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Fala de Leila Pereira em escândalo da Crefisa expõe contradições de quem é cogitada para comandar CBF

Fala de Leila Pereira em escândalo da Crefisa expõe contradições de quem é cogitada para comandar CBF

Imagem: Reprodução/Youtube

A crise envolvendo a Crefisa e o Instituto Nacional do Seguro Social recolocou no centro do debate público uma personagem que, nos últimos anos, passou a ser tratada por parte da imprensa esportiva como símbolo de modernidade na gestão do futebol brasileiro. A revelação feita pelo presidente do INSS, Gilberto Waller, em entrevista ao SBT News, expôs um embate direto com Leila Pereira, controladora da instituição financeira e presidente do Palmeiras, em torno da oferta de crédito consignado a aposentados e pensionistas.


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O episódio ganhou contornos mais graves porque não se trata de uma discussão abstrata sobre mercado ou concorrência, mas de uma política pública voltada à proteção de um dos grupos mais vulneráveis do país. Em agosto de 2025, o INSS suspendeu contratos com instituições financeiras, entre elas a Crefisa, após identificar práticas consideradas irregulares na concessão de crédito. A medida buscou conter o avanço do superendividamento, problema que atingia aposentados de baixa renda, muitos deles com ganhos limitados a um salário mínimo.

Segundo Waller, a Crefisa, vencedora de parte do leilão para operar consignados, adotava como prática a oferta de empréstimos pessoais com taxas significativamente mais altas, mesmo quando o consignado, com juros menores, seria mais vantajoso ao segurado. Em vez de taxas próximas a 1,8% ao mês, aposentados eram direcionados a contratos com juros em torno de 5%, sem que fossem devidamente informados sobre a alternativa mais barata.

O ponto de inflexão do caso veio com a descrição do diálogo entre o presidente do INSS e a dirigente da instituição financeira. Ao ser confrontada sobre a necessidade de proteger aposentados e pensionistas, Leila Pereira teria afirmado que não comandava uma “casa de caridade” e que vendia o crédito mais rentável para sua empresa. A resposta foi imediata: segundo Waller, alguém com essa visão não poderia permanecer na mesa de negociação. A Crefisa, então, teve a suspensão mantida até que alterasse seus procedimentos.

A fala não ficou no campo da interpretação. Em entrevista, o próprio presidente do INSS confirmou o nome da instituição e vinculou diretamente a posição da empresa à sua controladora. Apesar de a Crefisa ter divulgado nota alegando surpresa e afirmando cumprir rigorosamente cláusulas contratuais e critérios legais, os fatos caminharam em outra direção. Já em janeiro de 2026, a instituição seguia suspensa, o que contradiz a narrativa de regularidade plena.

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O caso se insere em um contexto mais amplo de revisão do sistema de crédito consignado. Dados do próprio INSS indicam que, até o início de 2025, 87 instituições estavam autorizadas a operar nesse mercado. Após auditorias e investigações, esse número caiu para 54. Foram identificados empréstimos concedidos a pessoas falecidas, registros em nome de menores de idade e práticas de venda casada, com seguros que elevavam o custo final em até 40%.

Não se trata, portanto, de um episódio isolado, mas de um retrato de como a ausência de controle rigoroso permitiu abusos sistemáticos. A atual gestão do INSS passou a exigir biometria para contratação e reforçou o discurso de que não sentará à mesa com agentes considerados mal-intencionados, independentemente de seu peso econômico.

É nesse ponto que o debate ultrapassa a esfera financeira e invade o futebol. Leila Pereira não é apenas a dona da Crefisa. Ela ocupa a presidência de um dos clubes mais poderosos do país e, com frequência crescente, é apontada como possível nome para comandar a CBF ou liderar uma futura liga nacional. A contradição entre o discurso público de boa gestão e práticas empresariais questionadas por órgãos reguladores levanta dúvidas legítimas sobre o modelo que se pretende importar para o comando do esporte.

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A história recente do futebol brasileiro mostra que comportamentos adotados na esfera privada costumam se reproduzir, com ainda menos freios, quando transferidos para entidades esportivas. Não por acaso, dirigentes que normalizaram atrasos, renegociações eternas e manobras jurídicas em seus clubes contribuíram para o ambiente de desorganização que hoje se tenta corrigir com fair play financeiro e maior fiscalização.

Quando uma dirigente afirma, de forma direta, que não vê problema em priorizar o lucro mesmo diante da vulnerabilidade do consumidor, a pergunta deixa de ser retórica: essa lógica é compatível com a condução de uma confederação ou de uma liga que deveria zelar pelo equilíbrio, pela integridade e pela credibilidade do futebol brasileiro? O episódio da Crefisa não responde sozinho, mas oferece pistas incômodas demais para serem ignoradas.

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