O Minas Tênis Clube anunciou adesão ao movimento #LutoNoEsporte nesta sexta (13), ao publicar nota oficial contra o novo modelo de tributação proposto no país. A manifestação ocorre em meio à mobilização de centenas de entidades esportivas que veem nas mudanças fiscais risco direto à formação de atletas, à manutenção de projetos sociais e à competitividade brasileira em competições internacionais. O presidente do clube, Carlos Henrique Martins Teixeira, afirmou que a medida pode “inviabilizar a missão de formar cidadãos e atletas de alto rendimento”, convocando sócios, torcedores e famílias a se engajarem na mobilização.
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O posicionamento não surge isolado. Nos últimos dias, clubes de diferentes regiões passaram a declarar apoio ao movimento, que não representa luto literal, mas um gesto simbólico de protesto diante do que consideram retrocesso estrutural no financiamento esportivo.
O que diz a nota oficial
No comunicado, o Minas afirma que o novo modelo tributário “ameaça comprometer a formação de atletas e o desenvolvimento do esporte em todo o Brasil”. O texto ressalta que o impacto não se limita às instituições, mas atinge a base da formação esportiva realizada com responsabilidade social. Segundo o clube, a mudança pode reduzir iniciativas que utilizam o esporte como ferramenta de inclusão e enfraquecer a preparação de novos talentos.
Com mais de mil atletas federados em seu quadro, o Minas é reconhecido como um dos principais centros formadores do país, com histórico de revelar nomes que chegaram a Jogos Olímpicos e seleções nacionais em diversas modalidades. A direção sustenta que a elevação da carga tributária coloca em risco um modelo que depende de incentivos fiscais, patrocínios e parcerias para manter categorias de base e programas sociais.
Ao portal Minas Conexão, o presidente foi direto: “É imperioso mudar a forma de tributação para garantir a prática e o futuro esportivo do país. Não podemos permitir que o custo tributário inviabilize nossa missão”.
O que está em jogo na prática
Entre os pontos que preocupam os dirigentes estão o aumento de tributos sobre empresas de apostas, que hoje figuram entre os principais patrocinadores do esporte nacional, e a redução de benefícios fiscais utilizados por clubes e projetos sociais. A reestruturação legal dos impostos, segundo as entidades, tende a diminuir o volume de recursos disponíveis para manutenção de equipes, viagens, infraestrutura e bolsas para atletas.
Clubes com pouca receita de televisão ou bilheteria dependem quase integralmente desses mecanismos. Sem eles, a consequência prevista é imediata: fechamento de categorias de base, demissões de profissionais, redução de participação em campeonatos e, em casos extremos, encerramento das atividades.
A crítica feita por dirigentes é que o governo, ao buscar ampliar arrecadação, acaba transferindo o custo para um setor que historicamente já enfrenta dificuldades de financiamento. Na avaliação das entidades, seria necessário discutir controle de gastos públicos antes de impor novas cargas a um ambiente que cumpre função social reconhecida.
Esportes olímpicos sob risco
Modalidades como judô, atletismo, natação, ginástica e vôlei de base raramente se sustentam apenas com receitas próprias. Elas dependem de leis de incentivo e renúncia fiscal para sobreviver. Sem esses instrumentos, o impacto não se restringe ao orçamento anual. Ele atinge o planejamento de longo prazo.
Menos recursos significam menos viagens para torneios internacionais, menor intercâmbio técnico, redução de centros de treinamento e queda na preparação de atletas de alto rendimento. O reflexo aparece nos rankings e no quadro de medalhas. O Brasil, que construiu nas últimas décadas presença constante em Jogos Olímpicos, pode perder competitividade.
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O efeito nas categorias de base
O ponto mais sensível da discussão está na formação. Projetos sociais esportivos oferecem acesso a crianças e adolescentes que, muitas vezes, não teriam outra porta de entrada para atividades estruturadas. Quando esses programas encolhem, não é apenas o esporte que perde.
Há impacto na permanência escolar, na ocupação do tempo livre e na descoberta de talentos. Muitos atletas que hoje representam o país iniciaram trajetória em iniciativas sustentadas por clubes e incentivos fiscais. Sem esse alicerce, o funil se fecha antes mesmo de revelar potenciais campeões.
O movimento #LutoNoEsporte surge justamente para chamar atenção a esse cenário. Não se trata de resistência pontual, mas de alerta coletivo sobre o que pode acontecer se o modelo avançar sem ajustes.
Confira a nota completa:
“O Minas Tênis Clube comunica sua adesão ao movimento #LutoNoEsporte. Unindo forças com diversas entidades esportivas do país, o Clube posiciona-se contra o novo modelo de tributação proposto, que ameaça comprometer a formação de atletas e o desenvolvimento do esporte em todo o Brasil.
A nova carga tributária não impacta apenas as instituições esportivas, mas atinge diretamente a base da formação esportiva realizada com responsabilidade e compromisso social. A medida pode resultar na redução de iniciativas que utilizam o esporte como ferramenta de inclusão, além de enfraquecer a preparação de novos atletas e a competitividade brasileira no cenário esportivo.
O presidente do Minas Tênis Clube, Carlos Henrique Martins Teixeira, lamenta o momento vivido e reforça a importância da mobilização conjunta entre clubes e sociedade: “É imperioso a mudança da forma de tributação para garantir a prática e o futuro esportivo ao País. Não podemos permitir que o custo tributário inviabilize a missão de formar cidadãos e atletas de alto rendimento. O esporte é um patrimônio de todos os brasileiros. Convoco os sócios, torcedores, atletas, famílias e todos os apaixonados pelo esporte a se juntarem ao Minas nessa luta”.
O Minas Tênis Clube reafirma seu compromisso histórico com a formação esportiva e com o desenvolvimento social por meio do esporte, e seguirá atuando de forma firme e responsável em defesa desta causa“.
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