Uma compilação de partidas do Palmeiras apitadas por Ramon Abatti Abel, entre 2021 e 2025, recolocou no centro do debate a falta de uniformidade nos critérios da arbitragem brasileira. O levantamento reúne possíveis pênaltis ignorados, infrações não revisadas pelo VAR, expulsões contestadas e penalidades consideradas duvidosas em confrontos contra Bahia, Atlético-GO, Flamengo, Vasco, Fortaleza, Botafogo, Corinthians e São Paulo. O material não comprova favorecimento deliberado, mas apresenta uma sequência suficientemente extensa para exigir explicações da Comissão de Arbitragem da CBF sobre a coerência adotada pelo árbitro em jogadas semelhantes.
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O ponto central não deveria ser transformar Ramon Abatti Abel em personagem de uma teoria conspiratória, nem usar cada erro para alimentar a guerra permanente entre torcidas. A discussão necessária é outra: por que lances parecidos recebem tratamentos tão diferentes no futebol brasileiro? Quando uma carga nas costas é considerada contato normal em uma partida e infração suficiente para pênalti em outra, o problema deixa de ser apenas uma interpretação individual. Passa a ser a incapacidade da arbitragem de oferecer um padrão compreensível para jogadores, treinadores, dirigentes, jornalistas e torcedores.
O dossiê foi divulgado pelo perfil “A Favor do Palmeiras” e repercutido nas redes. Na apresentação, há uma ressalva importante: o objetivo declarado não é atacar ou descredibilizar o profissional, mas organizar situações que provocaram questionamentos da imprensa esportiva, de comentaristas especializados e do público. Essa precaução é necessária porque analisar decisões controversas não equivale a acusar um árbitro de corrupção, parcialidade consciente ou manipulação de resultados. O que se pode cobrar, com base nas imagens, é critério.
A subjetividade que explica tudo e não esclarece nada
A arbitragem sempre terá uma parcela de subjetividade. Dois árbitros podem enxergar de maneiras diferentes a intensidade de um contato, a imprudência de uma entrada ou a interferência de um defensor sobre o atacante. O problema começa quando a subjetividade passa a funcionar como resposta automática para qualquer contradição.
No futebol brasileiro, quase toda decisão controversa termina protegida por uma frase conveniente: “foi interpretação do árbitro”. A expressão deveria explicar a leitura técnica de uma jogada, mas virou um escudo para impedir discussões mais profundas. Se tudo pode ser justificado como interpretação, nenhuma incoerência precisa ser reconhecida e nenhum padrão precisa ser apresentado.
A adoção do VAR deveria reduzir esse espaço de incerteza nos erros claros. Em vez disso, o vídeo ampliou outro problema: a falta de consistência na definição do que merece revisão. Há partidas em que o árbitro é chamado para observar um contato mínimo por vários ângulos. Em outras, uma carga evidente, uma entrada de sola ou uma disputa dentro da área não produz sequer recomendação de revisão.
O resultado é um sistema em que a tecnologia existe, mas a compreensão pública continua limitada. O torcedor não sabe por que determinado lance recebeu intervenção enquanto outro, aparentemente mais grave, foi mantido sem análise no monitor. A CBF divulga áudios em algumas ocasiões, apresenta justificativas pontuais e eventualmente afasta profissionais, porém não consegue construir uma linguagem uniforme que permita identificar o critério utilizado.
Bahia x Palmeiras abre a sequência em 2021
O primeiro caso apresentado ocorreu em 12 de outubro de 2021, no empate sem gols entre Bahia e Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro. O material aponta um lance para possível pênalti que não teria sido revisado. Mais importante do que concluir, anos depois e com imagens selecionadas, se a penalidade deveria ter sido marcada é perguntar por que uma jogada capaz de gerar dúvida relevante não provocou uma análise mais transparente.
