Que o salto não entre em campo

A Vila Capanema é um estádio acanhado. Disso o Flamengo já sabia. Tem um péssimo gramado. Sabia, mas ficou evidente quando entrou em campo e foi testado. Só o que não sabia nem imaginava era um jogo estranho, mas em que Jayme me surpreendeu com o pensamento.
Quando a escalação foi mostrada na TV, qualquer um desavisado logo passaria a mão na cabeça e pensaria: “Hum, complicou!”. Isso porque Jayme lembrou o que Luxemburgo fazia (se errado estiver, me corrijam) em 2011, isolando Deivid e pondo cinco no meio-campo.
Retranca? Talvez. Cautela? Pode ser. E até acho que totalmente. O Atlético-PR vem dominando tudo lá na Capanema e seria presa fácil se o Flamengo viesse com tudo para cima. Jayme não retrancou, pois foi com dois zagueiros, mas meteu um homem a mais no meio, mudando o esquema para um 4-2-3-1. A escalação foi a mesma. A única mudança foi que Paulinho recuou para o meio.
E não teve vida fácil, a não ser no segundo tempo, quando tentou algumas arrancadas, lançamentos curtos, metendo a bola entre as pernas da marcação que o cercava, e só. O Flamengo foi banhado com um certo azar, indiscutivelmente. Chicão esticou muito a perna e sentiu a coxa esquerda. Saiu e entrou Samir. André Santos também sentiu. Saiu para a entrada de João Paulo — do gol contra o Grêmio, domingo passado, e que não vinha jogando, em consequência da própria titularidade adquirida por André Santos.
O primeiro gol do Atlético saiu de uma bomba de Marcelo, de fora da área. Da mesma forma, o Flamengo chegou ao empate com Amaral.
Não foi um bom jogo, não teve tensão. Lógico, qualquer torcedor de ambos os times irá discordar de mim, mas, se analisar friamente agora ou amanhã, verá que não houve mesmo focos de nervosismo durante o jogo. Ficou tudo para quarta próxima.
Paulo Baier fez uma tímida partida, até ao extremo. Elias é outro exemplo. E a saída de André Santos quebrou a jogada “combinada” com Paulinho pela esquerda, em que os dois vêm tabelando, confundindo a marcação e criando sempre uma boa chance — vide contra o Goiás, na ida da semifinal.
No fim de semana teremos o Corinthians pelo Brasileiro. Mas, certamente, todos já estão com a mente no Maraca na próxima quarta, onde a torcida, mesmo com o preço abusivo dos ingressos, vai lotar e nos levar para o título, para o tricampeonato e para a Libertadores de 2014.
O empate em 1 a 1 é um bom resultado. Fizemos o tão sonhado gol fora. E que, como contra o Cruzeiro, poderá nos ajudar se o jogo ficar feio e fechado. O empate é bom, mas, quando se trata de final, o Flamengo esqueceu como se disputa desde a década de 1980. Que o salto alto não entre em campo, que a raça, a vontade e a determinação prevaleçam, e, sim, se Zico quiser e com a mão de São Judas, seremos tricampeões do Brasil — já que brasileiros somos hexa.
Falta só mais um, Flamengo. O que era longe lá no início do ano, contra o Remo, está muito perto agora.
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