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Jornalista palmeirense Isabela Labate muda o critério em lances de Flamengo e Palmeiras?

Jornalista palmeirense Isabela Labate muda o critério em lances de Flamengo e Palmeiras?

Imagem: Reprodução / Placar TV

A comentarista Isabela Labate, da Placar, adotou pesos diferentes ao analisar lances de jogadores de Flamengo e Palmeiras contra o Vitória. Em abril, após três jogadas envolvendo Luiz Araújo, Arrascaeta e Saúl, ela acompanhou o entendimento de que as expulsões eram “indiscutíveis”. Três meses depois, diante de uma ação semelhante de Maurício sobre Cacá, classificou o episódio como imprudente, admitiu o cartão amarelo e recorreu até à ideia de um inexistente “cartão laranja” antes de afirmar que, se precisasse decidir, apresentaria o vermelho.


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Os casos não são idênticos, e uma análise séria precisa reconhecer as particularidades de cada movimento. A crítica não está na obrigação de aplicar a mesma punição a qualquer contato com o braço, mas na diferença entre a convicção empregada diante dos jogadores rubro-negros e a quantidade de ressalvas oferecidas quando o envolvido vestia a camisa palmeirense.

Flamengo e Vitória se enfrentaram em 22 de abril, no Maracanã, pela ida da quinta fase da Copa do Brasil. O clube carioca venceu por 2 a 1, em partida dirigida por Anderson Daronco, mas o resultado ficou cercado pelas possíveis expulsões ignoradas pela equipe de arbitragem.

O segundo episódio ocorreu em 29 de julho, no Barradão, pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro. Maurício recebeu cartão amarelo após atingir Cacá no rosto com o cotovelo durante uma disputa por espaço. O VAR não recomendou a revisão para uma possível expulsão, e o meio-campista permaneceu em campo na vitória do Palmeiras sobre o time baiano.

Três vermelhos tratados como evidentes

No encontro pela Copa do Brasil, Luiz Araújo levou o braço em direção a Ramon fora de uma disputa direta pela bola. Arrascaeta escorregou e atingiu o tornozelo do mesmo adversário com as travas da chuteira, enquanto Saúl acertou Caíque no rosto ao utilizar o cotovelo durante uma jogada.

Os três episódios possuem dinâmicas diferentes. O primeiro pode ser enquadrado como uma ação para impedir a passagem do oponente; o segundo envolve uma entrada com a sola depois de um desequilíbrio; o terceiro apresenta o uso do braço em uma disputa. Mesmo com essas distinções, Labate aderiu a uma conclusão única e afirmou que os lances eram claros para expulsão, sem oferecer margem significativa a outra interpretação.

A posição não era isolada. Ex-árbitros consultados depois da partida defenderam ao menos duas expulsões, com avaliações mais contundentes sobre Arrascaeta e Saúl. No caso de Luiz Araújo, houve divergência entre o vermelho direto e a possibilidade de amarelo, o que já demonstrava que nem todos os episódios poderiam ser colocados no mesmo nível de certeza.

O Flamengo foi beneficiado pelos erros de Daronco e do VAR naquela noite. Admitir isso não exige criar uma teoria de favorecimento, como também não apaga a eliminação rubro-negra no jogo de volta. Arbitragem equivocada e suposto esquema são afirmações completamente distintas, embora parte do debate esportivo tenha utilizado as falhas para insinuar algo maior sem apresentar provas.

A função do comentarista deveria ser justamente impedir esse salto. Uma coisa é demonstrar que três jogadores poderiam ter recebido o cartão vermelho; outra, muito mais grave, consiste em usar as decisões para sugerir uma engrenagem destinada a beneficiar determinado clube.

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A cautela que apareceu com Maurício

Ao analisar a ação de Maurício, Labate mudou não apenas o vocabulário, mas a forma de construir seu raciocínio. A comentarista reconheceu que o palmeirense olha para Cacá, tenta ocupar o espaço e levanta o braço, mas descreveu a jogada como “muito no limite”. Também disse compreender quem defendia o amarelo e quem considerava necessária a expulsão.

Quando questionada sobre qual decisão tomaria, respondeu inicialmente que apresentaria um “cartão laranja”. Somente depois escolheu o vermelho, ainda preservando a tese de que a advertência aplicada pelo árbitro seria aceitável.

Essa conclusão final precisa ser registrada para que a crítica não reproduza a mesma distorção que condena. Labate não defendeu categoricamente a permanência de Maurício em campo. Quando pressionada a escolher entre as duas punições existentes, optou pela expulsão.

O problema está no percurso utilizado para chegar até ela. Nos lances do Flamengo, a palavra escolhida foi “indiscutíveis”. No episódio do Palmeiras, apareceram prudência, compreensão pelo amarelo, divisão nas redes sociais, limite interpretativo e até uma cor inexistente na regra. A elasticidade que faltou em abril surgiu com abundância em julho.

A diferença torna-se ainda mais difícil de justificar porque a ação de Maurício reúne elementos importantes para uma avaliação rigorosa. Ele percebe a posição do adversário, abre o braço e o atinge no rosto. De acordo com a regra, o árbitro deve distinguir uma conduta temerária, punida com amarelo, do emprego de força excessiva ou brutalidade, que exige expulsão. Quando não existe disputa pela bola, um golpe deliberado na cabeça ou na face configura conduta violenta, exceto quando a força é insignificante.

Não basta, portanto, afirmar que o jogador buscava espaço. O comentarista precisa explicar o grau da força utilizada, o movimento adicional, o ponto de contato e o risco criado para o oponente. Esses critérios deveriam aparecer com a mesma precisão independentemente do escudo estampado no uniforme.

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Mudar de opinião não é o problema

Nenhum profissional está obrigado a repetir eternamente uma avaliação. Imagens novas, alterações na orientação da arbitragem e diferenças na intensidade podem levar a conclusões distintas. A credibilidade não nasce da teimosia, mas da capacidade de explicar por que dois episódios aparentemente semelhantes merecem tratamentos diferentes.

No caso apresentado, porém, a justificativa técnica não acompanha a mudança do tom. Labate não demonstrou por que a ação de Maurício seria menos evidente do que a de Saúl, por exemplo. Em ambas, existe contato do braço com o rosto durante uma tentativa de ocupar espaço. Há diferenças de movimento e intensidade, mas elas precisariam ser expostas para sustentar a passagem do “indiscutível” para o “no limite”.

O episódio expõe um vício recorrente do jornalismo esportivo. Muitas avaliações deixam de partir do lance para alcançar uma conclusão e percorrem o caminho inverso: começam por uma percepção construída sobre o clube e procuram elementos que a confirmem. Quando isso acontece, o cartão deixa de depender apenas da regra, da intensidade e do risco para passar também pelo ambiente de cada torcida.

Isabela Labate terminou defendendo o vermelho para Maurício, mas não utilizou a mesma firmeza dedicada aos jogadores do Flamengo. Essa diferença não prova favorecimento intencional, porém exige explicação. Sem uma justificativa técnica clara, o “indiscutível” e o “no limite” parecem separados menos pelas características das jogadas do que pelas cores das camisas envolvidas.

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