O Conselho Deliberativo do Flamengo aprovou, nesta terça-feira (03), uma atualização no Estatuto com o objetivo de tornar mais clara e eficaz a vedação à participação de associados e dirigentes em outras agremiações desportivas, nacionais ou estrangeiras, quando essa atuação puder gerar conflito de interesses com o Rubro-Negro. A medida, articulada pela atual gestão, busca reforçar princípios históricos do clube diante de um cenário esportivo cada vez mais complexo.
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A proposta foi apresentada pelo presidente do Conselho Diretor, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, em conjunto com os presidentes dos Conselhos de Administração, Deliberativo, Fiscal, de Grandes Beneméritos e da Assembleia Geral. O texto aprovado não cria uma regra inédita, mas aprofunda e detalha uma vedação já existente, ajustando sua redação às transformações recentes do futebol e às novas estruturas de controle e gestão que passaram a fazer parte do cotidiano do esporte.
O princípio da lealdade como eixo central
Desde suas versões mais antigas, o Estatuto do Flamengo estabelece o dever de lealdade incondicional como um dos pilares da atuação de seus associados e dirigentes. Na prática, isso significa que qualquer vínculo externo capaz de influenciar decisões internas, comprometer a independência administrativa ou gerar dúvidas sobre prioridades deve ser evitado.
A atualização aprovada pelo Conselho Deliberativo parte justamente desse ponto. O clube entende que, embora o princípio já estivesse consagrado, a redação anterior deixava margens para interpretações que não dialogam com a realidade atual do futebol, marcada por operações financeiras sofisticadas e relações indiretas de poder.
Um novo cenário no futebol brasileiro
Nos últimos anos, o ambiente esportivo passou a conviver com estruturas que vão além do modelo associativo tradicional. SAFs, fundos de investimento, holdings e grupos empresariais internacionais passaram a atuar de forma intensa no futebol brasileiro e mundial. Muitas dessas estruturas são lícitas, mas nem sempre transparentes quanto aos seus reais centros de decisão ou interesses cruzados.
Nesse contexto, a simples ausência de participação formal em outro clube já não é suficiente para afastar conflitos. Relações indiretas, influência econômica, assentos em conselhos ou vínculos societários podem, na prática, colocar em xeque o dever de lealdade previsto no Estatuto, ainda que não violem literalmente a redação antiga.
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Segurança jurídica e proteção institucional
A iniciativa aprovada pelo Flamengo busca justamente eliminar essas zonas cinzentas. Ao detalhar melhor o alcance da vedação, o clube amplia sua segurança jurídica e reduz o risco de decisões estratégicas serem contaminadas por interesses externos. O foco está menos em criar punições e mais em estabelecer critérios claros, capazes de orientar a atuação de dirigentes e associados em um ambiente cada vez mais complexo.
Internamente, a avaliação é de que a mudança fortalece a governança e protege a integridade institucional do Flamengo, evitando disputas futuras, questionamentos judiciais ou desgastes políticos desnecessários. A atualização também sinaliza ao mercado e à própria comunidade rubro-negra que o clube pretende preservar sua autonomia decisória mesmo diante da crescente financeirização do futebol.
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Um movimento preventivo
Ao optar por revisar o Estatuto antes que conflitos concretos se materializem, o Flamengo adota uma postura preventiva. A leitura da atual gestão é de que a antecipação reduz riscos e evita que situações potencialmente danosas sejam tratadas apenas quando já estão instaladas.
Mais do que uma resposta a casos específicos, a mudança aprovada pelo Conselho Deliberativo se insere em um esforço mais amplo de adaptação do clube às novas dinâmicas do esporte, sem abrir mão de princípios históricos. Em um cenário no qual interesses se cruzam com cada vez mais frequência, o Flamengo opta por deixar suas regras mais claras, menos ambíguas e alinhadas à dimensão que o clube ocupa no futebol brasileiro e internacional.
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