Flamengo amplia Muros da Gávea e homenageia Henfil em projeto de arte urbana

O Flamengo avançou em mais uma etapa de um projeto que ultrapassa o futebol e se consolida como intervenção cultural na cidade do Rio de Janeiro. A continuidade dos “Muros da Gávea”, agora com novos painéis entregues na Rua Ministro Raul Machado, amplia não apenas a extensão física da iniciativa, mas também o alcance simbólico de um clube que historicamente dialoga com a cultura popular brasileira. A edição de 2026 ganha contornos ainda mais significativos ao incorporar uma homenagem direta ao cartunista Henfil, responsável por eternizar o urubu como símbolo rubro-negro.
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A expansão do projeto reforça a sede da Gávea como uma galeria a céu aberto. Com mais de 350 metros já ocupados por intervenções artísticas, o espaço passa a reunir diferentes leituras sobre o que significa ser Flamengo. A nova fase apresenta três eixos narrativos: Herança, Arquibancada e Traços de uma Nação, que organizam a proposta visual e ampliam o diálogo entre memória, identidade e pertencimento.
Henfil e o resgate de uma identidade cultural
O ponto central desta etapa está na homenagem a Henfil, nome que transcende o esporte e ocupa lugar relevante na história cultural do país. Foi ele quem ajudou a consolidar o urubu como mascote do Flamengo, transformando um símbolo inicialmente pejorativo em marca de orgulho e identidade.
A presença de Ivan Cosenza de Sousa, filho do artista, na construção do mural adiciona uma camada de significado que vai além da estética. Trata-se de um resgate consciente de memória. Ao trazer de volta traços que ficaram por décadas restritos a arquivos e lembranças, o projeto reconecta o clube com um de seus pilares simbólicos.
A fala de Ivan sintetiza esse movimento ao definir o mural como “um resgate da memória do urubu e da mística da torcida”, apontando para uma dimensão afetiva que dialoga diretamente com a base de torcedores.
A construção de uma narrativa urbana
A escolha dos temas desta etapa não é aleatória. Cada mural representa uma dimensão específica da experiência rubro-negra. Em “Herança”, o foco recai sobre a transmissão geracional, a ideia de que o Flamengo se constrói no tempo, passando de pais para filhos como um elemento quase familiar.
Já em “Arquibancada”, o protagonismo é da torcida. A arte traduz o coletivo, o canto, a pressão e a presença que transformam o estádio em extensão da identidade do clube. Não é apenas sobre assistir, mas sobre participar.
Por fim, “Traços de uma Nação” amplia o olhar para além do futebol. O Flamengo aparece como fenômeno cultural, com múltiplas interpretações e leituras possíveis, algo que se conecta diretamente com a linguagem artística escolhida.
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Os artistas e a diversidade de linguagens
A execução dos murais ficou a cargo de três artistas com trajetórias distintas, mas que convergem na relação com o espaço urbano.
Marcelo Jou, responsável pelo painel ligado à obra de Henfil, traz uma abordagem marcada por geometria e experimentação. Cofundador do coletivo Santa Crew, o artista já levou seus trabalhos a cidades como Paris e Abu Dhabi, e agora traduz essa bagagem em uma homenagem que mistura linguagem contemporânea com memória histórica.
Ian Salamente, autor de “Herança”, constrói sua obra a partir de referências urbanas e latino-americanas. Seu trabalho dialoga com afetos e territórios, elementos que aparecem de forma natural na representação do Flamengo como vínculo geracional.
Já Guga Liuzzi, à frente de “Arquibancada”, carrega mais de duas décadas de experiência na arte de rua. Sua produção equilibra expressão autoral e leitura coletiva, característica que se encaixa na proposta de representar a torcida como força central do clube.
Um projeto que ultrapassa o futebol
A continuidade dos Muros da Gávea evidencia uma estratégia que vai além da estética. Ao ocupar o espaço urbano com arte temática, o Flamengo reforça sua presença na cidade de forma permanente e acessível.
Os números ajudam a dimensionar o projeto. Até aqui, foram utilizados cerca de 150 litros de tinta acrílica e 55 latas de spray, em uma intervenção que já pode ser considerada uma das maiores do Rio de Janeiro com temática única.
Mais do que quantidade, o que se destaca é a coerência narrativa. Cada etapa amplia um percurso que transforma o entorno da sede em um espaço de visitação, convivência e reconhecimento.
Entre memória e futuro
O avanço do projeto ocorre em um momento em que clubes buscam novas formas de se conectar com seus públicos. No caso do Flamengo, a aposta passa pela valorização de sua própria história, reinterpretada por meio da arte urbana.
Ao trazer Henfil para o centro da narrativa, o clube não apenas presta homenagem, mas reafirma um elemento essencial de sua identidade. O urubu, hoje símbolo incontestável, ganha novamente contexto, origem e significado.
O resultado é um espaço que não se limita a contar histórias.
Ele convida a vivê-las.
Flamengo avança com os Muros da Gávea e transforma a sede em galeria a céu aberto.
A nova etapa traz três painéis inéditos e destaca a homenagem a Henfil, responsável por eternizar o urubu como símbolo rubro-negro.
Mais de 350 metros de arte contando a história, a torcida e a… pic.twitter.com/kv7yGHR30M
— Tulio Rodrigues (@PoetaTulio) April 21, 2026
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