O Flamengo aprovou a captação de cerca de R$ 5,5 milhões em patrocínio por meio de verba incentivada para complementar a construção do miniestádio destinado às categorias de base no Ninho do Urubu. O recurso será utilizado principalmente nos vestiários e na área de hospitalidade, enquanto o clube ainda precisará encontrar aproximadamente R$ 13 milhões para concluir arquibancadas e iluminação. Com o campo já pronto, a previsão é de que a estrutura seja finalizada entre 2027 e 2028, colocando novamente em pauta um projeto que começou a ser desenvolvido ainda na gestão de Rodolfo Landim.
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A aprovação do patrocínio representa um avanço importante para uma obra que vinha sendo acompanhada com expectativa dentro do clube. A previsão apresentada anteriormente pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, apontava para a conclusão em 2027. Na ocasião, a diretoria indicou que, caso não fosse possível obter toda a verba por mecanismos de incentivo, o próprio Flamengo assumiria a parcela restante para garantir a entrega da estrutura dentro do prazo estabelecido.
O modelo de financiamento ajuda a explicar a divisão atual dos custos. A verba incentivada será direcionada para áreas específicas do empreendimento, mas a arquibancada e o sistema de iluminação exigirão recursos próprios. O campo, por sua vez, já está concluído. A construção ocupa uma área na entrada do Ninho do Urubu, no lado direito de quem acessa o centro de treinamento pela Estrada dos Bandeirantes. Mais adiante ficam o módulo destinado ao futebol profissional, inaugurado em 2018, e as instalações utilizadas pelas categorias de base.
A estrutura terá como principal finalidade receber partidas das equipes de formação. Hoje, os jogos das categorias inferiores acontecem na Gávea, mas a transferência para o Ninho permitirá ao Flamengo concentrar no centro de treinamento uma parte relevante da operação do futebol de base. O espaço também poderá receber partidas do futebol feminino, uma possibilidade que amplia a utilidade do empreendimento e pode favorecer a captação de recursos por projetos vinculados às leis de incentivo.
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O Flamengo atualmente dispõe de dez campos distribuídos entre futebol profissional e categorias de base. Os campos 1, 2 e 3 são utilizados prioritariamente pelo elenco principal, enquanto os de número 4, 5 e 6 atendem à formação. A existência de diferentes categorias e a necessidade de realização simultânea de partidas fazem com que uma nova estrutura esportiva tenha utilidade operacional, principalmente em períodos de calendário mais congestionado.
A mudança, contudo, produz uma consequência que ultrapassa a questão esportiva. Com a saída dos jogos da base, a Gávea passa a ter espaço para receber outro projeto da atual administração: a revitalização de parte da sede, que inclui a possibilidade de construção de um hotel e de um centro de convenções. A proposta foi apresentada de forma preliminar e ainda depende de etapas administrativas, aprovações internas e autorizações dos órgãos públicos responsáveis.
A ideia de reformular aquela região da sede envolve também alterações na fachada e nos acessos. Uma das justificativas apresentadas está relacionada à configuração atual da entrada pela Lagoa e aos custos associados à ocupação daquela área. Uma eventual mudança de acesso poderia reduzir determinadas despesas e abrir espaço para uma utilização comercial mais ampla do patrimônio.
O projeto do hotel, entretanto, ainda está distante de uma execução imediata. A proposta precisa passar pelo Conselho do clube e por processos de licenciamento antes que qualquer intervenção possa avançar. Por isso, a transferência dos jogos da base para o Ninho do Urubu pode ser vista como uma peça de um planejamento maior para a Gávea, mas não significa que todas as etapas da transformação da sede estejam definidas ou prontas para sair do papel.
É justamente nesse ponto que surge uma discussão relevante para o futuro da Gávea. A sede possui uma característica que diferencia o Flamengo de outros clubes da região: a convivência entre atividades sociais e uma estrutura esportiva de alto nível. Judô, ginástica olímpica, polo, handebol, basquete, vôlei, futebol de quadra e outras modalidades dividem aquele espaço com os associados. A presença do futebol de base também faz parte dessa dinâmica.
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A retirada das partidas das categorias inferiores não significa necessariamente o fim do futebol na Gávea, já que o futebol feminino pode continuar utilizando a estrutura e a própria base poderá recorrer ao local em situações específicas, sobretudo quando houver necessidade de acomodar diferentes partidas simultaneamente. Ainda assim, a mudança altera a função tradicional do espaço e abre uma discussão sobre qual será o equilíbrio entre a exploração comercial da sede e sua vocação esportiva e social.
O miniestádio, portanto, não deve ser analisado apenas como uma nova arquibancada dentro do Ninho do Urubu. Sua conclusão representa uma etapa de reorganização da estrutura do Flamengo. De um lado, oferece melhores condições para as categorias de formação e cria uma alternativa para o futebol feminino. De outro, libera a Gávea para uma possível transformação que pode envolver hotel, centro de convenções, novas áreas comerciais e mudanças na configuração física da sede.
Por enquanto, o passo mais concreto é a captação dos R$ 5,5 milhões em verba incentivada. O restante da obra ainda dependerá dos recursos necessários para arquibancadas e iluminação. Se o planejamento for cumprido, o Flamengo poderá finalmente entregar um projeto discutido há anos e, ao mesmo tempo, avançar em uma mudança estrutural que vai muito além do campo construído no Ninho do Urubu.
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