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Palmeirense volta a cobrar Gustavo Machado, mas silenciou sobre Leila e a tributação dos clubes associativos

Palmeirense volta a cobrar Gustavo Machado, mas silenciou sobre Leila e a tributação dos clubes associativos

A repercussão da anulação do gol da Chapecoense contra o Palmeiras continua produzindo desdobramentos que vão além das quatro linhas. Nos últimos dias, uma nova frente de debate surgiu nas redes sociais após um influenciador palmeirense publicar vídeos acusando o dublador e criador de conteúdo Gustavo Machado de alimentar narrativas contrárias ao clube paulista. O problema é que a linha argumentativa adotada pelo comunicador acabou expondo uma contradição difícil de ignorar: ao mesmo tempo em que responsabiliza um produtor de conteúdo pela forma como terceiros utilizam seus vídeos, evita direcionar críticas à presidente Leila Pereira em temas que impactam diretamente o próprio clube.


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A discussão teve origem após Gustavo Machado publicar uma de suas tradicionais leituras labiais sobre o polêmico lance envolvendo Palmeiras e Chapecoense. O conteúdo rapidamente viralizou e passou a ser compartilhado por torcedores, jornalistas e influenciadores de diferentes clubes. A partir daí, surgiu a acusação de que o dublador estaria contribuindo para uma narrativa de favorecimento ao Palmeiras.

O argumento, porém, levanta um questionamento elementar: qual é a responsabilidade de um comunicador sobre a forma como terceiros utilizam seu conteúdo? Essa pergunta está no centro da controvérsia.

A tentativa de transformar Gustavo Machado em protagonista

Ao responder Gustavo Machado, o influenciador palmeirense concentrou boa parte de sua argumentação no fato de o criador de conteúdo ser torcedor do Flamengo. A partir dessa informação pública, passou a sugerir que a escolha de determinados vídeos e cortes estaria ligada a uma preferência clubística.

O raciocínio, entretanto, encontra dificuldades quando confrontado com os próprios fatos apresentados durante a discussão.

Gustavo Machado produz conteúdos sobre diversos clubes brasileiros e internacionais. Na própria análise dos vídeos publicados em 2026, aparecem conteúdos envolvendo Santos, Corinthians, São Paulo, Fluminense, Bahia, Arsenal, PSG, Seleção Brasileira e Flamengo. O Palmeiras sequer é o clube mais presente em seu histórico recente de publicações.

Outro ponto destacado durante o debate é que os vídeos produzidos pelo dublador costumam abordar justamente os temas mais comentados do momento. Trata-se de uma lógica utilizada por praticamente todos os criadores de conteúdo digital. Jornais escolhem manchetes. Programas esportivos escolhem pautas. Influenciadores escolhem os assuntos que estão gerando repercussão.

Transformar essa prática em evidência de perseguição exige uma demonstração mais robusta do que simplesmente apontar a preferência clubística de quem produz o conteúdo.

A responsabilidade pelo uso de terceiros

Um dos pilares da crítica direcionada a Gustavo Machado foi o fato de seus vídeos terem sido utilizados por diferentes atores em debates posteriores. O influenciador cita, por exemplo, a utilização de conteúdos do dublador em processos e discussões envolvendo o STJD.

O argumento apresenta uma fragilidade evidente. Se um vídeo é utilizado por jornalistas, torcedores, dirigentes ou até órgãos esportivos, isso não significa que o autor tenha controle sobre o destino daquele material. A lógica seria semelhante à responsabilização de uma testemunha pelo uso posterior de seu depoimento.

Mais curioso ainda é que o próprio Palmeiras já utilizou conteúdos de Gustavo Machado quando estes favoreciam argumentos alinhados aos interesses do clube. Nesses momentos, a origem do material deixou de ser um problema. A questão parece não estar no conteúdo em si, mas no resultado que ele produz quando passa a circular em ambientes menos favoráveis à narrativa palmeirense.

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O silêncio sobre Leila Pereira

A principal contradição aparece quando a análise deixa o universo das redes sociais e entra em um tema concreto que afeta diretamente o Palmeiras.

Enquanto dedica vídeos, publicações e longas análises para atacar Gustavo Machado, o influenciador evita confrontar uma das declarações mais relevantes feitas recentemente por Leila Pereira sobre a reforma tributária.

A presidente do Palmeiras adotou posição divergente de diversos clubes associativos na discussão sobre a equiparação tributária entre associações e SAFs. O tema possui impacto financeiro potencialmente bilionário para o futebol brasileiro e afeta diretamente clubes como o próprio Palmeiras.

Apesar disso, não há registros de mobilização semelhante, vídeos críticos ou cobranças públicas na mesma intensidade direcionadas à mandatária alviverde. A comparação se torna inevitável. De um lado, um criador de conteúdo que faz leituras labiais de lances polêmicos. Do outro, a dirigente máxima do clube discutindo questões capazes de influenciar o futuro financeiro da instituição.

Ainda assim, o alvo preferencial passa a ser o comunicador.

A radicalização do debate

O episódio também revela um fenômeno mais amplo dentro da comunicação esportiva contemporânea.

Cada vez mais, determinados grupos tratam divergências de interpretação como ataques coordenados. Qualquer conteúdo que contrarie interesses momentâneos passa a ser encarado como perseguição, mesmo quando baseado em imagens públicas, fatos verificáveis ou episódios amplamente debatidos.

No caso específico da partida entre Palmeiras e Chapecoense, a própria Comissão de Arbitragem da CBF reconheceu problemas na condução do lance, afastando integrantes da equipe de arbitragem posteriormente. O debate sobre a jogada já existia antes mesmo da publicação da leitura labial realizada por Gustavo Machado.

A repercussão não nasceu do vídeo. O vídeo nasceu da repercussão. Essa inversão cronológica é importante para compreender o tamanho da fragilidade do argumento apresentado.

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Quando a narrativa substitui a crítica

O aspecto mais revelador da polêmica talvez seja a dificuldade de separar crítica institucional de defesa incondicional.

Questionar um árbitro, um dirigente ou uma decisão administrativa faz parte do ambiente esportivo. O problema surge quando determinadas figuras se tornam imunes a qualquer contestação enquanto adversários ou vozes externas passam a concentrar todas as críticas.

Ao direcionar energia para responsabilizar Gustavo Machado pela repercussão de um lance polêmico e, simultaneamente, evitar confrontar posições públicas de Leila Pereira sobre temas estruturais para o próprio Palmeiras, o influenciador acaba produzindo exatamente o efeito contrário ao pretendido.

Em vez de demonstrar coerência argumentativa, expõe uma hierarquia de cobranças onde o critério principal parece não ser a relevância do tema, mas a conveniência do alvo escolhido. O resultado é um debate que se afasta dos fatos e passa a girar em torno de identidades, preferências clubísticas e disputas de narrativa. Nesse cenário, o risco é transformar qualquer discordância em perseguição e qualquer crítica em conspiração.

Quando isso acontece, o futebol deixa de ser analisado e passa apenas a ser defendido. E defesa sem senso crítico dificilmente produz informação de qualidade.

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