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Flamengo tem papel decisivo nas novas regras da CBF e expõe hipocrisia da mídia sobre “omissão”

Flamengo tem papel decisivo nas novas regras da CBF e expõe hipocrisia da mídia sobre “omissão”

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

O debate sobre o papel do Flamengo nas grandes pautas estruturantes do futebol brasileiro voltou ao centro da discussão após a divulgação de trechos do novo Manual de Competições da CBF. Em meio a críticas recorrentes de parte da imprensa, que insiste em tratar o clube como omisso ou apenas interessado em benefícios próprios, documentos e relatos de bastidores mostram um cenário diferente: o Rubro-Negro tem sido um dos protagonistas nas discussões que moldam regras nacionais, especialmente em temas sensíveis como fair play financeiro, preço de ingressos para visitantes e condições de jogo.


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A participação rubro-negra ganhou contornos mais claros a partir de 2025, quando a CBF passou a ouvir clubes de forma mais sistemática na elaboração do regulamento das competições. Segundo apuração do jornalista Manuel Rizzo, a diretoria mais atuante nesse processo foi a do Flamengo, acumulando vitórias e derrotas nas propostas apresentadas, mas deixando uma marca evidente nas decisões finais.

Ingressos para visitantes e o combate a abusos

Um dos pontos mais emblemáticos dessa atuação foi a mudança no cálculo do valor dos ingressos destinados à torcida visitante. A articulação partiu do Flamengo e, ao longo dos meses, recebeu apoio de clubes como Corinthians e São Paulo. O estopim veio em outubro de 2025, no confronto entre Fortaleza e Flamengo, na Arena Castelão, pelo Brasileirão. Na ocasião, flamenguistas chegaram a pagar cerca de 250 reais para acessar o setor visitante, valor que escancarou uma prática recorrente de cobranças consideradas abusivas.

O caso não era isolado. Em diferentes praças, ingressos para os flamenguistas ultrapassavam 300 ou até 400 reais, muitas vezes sob o argumento de que o setor equivalente do mandante tinha preço semelhante. O problema é que, em clubes com forte adesão a programas de sócio-torcedor, grande parte da torcida local não paga ingresso avulso, distorcendo o valor de referência usado no borderô.

A partir desse debate, o novo regulamento passou a estipular que o ingresso do visitante não pode ultrapassar o dobro do valor mais barato cobrado do mandante, considerando a meia-entrada. No exemplo do Castelão, o preço cairia para algo em torno de 40 reais, caso a regra já estivesse em vigor naquele jogo. A medida foi tratada internamente como uma correção histórica em favor do torcedor comum.

Outras frentes de atuação no manual da CBF

A discussão sobre ingressos não foi o único ponto em que o Flamengo atuou de forma incisiva. O clube também participou de negociações que resultaram na proibição de estruturas que prejudiquem a visão do campo no setor visitante, alvo de reclamações frequentes em estádios como os de Palmeiras e Atlético Mineiro. Telas e divisórias que fragmentam o campo de visão passaram a ser questionadas de forma mais dura após o tema entrar oficialmente na pauta.

Outro avanço relevante foi a autorização para que o visitante possa comprar antecipadamente até 50% de sua cota de ingressos, fortalecendo programas de sócio-torcedor e reduzindo a dependência de vendas de última hora. Além disso, o regulamento passou a prever a possibilidade da CBF remanejar partidas para outro estádio ou até para outro estado quando houver decisão por torcida única, evitando improvisos e riscos à segurança.

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Gramado sintético e um debate ainda aberto

Nem todas as propostas defendidas pelo Flamengo avançaram. A proibição do gramado sintético, por exemplo, ficou fora do manual, apesar de o clube ser o principal defensor da pauta. O tema, no entanto, ganhou novo fôlego recentemente com o apoio do Corinthians.

Em 2026, ao menos cinco clubes da Série A utilizarão esse tipo de piso: Athletico Paranaense, Atlético Mineiro, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras. Considerando jogos eventuais em estádios como o Nilton Santos, mais de 100 das 380 partidas do Brasileirão podem ser disputadas em gramados artificiais. A CBF seguiu diretrizes da Conmebol, mas incluiu no regulamento a possibilidade de inspeções e retirada de mandos de campo caso o piso, natural ou sintético, não apresente condições adequadas.

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Participação ativa e o discurso da omissão

Os episódios ajudam a desmontar a ideia de que o Flamengo se beneficia do caos ou se omite em discussões coletivas. Ao contrário, o clube tem adotado postura ativa sempre que há espaço institucional para debate. Isso vale para o fair play financeiro, para regras de competição e até para temas espinhosos como tributação e governança, áreas em que muitos clubes preferem o silêncio estratégico.

A crítica recorrente de que o Flamengo “se mete demais” convive, de forma contraditória, com acusações de que o clube “não contribui”. A realidade aponta para outro caminho: quando participa, incomoda; quando aponta problemas, vira alvo; quando propõe mudanças, é tratado como vilão. Ainda assim, a atuação recente mostra uma tentativa clara de evitar a omissão que, historicamente, permitiu distorções no futebol brasileiro.

No fim, a discussão ultrapassa a rivalidade e o discurso fácil. As regras que hoje entram no papel afetam todos os clubes, todas as torcidas e o próprio produto futebol. Ignorar quem participa ativamente desse processo pode ser conveniente para algumas narrativas, mas não resiste aos fatos.

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