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Flamengo seria rebaixado na Argentina? Números desmentem declaração de Sormani

Flamengo seria rebaixado na Argentina? Números desmentem declaração de Sormani

Na live da revista Placar transmitida no dia seguinte à derrota do Flamengo na Recopa, o comentarista Fábio Sormani afirmou que, se disputasse o Campeonato Argentino, o clube carioca brigaria contra o rebaixamento. A declaração, feita em tom categórico e acompanhada por concordâncias no estúdio, ganhou repercussão imediata. O argumento central era simples: o time “não pode ver argentino pela frente”. A frase é de efeito. O problema começa quando se confronta o efeito com os fatos.


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A crítica surge num momento específico. O Flamengo vinha do revés recente para Lanús e de tropeços que alimentaram a narrativa de vulnerabilidade diante de adversários do país vizinho. O comentário, porém, não se limitou ao episódio isolado. Ele generalizou um suposto complexo histórico. É aí que a análise precisa sair do campo da impressão e caminhar pela cronologia.

A linha do tempo que desmente o bordão

De 2019 para cá, o Flamengo enfrentou clubes argentinos 19 vezes, somando partidas de Libertadores e Recopa. O recorte não é aleatório. Ele começa justamente no ano da virada de patamar do clube no continente.

O balanço é objetivo: nove vitórias, seis empates e quatro derrotas. São 33 pontos conquistados em 57 possíveis, um aproveitamento de 57,89%. Em cenário hipotético de pontos corridos, o desempenho colocaria a equipe na faixa superior da tabela, distante da zona de descenso evocada no comentário.

A série se inicia com a vitória sobre o River Plate na final da Libertadores de 2019, em Lima. Depois vieram confrontos eliminatórios e fases de grupos contra Racing, Vélez Sarsfield, Defensa y Justicia, Estudiantes e Lanús.

Houve eliminações duras e jogos resolvidos no detalhe. Também houve goleadas fora de casa, como o 4 a 0 sobre o Vélez, em Buenos Aires. Em 2023, o Racing foi superado após empate na Argentina e vitória no Maracanã. Em 2025, dois clubes argentinos ficaram pelo caminho em fases decisivas. O roteiro nunca foi de passeio, mas tampouco de submissão sistemática.

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Dificuldade não é sinônimo de fracasso

A Libertadores raramente oferece conforto. Times argentinos historicamente competem com intensidade, exploram ambientes hostis e sabem jogar eliminatórias. Isso vale para Boca, River e para equipes de menor orçamento. Transformar esse cenário em prova de inferioridade estrutural exige mais do que derrotas pontuais.

O argumento apresentado na live ignora um ponto básico: a maioria desses confrontos ocorreu em mata-matas, contexto em que equilíbrio é regra. Classificar-se nos pênaltis, decidir no fim ou sofrer pressão fora de casa faz parte do enredo continental. Clubes argentinos construíram parte de sua mística exatamente assim. Quando vencem no detalhe, o discurso celebra “garra”. Quando o Flamengo faz o mesmo, vira demérito.

Há tropeços recentes, claro. A derrota para o Lanús no Maracanã é um resultado ruim sob qualquer lente. Mas um jogo não apaga um recorte de cinco temporadas com saldo positivo. Generalizações apressadas costumam atender mais à audiência do que à precisão.

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O debate sobre imprensa e responsabilidade

A reação à fala de Sormani também expõe outro incômodo: a tensão entre veículos tradicionais e mídias independentes. Parte do público questiona o rigor analítico de comentaristas que transformam opinião em sentença. O papel do jornalismo esportivo não é blindar clubes, tampouco amplificar rivalidades como se fossem diagnósticos técnicos.

A crítica ao Flamengo é legítima quando fundamentada. O time oscilou, caiu de rendimento em determinados períodos e sofreu eliminações que frustraram a torcida. O que não se sustenta é a tese de que existe um bloqueio crônico contra argentinos, a ponto de projetar rebaixamento em um campeonato nacional distinto, com calendário, dinâmica e contexto próprios.

No fim, os números não encerram a discussão, mas delimitam o terreno. Eles mostram que, desde 2019, o Flamengo venceu mais do que perdeu contra rivais da Argentina. Não é hegemonia absoluta, tampouco vexame recorrente. É competitividade.

Entre o bordão e a estatística, a diferença é que a segunda exige consulta. A primeira, apenas convicção.

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