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Flamengo tinha razão? Bap revela detalhes da briga com a Libra e bastidores vêm à tona

Flamengo tinha razão? Bap revela detalhes da briga com a Libra e bastidores vêm à tona

Foto: Paula Reis / Flamengo

A relação entre o Flamengo e a Libra atravessou meses de tensão, impasses e disputas internas que revelam mais do que divergências pontuais. O que se desenhou ao longo de 2025 foi um embate estrutural sobre poder, dinheiro e governança no futebol brasileiro. A recente fala de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, em entrevista ao MengoCast, ajuda a iluminar bastidores que, até então, eram tratados de forma superficial ou enviesada no debate público.


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O dirigente descreve um cenário em que o clube carioca foi rotulado como intransigente, enquanto defendia uma posição que, na prática, estava respaldada pelo próprio contrato. Ao mesmo tempo, expõe um sistema em que decisões estratégicas eram tomadas por um grupo restrito, com pouca transparência e, em alguns momentos, sem disposição real para debate.

A origem do conflito: dinheiro e critério de divisão

O ponto de ruptura não foi ideológico, mas financeiro. A divisão das receitas de transmissão, especialmente os critérios ligados à audiência, tornou-se o centro da disputa.

O contrato da Libra já previa que parte da distribuição deveria considerar o tamanho e o alcance de cada clube. Ainda assim, houve tentativas de relativizar esse princípio, criando mecanismos que, na visão do Flamengo, diluíam sua participação proporcional.

A reação veio de forma direta. O clube aceitou uma divisão majoritária igualitária, mas estabeleceu um limite claro: aquilo que representava sua força de mercado não seria negociado sem critérios objetivos.

A metáfora utilizada por Bap ajuda a entender a lógica. O Flamengo admite compartilhar o crescimento coletivo, mas não abre mão do que já construiu individualmente. A questão, portanto, não era romper com a liga, mas evitar uma redistribuição que ignorasse diferenças reais de audiência e geração de receita.

O isolamento político e a narrativa do “vilão”

Enquanto a discussão avançava, consolidou-se uma narrativa conveniente para parte dos envolvidos. O Flamengo passou a ser tratado como obstáculo, como o clube que “não queria dividir”.

Essa leitura simplifica um cenário mais complexo. Nos bastidores, havia resistência a incluir o clube em espaços de decisão, como o Conselho Gestor. Segundo o próprio dirigente, reuniões eram conduzidas previamente entre alguns integrantes, com encaminhamentos já definidos antes das assembleias formais.

Esse modelo reduz o debate a uma formalidade e transforma divergências em conflitos inevitáveis. Ao reivindicar participação efetiva, o Flamengo não apenas buscava espaço, mas questionava a estrutura de poder da própria Libra.

Judicialização: quando o impasse vira decisão externa

A incapacidade de resolver o conflito internamente levou o caso à Justiça. O desfecho, segundo o relato, foi rápido e direto: a interpretação contratual defendida pelo Flamengo prevaleceu.

Esse ponto é central para qualquer análise crítica. Se a base jurídica estava clara, por que o impasse se arrastou por meses?

A resposta parece estar menos na interpretação do contrato e mais na tentativa de redefinir, na prática, regras já estabelecidas. O processo judicial não apenas encerrou a discussão, mas expôs a fragilidade da governança da liga.

Uma liga que não cresceu

Outro aspecto relevante da crítica feita por Bap está na performance da Libra. Segundo ele, a entidade não gerou novas receitas relevantes desde sua criação, limitando-se a renegociar contratos existentes.

O contraste com o Flamengo é inevitável. Enquanto a liga permanecia estática, o clube ampliava suas receitas de forma significativa, reforçando sua posição de liderança no mercado nacional.

Esse desequilíbrio alimenta uma pergunta incômoda: a Libra está estruturada para criar valor ou apenas para redistribuí-lo?

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A virada: do isolamento ao protagonismo

O cenário começou a mudar quando a própria estrutura da liga entrou em crise. Com dificuldades internas e necessidade de reorganização, abriu-se espaço para uma nova configuração de poder.

O Flamengo, que antes era excluído de decisões estratégicas, passou a integrar o núcleo de gestão, ao lado de representantes de outros clubes.

Essa virada não ocorreu por concessão espontânea, mas por necessidade. A percepção de que o clube tinha razão em pontos-chave da discussão contribuiu para um movimento de aproximação e negociação.

O problema estrutural do futebol brasileiro

A fala do dirigente traz uma crítica mais ampla. Segundo ele, o futebol brasileiro ainda se reúne mais para discutir a divisão de receitas do que para construir novas fontes de renda.

Essa lógica limita o crescimento coletivo. Em vez de ampliar o tamanho do mercado, o debate se concentra em como repartir um bolo que pouco cresce.

Nesse contexto, clubes com maior capacidade de geração acabam pressionados a aceitar modelos que reduzem sua vantagem competitiva, sem que haja contrapartida em expansão de receita.

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Entre discurso e realidade

A pacificação recente não significa que os problemas foram resolvidos. O próprio Bap reconhece que houve perda de tempo e desgaste desnecessário.

O acordo em construção parece mais pragmático do que estrutural. Há concessões de ambos os lados, mas ainda não está claro se haverá mudanças profundas na governança da liga.

A tendência é que o Flamengo utilize sua posição atual para influenciar decisões futuras, especialmente na busca por novos modelos de monetização.

O que está em jogo

O caso da Libra vai além de uma disputa entre clubes. Ele expõe um momento de transição no futebol brasileiro, em que modelos tradicionais começam a ser questionados.

De um lado, há a tentativa de organizar o mercado de forma coletiva. De outro, a necessidade de reconhecer diferenças reais de escala, audiência e capacidade financeira.

O desafio está em equilibrar esses interesses sem comprometer o crescimento do todo.

Flamengo expõe Libra: estatuto descumprido e narrativas contra Bap desmascaradas

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