A não marcação de um pênalti pode ser defensável. O que não pode permanecer obscuro é a ausência de uma explicação técnica. Houve contato insuficiente? O atacante valorizou? O defensor tocou primeiro na bola? O VAR analisou silenciosamente e concluiu que não existia erro claro? Sem acesso ao processo de decisão, o público fica apenas com o resultado final e a impressão de que o lance foi descartado.
Esse padrão se repete ao longo do levantamento. A controvérsia não nasce somente da decisão tomada no gramado, mas do silêncio que vem depois. Em uma competição que movimenta bilhões de reais, interfere em premiações, classificações internacionais e permanências na Série A, a arbitragem não pode funcionar como uma caixa-preta.
A expulsão contestada contra o Atlético-GO
Em junho de 2022, no triunfo do Palmeiras por 4 a 2 sobre o Atlético-GO, uma expulsão da equipe goiana entrou na relação de decisões questionadas. Cartões vermelhos têm impacto direto sobre a dinâmica de qualquer partida, especialmente quando uma equipe enfrenta um adversário tecnicamente superior.
Não é possível avaliar um lance disciplinar apenas pela imagem congelada. Intensidade, ponto de contato, velocidade, possibilidade de disputa da bola e risco à integridade física precisam ser considerados. O problema é que a arbitragem brasileira frequentemente aplica critérios diferentes até dentro da mesma rodada. Uma entrada é tratada como jogo brusco grave em determinado confronto, enquanto outra semelhante recebe amarelo ou sequer é punida em outro estádio.
Quando essa oscilação ocorre repetidamente em jogos do mesmo clube e com o mesmo árbitro, o questionamento torna-se inevitável. Isso não significa que todas as decisões tenham beneficiado intencionalmente o Palmeiras, mas indica que a CBF deveria avaliar o conjunto, e não apenas cada lance de forma isolada.
A carga sobre Everton Ribeiro em 2023
Um dos episódios mais fortes do material aconteceu no empate por 1 a 1 entre Palmeiras e Flamengo, em julho de 2023. Everton Ribeiro recebeu uma carga pelas costas dentro da área, mas a arbitragem não marcou pênalti, e o lance não resultou em revisão capaz de alterar a decisão de campo.
A jogada é representativa porque contatos pelas costas são marcados com frequência em outras regiões. No meio-campo, uma carga desse tipo geralmente interrompe a partida sem grande controvérsia. Dentro da área, porém, muitos árbitros elevam artificialmente o nível de contato necessário para assinalar a infração, como se a regra mudasse de acordo com a proximidade do gol.
Essa diferença de tratamento é um dos vícios mais antigos da arbitragem. A infração deveria ser avaliada pela ação do defensor, não pela consequência da marcação. Se houve empurrão, deslocamento ilegal ou uso indevido do corpo sem possibilidade de disputa da bola, a localização não deveria transformar falta em contato normal.
O lance de Everton Ribeiro também ajuda a explicar a insatisfação rubro-negra com o histórico. O questionamento não se limita a uma derrota ou a um resultado específico, mas à comparação com penalidades marcadas em contatos de intensidade semelhante ou até menor. Quando a mesma regra parece ganhar elasticidade dependendo da camisa, do estádio ou do momento do jogo, a credibilidade sofre.
Vasco e Fortaleza ampliam as dúvidas em 2024
Na vitória do Palmeiras por 2 a 0 sobre o Vasco, em julho de 2024, outro possível pênalti não revisado foi incluído no levantamento. Novamente, a discussão não precisa terminar em uma sentença definitiva sobre o lance. O ponto relevante é a recorrência de jogadas dentro da área que geram questionamentos e não produzem uma resposta pública convincente.
Em outubro do mesmo ano, no empate por 2 a 2 entre Palmeiras e Fortaleza, o dossiê reúne três decisões de grande impacto: dois pênaltis considerados duvidosos a favor da equipe paulista e a ausência de expulsão de Weverton após um episódio envolvendo Yago Pikachu. O conjunto torna essa partida uma das mais relevantes da compilação.
