Paquetá superestimado? A crítica de Júlio Gomes e o contraponto de Rodrigo Mattos sobre a cria do Flamengo

Paquetá superestimado? A crítica de Júlio Gomes e o contraponto de Rodrigo Mattos sobre a cria do Flamengo

Nos últimos dias, comentários feitos em programas e colunas recolocaram o meia Lucas Paquetá em uma prateleira curiosa: a de jogador “superestimado”, menor do que sua própria trajetória sugere. A fala de Julio Gomes, ao minimizar o impacto de uma eventual chegada de Paquetá ao Flamengo, funcionou como gatilho. A resposta veio rapidamente, com Rodrigo Mattos oferecendo um contraponto raro em um ambiente cada vez mais confortável com simplificações.


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O episódio não acontece no vazio. Ele surge em um momento em que o Flamengo é novamente colocado no centro das discussões de mercado, enquanto jogadores formados no clube passam a ser tratados mais pela narrativa que os cerca do que pelos fatos que sustentam suas carreiras. Paquetá, cria da Gávea, campeão da Copa América com a Seleção, titular em Copa do Mundo e valorizado de forma constante no futebol europeu, virou alvo de um discurso que parece menos interessado em análise e mais em encaixe de roteiro.

Paquetá sob julgamento

Ao afirmar que Paquetá não mudaria o patamar do Flamengo e classificá-lo como “superestimado”, Julio Gomes construiu uma argumentação apoiada em percepções pessoais e em comparações limitadas. O meia foi reduzido à ideia de reserva de Arrascaeta, como se o futebol contemporâneo ainda operasse em compartimentos estanques, sem variações táticas, rotações de elenco ou temporadas longas.

O recorte ignora dados objetivos. Paquetá saiu do Flamengo em 2018 como protagonista, chegou ao Milan, passou pelo Lyon em alto nível e se firmou no West Ham como peça central, a ponto de ser avaliado em cerca de 50 milhões de libras antes do caso envolvendo apostas. Não é comum que um jogador “superestimado” mantenha esse patamar de mercado por tantos anos em ligas distintas. Tampouco é trivial ser titular da Seleção Brasileira numa Copa se o rendimento é apenas mediano.

Há ainda um detalhe pouco mencionado nesse tipo de análise: Paquetá foi valorizado na Europa. Não houve queda progressiva de relevância, mas um caminho de afirmação, algo que não acontece por acaso no futebol de alto nível.

A comparação conveniente com Gerson

A discussão ganhou contornos ainda mais frágeis quando Paquetá foi colocado em oposição direta a Gerson. O argumento implícito é simples: Gerson é multicampeão, Paquetá não; logo, um seria maior que o outro. A lógica ignora contextos. Gerson viveu no Flamengo um dos ciclos mais vitoriosos da história do clube, cercado por um elenco histórico. Paquetá, por sua vez, saiu cedo e construiu sua carreira fora do país, em ambientes menos propícios a empilhar taças.

Comparar títulos sem considerar cenário é um exercício pobre. Paquetá alcançou níveis esportivos que Gerson não atingiu, como protagonismo contínuo em ligas europeias e presença regular na Seleção em competições de alto peso. Isso não diminui Gerson, mas expõe a superficialidade da comparação.

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A invertida necessária

Rodrigo Mattos foi um ponto fora da curva ao recolocar o debate nos trilhos. Ao lembrar que Paquetá esteve muito próximo de uma transferência para o Manchester City, em valores superiores a 60 milhões de euros, e que seu desempenho na Premier League foi consistente, Mattos trouxe o que faltava: contexto. Futebol admite opiniões divergentes, mas não deveria prescindir de coerência factual.

A tentativa de desqualificar Paquetá recorrendo ao argumento de que “Guardiola não acerta sempre” soa como fuga. O fato central permanece: o interesse existiu, os valores estavam na mesa e o jogador era visto como peça capaz de integrar um dos times mais exigentes do planeta. Isso, por si só, desmonta a tese da superestimação.

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Narrativa acima da análise

O caso expõe algo maior do que uma divergência pontual. Há uma tendência recorrente de diminuir jogadores ligados ao Flamengo para ajustar discursos, inflar comparações ou sustentar personagens. Paquetá virou símbolo desse movimento. Não se discute mais apenas se ele jogaria bem ou mal, mas se convém tratá-lo como craque ou como exagero.

No fim, o debate diz menos sobre Paquetá e mais sobre quem o analisa. Entre a opinião rasa e a contextualização honesta, a diferença é abissal. E quando alguém como Rodrigo Mattos rompe a superfície, a fragilidade do discurso contrário fica evidente.

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