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A máscara caiu! Leila Pereira defende mais imposto para clubes associativos e menos tributo para SAFs

A máscara caiu! Leila Pereira defende mais imposto para clubes associativos e menos tributo para SAFs

Imagem gerada por IA

O debate sobre a reforma tributária no futebol brasileiro ganhou contornos ainda mais políticos após a recente declaração de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, em defesa do modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Em meio às discussões sobre a nova carga tributária que passará a valer a partir de 2027, a dirigente adotou um posicionamento que, na prática, legitima um cenário de maior taxação para clubes associativos e menor para estruturas empresariais, reacendendo críticas e questionamentos sobre coerência institucional e impacto coletivo.


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A fala não ocorreu em um vácuo. Ela surge justamente no momento em que clubes como Flamengo e outras instituições tradicionais se mobilizam para tentar reduzir distorções da nova legislação. A reforma prevê que associações civis passem a arcar com uma tributação entre 11% e 14%, enquanto as SAFs manteriam um regime mais leve, na faixa de 5%.

O que poderia ser uma discussão técnica virou, rapidamente, um debate político e simbólico. E a declaração de Leila passou a representar um marco nessa disputa de narrativas.

A fala e o contexto: o que está em jogo

Ao defender que clubes deveriam caminhar para o modelo empresarial, a presidente do Palmeiras argumentou que as SAFs oferecem maior responsabilização e organização administrativa. A leitura, no entanto, ignora o contexto tributário imediato.

Na prática, a defesa do modelo ocorre justamente no momento em que o sistema passa a privilegiar financeiramente as estruturas empresariais em detrimento das associações. O problema não está na opinião. Está no efeito que ela legitima.

Ao sustentar esse posicionamento, Leila acaba, indiretamente, chancelando um cenário em que clubes associativos, inclusive o próprio Palmeiras, podem ser mais penalizados fiscalmente do que SAFs.

A contradição institucional

A fala escancara uma contradição difícil de ignorar. Leila Pereira é presidente de um clube associativo, eleita dentro desse modelo, com base em regras que agora critica. Ao mesmo tempo, defende um sistema que pode tornar essa estrutura menos competitiva financeiramente.

A pergunta que emerge é inevitável: se o modelo é tão problemático, por que não liderar internamente uma transformação no próprio clube A ausência desse movimento reforça a percepção de incoerência entre discurso e prática. E amplia o peso político da declaração.

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O impacto direto no futebol brasileiro

A diferença tributária proposta não é apenas um detalhe contábil. Ela afeta diretamente o funcionamento dos clubes. Cada operação de compra, venda ou investimento passa a carregar uma carga maior para associações. Isso reduz margem financeira, limita capacidade de reinvestimento e pode impactar diretamente a competitividade esportiva.

Além disso, clubes associativos são responsáveis por uma parcela significativa do esporte olímpico no Brasil. A elevação da carga tributária tende a comprometer essas modalidades, que já operam com margens reduzidas e dependem de incentivos e estrutura institucional para sobreviver.

O efeito pode ser silencioso, mas profundo.

O silêncio sobre Brasília e o papel do Flamengo

Enquanto parte dos clubes se mobiliza em Brasília para tentar ajustar os efeitos da reforma, buscando maior equilíbrio entre os modelos, o posicionamento de Leila contrasta com esse movimento coletivo.

O Flamengo, por exemplo, aparece como um dos protagonistas na articulação contra a tributação mais elevada para associações, defendendo impacto não apenas no futebol, mas em todo o ecossistema esportivo nacional. A ausência de alinhamento reforça a percepção de isolamento político. E transforma o debate em algo que vai além da gestão de clubes.

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A máscara caiu ou o debate amadureceu?

A repercussão da fala revela mais sobre o momento do futebol brasileiro do que sobre uma opinião isolada. Durante anos, o discurso sobre SAFs foi tratado como solução universal para problemas estruturais. Agora, com a reforma tributária, começam a aparecer as implicações práticas desse modelo dentro de um sistema ainda híbrido.

O que está em jogo não é apenas gestão. É competitividade. É equilíbrio de mercado. É o futuro de clubes que sustentam grande parte da estrutura esportiva do país.

A declaração de Leila Pereira, ao defender um modelo que, no cenário atual, favorece financeiramente um tipo específico de clube, acabou por expor uma contradição central do futebol brasileiro contemporâneo. E talvez tenha antecipado um debate que ainda está longe de terminar.

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