Uma penalidade discutível já seria suficiente para provocar debate. Duas no mesmo jogo, acompanhadas por uma possível punição disciplinar mais severa que não foi aplicada, aumentam a necessidade de análise. A crítica responsável não deve partir da conclusão de que o árbitro entrou em campo disposto a beneficiar alguém, mas da constatação de que suas escolhas produziram vantagens esportivas concretas e precisam ser tecnicamente sustentadas.
A arbitragem deveria ser capaz de mostrar por que os contatos foram suficientes para as penalidades e por que a conduta do goleiro não justificou expulsão. Sem essa prestação de contas, sobra a percepção de que a régua foi ajustada conforme os acontecimentos da partida.
Botafogo e Flamengo entram no levantamento de 2025
No empate entre Palmeiras e Botafogo, em março de 2025, aparece mais um possível pênalti não revisado. A repetição dessa expressão ao longo do dossiê é reveladora. O VAR não foi criado para substituir a arbitragem de campo em qualquer interpretação, mas a quantidade de lances importantes mantidos sem revisão visível levanta dúvidas sobre a forma como o protocolo é aplicado.
Em maio, na vitória do Flamengo por 2 a 0 sobre o Palmeiras, um lance envolvendo Varela e a delimitação da área foi apontado como penalidade duvidosa. A discussão, nesse caso, evidencia outro problema recorrente: a localização exata do contato. Em jogadas próximas à linha da grande área, o VAR deveria fornecer uma resposta objetiva, porque a posição pode ser verificada por imagem.
Quando nem mesmo questões predominantemente factuais produzem consenso, a tecnologia perde parte de sua razão de existir. A análise não deveria depender apenas do ângulo escolhido pela transmissão ou da impressão do árbitro no monitor. A CBF precisa ter ferramentas, linhas e protocolos capazes de estabelecer onde ocorreu o contato inicial e qual ação foi determinante.
Também é necessário evitar a incoerência clubística. O torcedor que defende uma penalidade favorável ao seu time e condena lance semelhante contra sua equipe não está procurando critério; está procurando vantagem. A arbitragem, no entanto, não pode funcionar de acordo com esse comportamento. Sua obrigação é adotar a mesma régua, independentemente de quem será beneficiado.
O pênalti no clássico contra o Corinthians
O empate por 1 a 1 entre Corinthians e Palmeiras, em agosto de 2025, acrescentou outro pênalti considerado duvidoso ao histórico. Clássicos aumentam a repercussão de qualquer decisão porque envolvem rivalidade, pressão e impacto emocional maior. Por isso, a preparação da equipe de arbitragem deveria ser ainda mais rigorosa.
Uma penalidade em clássico não vale mais do que em qualquer outra partida, mas produz efeito público muito superior. Quando a decisão não é sustentada por uma explicação clara, ela alimenta suspeitas que sobrevivem por anos. A CBF não consegue combater teorias conspiratórias apenas pedindo respeito aos árbitros. Precisa reduzir o espaço em que essas teorias crescem.
Transparência não significa que todos concordarão. Mesmo com áudio, vídeo e justificativa, parte das torcidas continuará contestando. A diferença é que haverá uma base técnica sobre a qual discutir. Hoje, muitas decisões chegam ao público acompanhadas apenas da autoridade de quem apitou, o que é insuficiente para um futebol profissionalizado.
São Paulo x Palmeiras concentra o maior número de controvérsias
A vitória do Palmeiras por 3 a 2 sobre o São Paulo, em outubro de 2025, aparece como o jogo mais carregado do levantamento. O material cita um possível cartão vermelho para Gustavo Gómez, outra entrada que poderia ter resultado em expulsão de um jogador palmeirense, um possível pênalti não revisado e uma possível falta no começo da jogada do primeiro gol.
