O meu dia de Hexa – Dividindo o Hexa e a serva!

Para falar do meu dia de Hexa naquele 06 de dezembro de 2009, preciso voltar a semana que antecedeu ao jogo contra o Grêmio pela última rodada do Campeonato Brasileiro. Jogo que nos deu o título brasileiro após dezessete anos de jejum.
Logo após o fim do jogo contra o Corinthians pela penúltima rodada, começou a minha saga para conseguir ingressos para o jogo no Maracanã, a “final”. Na segunda-feira liguei para o Clube querendo saber se poderiam reservar os ingressos já que sou sócia e moro fora do Rio de Janeiro. O Clube disse que não! E agora? O que fazer?
Para ir ao jogo, havia algumas questões: Não poderíamos viajar para o Rio de Janeiro sem ter a garantia dos ingressos e com um senhor de oitenta anos na bagagem, o meu avô. Precisávamos de cinco ingressos e começou a busca com os contatos do Rio. Só conseguimos os ingressos na quinta-feira e mesmo assim somente três pela bagatela de R$ 300,00 cada. Dez vezes mais que o valor real que valia. Sei que houve quem pagou bem mais.
Fomos eu, meu avô e meu irmão. Chegamos ao Rio no sábado à tarde. Fomos para o hotel. Em seguida fui buscar os ingressos e em seguida senti o alívio por ter em minhas mãos os bilhetes mais cobiçados do mundo naquele momento.
Um dos meus grandes sonhos era ver o Flamengo campeão Brasileiro com o meu vô ainda em vida e do meu lado. Precisava de todo jeito sentir a mesma emoção que ele sentiu e sempre rememorava ao me contar sobre os cinco títulos nacionais que o Flamengo havia conquistado até então.
O Maracanã naquele domingo estava diferente; estava mais bonito, mais iluminado, a torcida estava num clima completamente diferente… A festa feita quando o time Rubro-Negro entrou em campo eu nunca vi igual antes. A certeza de título só foi abalada quando o Grêmio fez 1 x 0. Olhei o meu avô e ele só xingava. Já eu não consegui esboçar qualquer reação naquele momento e só pensava: “tem que ser hoje, tem que ser hoje”!
David Braz empatou ainda no primeiro tempo. Alivio! Fomos para o intervalo com o placar em 1 x 1. No segundo tempo a equipe do Flamengo tinha a mesma postura do primeiro e tocava a bola como se pudesse marcar um gol a qualquer momento. Ledo engano! A equipe do Grêmio mesmo reserva, endurecia o jogo.
A bola não chegava com facilidade para Adriano e quando ela chegava ao nosso artilheiro, lhe faltava à perna direita. Na arquibancada nós, torcedores sofríamos de ansiedade e apreensão a cada minuto. Eis que surge um escanteio para o Flamengo. Pet em sua última participação, cobra perfeitamente para talhar a imagem que consagra como eterno ídolo o já respeitado Ronaldo Angelim! Explosão! Euforia! Emoção! Lágrimas! Comemorei assim o gol histórico do “Magro de Aço” e abraçada ao meu avô que também estava emocionado!
No fim da partida mãos doses de emoção! O título era nosso! O Brasil era nosso! Era o fim daquele maldito jejum! Como valeu a pena estar aquele dia com o meu avô no Maracanã! Como foi inesquecível! Como aquele dia foi Flamengo com a gente!!!!
Como falei no meu texto “O meu avô, o Flamengo e Zico”, o meu avô faleceu duas semanas após o título brasileiro de 2009 e assim foi o meu dia de hexa: Dividindo uma cerveja com o meu avô em seu último título em vida no Maracanã!
Obrigada Flamengo! Obrigada Vô!

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