada. A cobrança é legítima porque não exige que o português concorde com todas as análises externas, apenas que adote um padrão minimamente equilibrado.

Leila e a construção da perseguição

A presidente Leila Pereira também foi criticada pela reação ao debate. Segundo Trajano, ninguém criou artificialmente um problema contra o Palmeiras. A polêmica nasceu das decisões tomadas em campo e pelo VAR, ganhou força com as imagens e foi ampliada pelas respostas dos próprios representantes do clube.

Ao afirmar que sempre existe uma tentativa de atacar o Palmeiras, Leila desloca a conversa. Em vez de responder à cotovelada de Maurício, às expulsões do Vitória e à diferença de critérios, a dirigente transforma a discussão em mais um capítulo da narrativa de perseguição institucional.

Essa estratégia não começou naquele jogo. O clube já publicou comunicados para reclamar da arbitragem, defender decisões favoráveis e contestar o STJD. Quando Maurício foi denunciado, uma nova nota apresentou o Palmeiras como vítima de falta de isonomia, utilizando lances de jogadores de Flamengo e Corinthians como comparação.

O Flamengo, citado no texto palmeirense, respondeu com estatísticas sobre intervenções do VAR e mencionou nominalmente o rival. Leila reclamou da entrada rubro-negra no assunto, embora sua própria instituição tivesse incluído outros clubes na manifestação original. A contradição é simples: o Palmeiras considera legítimo convocar adversários para sustentar sua defesa, mas classifica como intromissão a resposta construída pelos mesmos meios.

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Uma estratégia admitida internamente

A discussão ganhou outra dimensão quando foi revelada a existência de um diagnóstico interno segundo o qual o Palmeiras teria perdido parte da temporada de 2025 também fora de campo. A informação indica que Leila, Abel, Anderson Barros e outros integrantes do departamento compreenderam que o clube precisava disputar com maior intensidade a chamada guerra das narrativas.

Essa conclusão ajuda a explicar o aumento das notas, entrevistas, reclamações e mobilizações nas redes sociais. Não se trata apenas de reações espontâneas a cada episódio, mas de uma atuação coordenada para influenciar o ambiente em que árbitros, dirigentes, jornalistas e torcedores interpretam as decisões.

Construir uma estratégia de comunicação não constitui irregularidade. Clubes defendem interesses, respondem a críticas e tentam proteger suas marcas. A questão está no limite entre oferecer uma versão dos fatos e criar um estado permanente de pressão, no qual qualquer erro contrário representa perseguição, enquanto as decisões favoráveis são tratadas como aplicação correta da regra.

O Palmeiras também teria entendido que o Flamengo entrou com maior força nesse campo durante a temporada anterior. A partir daí, intensificou sua presença pública e passou a estimular a militância digital. O comportamento dos perfis ligados ao clube, a convocação feita por Abel e a repetição de determinados termos mostram uma comunicação organizada em torno da ideia de “nós contra eles”.

O Flamengo entrou no mesmo jogo

A crítica ao Palmeiras não pode ignorar que o Flamengo também passou a responder com comunicados e estatísticas. O clube carioca deixou uma postura predominantemente defensiva e começou a contestar narrativas que, durante anos, foram utilizadas para associá-lo automaticamente a benefícios de arbitragem.

Essa mudança pode ser compreendida, sobretudo quando o Rubro-Negro é citado diretamente. Permanecer em silêncio permite que versões repetidas ganhem aparência de verdade, mesmo quando não apresentam dados ou contexto. Responder, portanto, é uma forma legítima de defesa institucional.

O risco aparece quando a reação reproduz o método criticado. Estatísticas sobre alterações do VAR, por exemplo, mostram quantas decisões foram modificadas a favor ou contra cada clube, mas não provam que as conclusões finais estavam erradas. Para sustentar favorecimento, seria necessário examinar os episódios individualmente.

Ao entrar na guerra de narrativas, o Flamengo precisa evitar que a defesa se transforme em acusação sem provas. A resposta mais sólida é aquela que cobra transparência, áudios, critérios uniformes e punição para o cerco aos árbitros, sem apresentar números incompletos como demonstração de um esquema.

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A crítica não é perseguição

A fala de Trajano desmonta o argumento de que todo questionamento ao Palmeiras representa uma tentativa de desestabilizar o clube. Houve decisões discutíveis, uma partida esportivamente alterada pelas expulsões e uma reação pública que tentou retirar a arbitragem do centro da análise para colocar o próprio Palmeiras na posição de perseguido.

Abel e Leila possuem direito de defender a instituição, contestar julgamentos e apresentar suas versões. O que não podem exigir é que jornalistas, rivais e torcedores aceitem suas falas sem confronto, especialmente quando o discurso utilizado nos erros contrários desaparece diante de benefícios evidentes ou, no mínimo, controversos.

A credibilidade não depende de reconhecer culpa em cada rodada, mas de aplicar o mesmo critério quando a direção da decisão muda. Quem constrói sua autoridade denunciando injustiças precisa demonstrar disposição para admitir vantagens ocasionais, porque a seletividade transforma uma cobrança legítima em ferramenta de pressão.

O Palmeiras não é perseguido por ser questionado, assim como o Flamengo não está imune às críticas por responder. O problema central permanece na arbitragem incapaz de sustentar padrões claros e nos clubes que exploram essa fragilidade para vencer também fora de campo. Enquanto a discussão for conduzida como uma batalha de versões, o jogo continuará perdendo espaço para notas, discursos e mobilizações calculadas.

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