Quatro decisões relevantes em uma mesma partida exigem análise muito além da reclamação de derrotado. O São Paulo abriu vantagem, sofreu a virada e deixou o campo cercado por questionamentos. Quando a arbitragem interfere, ou parece interferir, em momentos decisivos, o resultado deixa de ser discutido apenas pelo que os times produziram.
Uma das entradas exibidas no material também foi comparada a lances condenados por torcedores palmeirenses em outros campeonatos, incluindo uma jogada envolvendo Erick Pulgar na final da Libertadores do mesmo ano. A comparação não serve para provar que todos os casos são idênticos, porque nenhuma jogada é totalmente igual à outra. Ela serve para revelar como o discurso sobre arbitragem muda conforme o interesse.
Se uma entrada com sola, intensidade elevada ou risco físico merece expulsão quando cometida por um adversário, o mesmo princípio deveria valer quando o infrator veste a camisa do clube defendido pelo torcedor. A coerência não pode ser exigida apenas da arbitragem; imprensa, dirigentes e público também precisam abandonar a análise seletiva.
O problema não é um erro, mas a ausência de padrão
Cada lance do dossiê pode ser discutido separadamente. Em alguns, haverá bons argumentos para defender a decisão de Ramon Abatti Abel. Em outros, a falha parecerá mais evidente. A força do levantamento, porém, está no conjunto.
Quando se observam partidas entre 2021 e 2025, com decisões de natureza semelhante e efeito frequente sobre o mesmo clube, surge uma questão legítima sobre critério. A pergunta não precisa ser “Ramon favorece o Palmeiras?”. Essa formulação exige prova de intenção, algo que o vídeo não apresenta. A pergunta adequada é: as decisões tomadas por Ramon em jogos do Palmeiras são coerentes com o padrão aplicado por ele e pelos demais árbitros em situações semelhantes?
Essa resposta deveria vir da Comissão de Arbitragem. A CBF possui imagens, áudios, relatórios dos observadores, avaliações internas e registros de desempenho. Pode identificar se houve erro, divergência interpretativa ou aplicação correta do protocolo. Entretanto, a entidade quase nunca apresenta análises históricas de um árbitro com determinado clube, mesmo quando a recorrência se torna tema público.
A falta de resposta transforma o debate técnico em disputa de narrativas. De um lado, torcedores adversários enxergam favorecimento. Do outro, palmeirenses tratam qualquer questionamento como perseguição. Entre os dois extremos, desaparece a possibilidade de discutir a qualidade da arbitragem.
O VAR seletivo e a crise de credibilidade
O VAR deveria intervir apenas em erro claro e óbvio, mas essa definição continua nebulosa. Há contatos que produzem longas revisões mesmo quando a decisão de campo é defensável. Em outros, a equipe de vídeo conclui rapidamente que não há motivo para chamar o árbitro, apesar de imagens capazes de sustentar interpretação oposta.
Essa seletividade talvez seja mais prejudicial do que um erro comum. O torcedor aceita que o árbitro, em velocidade real, possa não enxergar determinado toque. É mais difícil compreender por que uma cabine com vários profissionais, diferentes ângulos e possibilidade de repetição não consegue estabelecer um padrão.
O problema aumenta quando árbitros renomados recebem tratamento diferente de profissionais menos consolidados. Algumas decisões parecem preservadas para evitar exposição do juiz de campo, como se o chamado ao monitor fosse uma desautorização. Em um sistema maduro, a revisão deveria ser compreendida como trabalho coletivo, não como constrangimento hierárquico.
Ramon Abatti Abel é árbitro experiente e frequentemente escalado para partidas de grande repercussão. Justamente por isso, seu desempenho precisa suportar escrutínio público. Questionar uma sequência de decisões não é desrespeitar o profissional. É reconhecer que a importância de sua função exige transparência proporcional.
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O silêncio da CBF alimenta o pior debate
A CBF costuma responder às crises de arbitragem de maneira reativa. Quando um erro ganha repercussão nacional, divulga o áudio do VAR, admite uma falha ou afasta temporariamente os envolvidos. Poucos dias depois, o tema desaparece sem que o campeonato saiba quais mudanças foram adotadas.
