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Flamengo com razão: Copinha expõe risco do gramado sintético: jogo é paralisado por calor extremo

Flamengo com razão: Copinha expõe risco do gramado sintético: jogo é paralisado por calor extremo

Imagem: Reprodução/Youtube

A paralisação de uma partida da Copa São Paulo de Futebol Júnior, em Itaquaquecetuba, expôs de forma crua um debate que o futebol brasileiro insiste em empurrar para debaixo do tapete. No último fim de semana, jovens atletas de Novo Horizontino e Juventude Samas precisaram interromper o jogo repetidas vezes porque o gramado sintético do estádio Ildeu Silvestre do Carmo atingiu temperaturas incompatíveis com a prática esportiva. Não foi um detalhe pontual nem um exagero retórico. O episódio foi registrado em súmula, flagrado em vídeo e escancarou uma contradição que vai muito além da Copinha.


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A partida, válida pela terceira rodada do grupo 24, começou às 13h, sob calor intenso na cidade. Os termômetros marcavam mais de 30 graus no ambiente, mas o problema real estava sob os pés dos jogadores. O piso artificial esquentou a tal ponto que atletas passaram a retirar as chuteiras para resfriá-las com água durante o jogo. Não se tratava de pausa para hidratação, mas de uma tentativa improvisada de evitar queimaduras e desconforto extremo. Foram quatro interrupções apenas no primeiro tempo, que terminou com dez minutos de acréscimo. Na etapa final, mais oito.

O árbitro Leonardo de Oliveira Silva não deixou margem para dúvida ao relatar o ocorrido. Em súmula, registrou que as paradas adicionais aconteceram exclusivamente para resfriamento dos calçados, em razão da alta temperatura do gramado sintético. A Federação Paulista foi procurada para comentar o caso, mas não respondeu. O silêncio institucional, nesse contexto, pesa tanto quanto o calor do piso.

Estudos já apontam que o gramado artificial pode atingir temperaturas de 20% a 30% superiores às do natural sob as mesmas condições climáticas. Na prática, isso significa transformar o campo em uma superfície hostil ao atleta, sobretudo em jogos diurnos e em regiões de clima mais severo. O que se viu em Itaquaquecetuba não foi um acidente isolado, mas a consequência previsível de uma escolha estrutural.

A comparação feita a partir de medições no Ninho do Urubu ajuda a dimensionar o problema. Em imagens divulgadas por especialistas, um campo natural do centro de treinamento do Flamengo registrava sensação térmica próxima de 45 graus, enquanto dois campos sintéticos, lado a lado e nas mesmas condições, ultrapassavam 68 e 70 graus. A diferença é brutal. Não se trata de opinião, mas de números. A bola corre diferente, o corpo reage de outra forma e o risco de lesão aumenta.

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É justamente por isso que o Flamengo, embora possua campos sintéticos certificados pela FIFA em seu CT, defende publicamente o fim da utilização desse tipo de piso em jogos oficiais. Os campos do Ninho existem como ferramenta de adaptação, para treinos específicos contra equipes que adotam o sintético. São estruturas de alto padrão, homologadas, usadas de maneira controlada. A lógica é preparação, não imposição.

O episódio da Copinha também desmonta um argumento recorrente entre defensores do gramado artificial: o da chancela técnica irrestrita. Certificação não anula física básica. A FIFA pode homologar o material dentro de parâmetros específicos, mas isso não elimina o fato de que o piso esquenta mais, altera o comportamento do jogo e impõe desgaste adicional ao atleta. Quando jovens precisam tirar a chuteira no meio da partida para não queimar os pés, algo está claramente fora de lugar.

Nesse cenário, o debate deixa de ser esportivo e passa a ser econômico. No Brasil, o caso mais emblemático é o do Palmeiras. O Allianz Parque, administrado pela WTorre, arrecada mais com shows e eventos do que com partidas de futebol. O gramado sintético atende a essa lógica: menor tempo de recuperação, maior rotatividade de uso e mais dinheiro em caixa. A decisão não é científica, tampouco centrada na saúde do jogador. É comercial.

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O problema é que essa escolha, feita no topo da pirâmide, escorre para as categorias de base e para competições formativas como a Copinha. Jovens em processo de desenvolvimento físico acabam expostos a condições que nem atletas profissionais deveriam enfrentar. O que aconteceu em Itaquaquecetuba é sintoma de um modelo que prioriza faturamento, contratos e conveniência logística, enquanto trata o campo como detalhe secundário.

O futebol brasileiro precisa decidir se quer discutir gramado com seriedade ou continuar tratando o tema como uma guerra de narrativas. O episódio da Copinha não foi ideológico, nem clubista. Foi concreto, mensurável e visível. Ignorá-lo é aceitar que interesses financeiros sigam se sobrepondo à integridade do jogo e à saúde de quem entra em campo.

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