Ícone do site Ser Flamengo

Volte pra nós, Flamengo!

Esses dias fui a um barzinho ver o jogo do Mengão em Porto Seguro. Veio “correndo” até mim um pequeno menino que deveria estar caminhando para os dois anos de idade. Ele trajava o uniforme completo do Fla e, no alto dos seus 80 centímetros, desfilava pompa e circunstância pelo bar. Chamou a minha atenção batendo as mãozinhas em meus joelhos. Sorri para aquela figurinha que, com uma expressão dramática daquelas que só as crianças de um ou dois anos conseguem fazer, bateu no escudo e apontou para minha camisa, como para mostrar-me que vestíamos o mesmo emblema. Abobei com aquela coisa linda, envolta nos véus da inocência infantil, descobrindo o Flamengo. Queria, nessas horas, ter tão tenra idade e não me preocupar com mais nada a não ser desfilar as cores do meu Manto Sagrado. Assim, não poderia conhecer a modorra ranhenta de focar no meio da tabela e alguns famigerados desgostos que desonram o nome do Flamengo.

Que Flamengo essa criança vai conhecer? O Flamengo das pequenas e grandes lutas diárias, mas que se mostra, que ruge, incendeia? Ou o Flamengo modorrento de promessas descumpridas e falsas expectativas? Um Flamengo que reconhece quem fez por ele, ou um Flamengo que força uma profissionalização descaracterizada? Um Flamengo que sabe ser um rei humilde ou um Flamengo que acha que a nobreza é coisa de cifras? Difícil saber. Confiar nos projetos da Chapa Bleu (que chique, eu falando francês, hahaha) não me faz cega, muito menos me dá todo o otimismo do mundo. Na verdade, talvez a confiança que me resta se deva não aos azuis e à seriedade que passam, mas ao fato de possuir essa fé inesgotável no Flamengo. Possuir a esperança eterna de novos dias gloriosos. Esse sentimento imutável de que o Flamengo não permitirá o sanar de sua honra.

Sem medo de errar, eu digo que, após o hexa, o Flamengo não voltou a ser o mesmo. Equipes defasadas, arquibancadas vazias, metas mesquinhas. Este ano, um CRF que se diz racional, que vislumbra sair do caos em que se meteu antes de sonhar com voos dignos das asas rubro-negras do Flamengo. Vou te contar, apoio isso de não colocar a carroça na frente dos bois. Mas nem sempre ser racional minimiza a chateação da espera. É que ela não é tão recente, e aborrece. Querer o Fla competitivo não é mais do que querer o Fla de volta.

E então, você também quer o Fla de volta. E sabe que isso só virá com honra, com raça, com trabalho. Com projetos e o cumprimento deles. E a Bleu também sabe. E, nos projetos empolgantes da diretoria, surgiu o novo Programa Sócio-Torcedor do Flamengo. Precisávamos disso. Se cada torcedor do Flamengo doasse 10 reais mensais ao clube, em poucos meses seríamos uma potência monstruosa novamente. E, no programa, de fato há planos de no mínimo 40 reais. Inegáveis vantagens, e algumas falhas na execução. E um programa de marketing em cima do Flamengo que, certas vezes, beirou a “agressividade”. Como se quem não fosse ST não quisesse ou não fizesse por merecer um clube mais forte. E, nessa, o seu Zé, que vende queijinho na praia, tem aluguel e família para sustentar, passou mal. Ele quer ajudar o Mengão, vê-lo mais forte. Mas 40 reais, para ele, muitas vezes fazem falta. E aí, azuis queridos? Será que a palavra acessibilidade diz algo para vocês? E o Carlão, em Maceió, que quer ajudar o Flamengo a ser mais forte? Quantos planos a médio e curto prazo de benefício mútuo o CRF oferece e poderia oferecer para pessoas como ele? A síntese do que digo: o Flamengo que queremos abraça a Nação que o carrega.

Aquele menino no bar, ainda embalado pelas cores infantis, conhece o Flamengo que estampa a sua camisa e distrai o seu pai. E o seu pai quer, um dia, que o filho conheça o Flamengo que emana poder. O Flamengo que amedronta não apenas por ser famigerado, mas por ser o real pesadelo de qualquer equipe e o sonho de todo rubro-negro.

Sendo assim, irmãos, avante! Abram as carteiras, soltem a voz, sejam presentes para que nosso Fla volte para nós. Ai, ai, Mengão… nosso amor por você é eterno. E ele não cabe no peito, sai pela garganta e pelos olhos em forma de lágrimas que rolam pela minha face trigueira, da cor do Brasil que você tomou para si. Volte com sua raça, volte com sua alegria, volte com o seu povo em massa, volte para nós.

Bruna Uchoa
Sigam-nos no Twitter: @siteSerFlamengo
Sigam-nos no Instagram: @Siteserflamengo

Comentários
Sair da versão mobile