Não existe uma apresentação periódica de dados sobre decisões corrigidas, intervenções equivocadas, árbitros com melhor desempenho ou critérios disciplinares. Os clubes não conhecem claramente as consequências de erros graves, e o público depende de vazamentos ou reportagens para descobrir avaliações internas.
Esse modelo protege momentaneamente a arbitragem, mas destrói sua credibilidade no longo prazo. Quanto menos a entidade explica, mais espaço deixa para suspeitas. Quando surge um dossiê como o de Ramon Abatti Abel, a CBF deveria responder com análise, não com silêncio.
A entidade poderia revisar os nove jogos, publicar os áudios disponíveis, classificar cada decisão e reconhecer eventuais inconsistências. Isso não apagaria os resultados, mas mostraria que existe controle de qualidade. A ausência de resposta passa a mensagem oposta: a arbitragem toma decisões, influencia campeonatos e não deve explicações.
Um debate que precisa escapar do clubismo
O Palmeiras não pode ser condenado por decisões tomadas por árbitros. O clube joga, compete e busca aproveitar as oportunidades que surgem. Se uma penalidade é marcada a seu favor, cabe ao adversário e às instituições questionarem o lance. Não há responsabilidade automática do beneficiado por um possível erro.
Da mesma forma, reunir decisões favoráveis ao Palmeiras não comprova a existência de esquema, orientação institucional ou ação consciente do árbitro. Qualquer acusação dessa natureza exigiria evidências que não aparecem no material. O dossiê é relevante por organizar controvérsias, não por oferecer prova de corrupção.
Essa distinção é essencial para manter a crítica no campo jornalístico. O futebol brasileiro já sofre com acusações irresponsáveis, vídeos editados e narrativas construídas para engajamento. A resposta não pode ser ignorar lances polêmicos, mas analisá-los com rigor, contexto e linguagem adequada.
O levantamento permite cobrar coerência sem inventar crime. Permite discutir Ramon Abatti Abel sem atacar sua honra. Permite questionar decisões favoráveis ao Palmeiras sem responsabilizar o clube por apitar as próprias partidas. E, acima de tudo, permite mostrar que o maior problema está em um sistema incapaz de apresentar um padrão confiável.
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A arbitragem precisa ser previsível
O torcedor não exige que o árbitro seja infalível. Exige que saiba qual regra está sendo aplicada. Jogadores precisam entender até onde podem usar o corpo. Zagueiros devem saber o que será considerado carga legal. Goleiros precisam conhecer o limite de suas ações, e atacantes não podem entrar na área sem saber se o mesmo contato será ignorado ou punido conforme o jogo.
Previsibilidade não significa rigidez absoluta. O futebol é dinâmico, e cada lance tem particularidades. Significa, porém, que situações comparáveis devem produzir decisões comparáveis. Quando isso não acontece, a competição perde segurança.
O dossiê sobre Ramon Abatti Abel não encerra o debate, mas impede que a discussão seja tratada como reclamação isolada. Há uma sequência de partidas, datas, adversários e decisões que merece avaliação. Algumas poderão ser tecnicamente justificadas, enquanto outras talvez revelem erros importantes. O que não é aceitável é que todas sejam empurradas para o mesmo lugar genérico da subjetividade.
O futebol brasileiro precisa parar de usar interpretação como desculpa para a incoerência. Se a arbitragem deseja respeito, deve oferecer critérios reconhecíveis. Se a CBF quer combater suspeitas, precisa abrir seus processos. Enquanto a mesma jogada continuar sendo falta em um estádio, contato normal em outro e revisão seletiva diante de determinadas camisas, novos dossiês continuarão surgindo, porque o problema não está apenas em quem reclama, mas em um sistema que nunca consegue explicar por que decide de maneiras tão diferentes.
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