Silêncio de Leila Pereira sobre tributação das SAFs gera debate enquanto Flamengo lidera mobilização em Brasília

A discussão sobre a nova tributação dos clubes associativos ganhou força nos bastidores do futebol brasileiro nas últimas semanas, mas um detalhe passou a chamar atenção até de jornalistas: o silêncio do Palmeiras e de Leila Pereira diante de um tema que pode impactar diretamente o futuro financeiro do próprio clube paulista. O debate, que envolve reforma tributária, SAFs, clubes poliesportivos e a sobrevivência do esporte olímpico brasileiro, colocou Flamengo e Palmeiras em posições opostas não apenas institucionalmente, mas também politicamente dentro do cenário esportivo nacional.
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Enquanto o Flamengo passou a liderar articulações em Brasília ao lado de clubes olímpicos, confederações e entidades esportivas para tentar modificar pontos da nova legislação, o Palmeiras preferiu não se posicionar publicamente. A postura chamou atenção justamente porque Leila Pereira costuma se manifestar sobre praticamente todos os grandes temas do futebol brasileiro, especialmente quando envolvem disputas políticas, Libra, arbitragem ou ataques institucionais ao Fla.
A ausência de manifestação ficou ainda mais evidente após Mauro Cezar revelar publicamente que procurou a assessoria de Leila Pereira para ouvir a posição oficial do Palmeiras sobre o assunto e recebeu como resposta que a presidente preferia não comentar a questão. O silêncio abriu espaço para questionamentos inevitáveis.
A nova tributação e o impacto nos clubes associativos
A preocupação dos clubes associativos surgiu após a aprovação da Lei Complementar 214, ligada à reforma tributária, que prevê um novo cenário fiscal para entidades esportivas sem fins lucrativos a partir de janeiro de 2027. Na prática, clubes associativos passarão a ter carga tributária significativamente maior do que as SAFs.
O tema deixou de ser apenas um debate jurídico e passou a preocupar diretamente clubes como Flamengo, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Grêmio, Internacional, Fluminense e diversos outros que mantêm estruturas associativas e poliesportivas.
A crítica central dos dirigentes ligados ao movimento “Luto pelo Esporte” é relativamente simples: clubes que reinvestem integralmente seus recursos em modalidades esportivas, projetos sociais e estruturas olímpicas acabarão pagando mais impostos do que empresas privadas criadas exclusivamente para exploração do futebol profissional.
Na avaliação de representantes do esporte olímpico, trata-se de uma distorção que pode enfraquecer justamente os clubes responsáveis historicamente pela formação de atletas olímpicos no Brasil. E é nesse ponto que o Flamengo passou a assumir protagonismo político.
Flamengo entra na linha de frente em Brasília
Desde 2025, dirigentes do Flamengo intensificaram reuniões em Brasília tentando construir apoio político para alterar a nova tributação. O clube participou de audiências públicas, reuniões com parlamentares e encontros com representantes do governo federal ao lado de entidades como CBC, Pinheiros, Minas Tênis Clube e outras instituições esportivas.
A movimentação ganhou ainda mais força após representantes do esporte afirmarem que o novo modelo tributário pode inviabilizar projetos olímpicos e aumentar drasticamente os custos operacionais de clubes poliesportivos.
Segundo relatos apresentados durante lives e debates recentes, dirigentes chegaram a se reunir no Palácio do Planalto com representantes do governo federal, incluindo a ministra Gleisi Hoffmann, buscando apoio para apresentação de PECs e projetos que reduzam ou equiparem a carga tributária entre SAFs e clubes associativos. Até agora, porém, as mudanças ainda não avançaram concretamente.
TRANSMISSÃO AO VIVO COMPLETA:
O silêncio de Leila Pereira vira debate público
Foi justamente nesse cenário que o silêncio do Palmeiras começou a chamar atenção.
A crítica não surgiu inicialmente em canais identificados com o Flamengo, mas dentro da própria imprensa esportiva tradicional. Mauro Cezar afirmou publicamente que considera o tema muito mais importante para o futuro do futebol brasileiro do que a própria discussão sobre Libra e direitos de transmissão.
O jornalista destacou que não faz sentido clubes associativos pagarem mais impostos do que SAFs controladas por empresários e investidores privados, especialmente quando entidades como Palmeiras, Flamengo e Corinthians mantêm modalidades olímpicas e projetos esportivos muito maiores do que várias SAFs espalhadas pelo país.
A fala ganhou repercussão porque expôs uma contradição política delicada.
Nos últimos anos, Leila Pereira se consolidou como uma dirigente extremamente ativa na esfera pública. O Palmeiras frequentemente divulga notas oficiais sobre arbitragem, Libra, negociações comerciais, posicionamentos institucionais e temas políticos ligados ao futebol.
Mas justamente quando surge uma pauta estrutural que pode impactar diretamente o futuro financeiro do clube, a presidente opta pelo silêncio.
O debate sobre SAFs e interesses futuros
A ausência de posicionamento abriu espaço para especulações dentro do ambiente político do futebol.
Durante debates recentes, comentaristas e torcedores passaram a questionar se existe receio de confronto institucional envolvendo o tema das SAFs. A hipótese ganhou força após Danilo Lavieri revelar que Leila pode assumir a SAF do Vasco em 2028.
Embora não exista qualquer confirmação oficial sobre esse cenário, a simples possibilidade já alimenta dúvidas sobre eventual interesse político em evitar embates públicos relacionados ao modelo societário do futebol brasileiro.
O questionamento passou a ser inevitável: por que um clube do tamanho do Palmeiras, potencialmente afetado pela nova tributação, não lidera ou ao menos participa ativamente do movimento?
A cobrança não ficou restrita ao Palmeiras.
Diversos clubes associativos também passaram a ser pressionados por torcedores e jornalistas para se posicionarem publicamente sobre o tema. A diferença é que, hoje, o Flamengo aparece praticamente isolado como principal força institucional visível dessa articulação política.
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Uma discussão muito maior do que Flamengo x Palmeiras
A polarização natural entre Flamengo e Palmeiras acaba contaminando boa parte dos debates esportivos no Brasil, mas a questão tributária ultrapassa rivalidades clubísticas.
O que está em discussão é o modelo de futebol e de esporte que o país pretende incentivar nos próximos anos. De um lado, estão clubes associativos que sustentam estruturas olímpicas, esportes amadores, projetos sociais e múltiplas modalidades esportivas. Do outro, SAFs estruturadas como empresas privadas focadas prioritariamente no futebol profissional.
O problema apontado pelos críticos da reforma é que o novo modelo tributário cria incentivo econômico direto para transformação dos clubes em SAFs, pressionando financeiramente instituições associativas tradicionais. A discussão ganhou contornos ainda mais delicados porque até mesmo jornalistas de diferentes linhas editoriais passaram a concordar num ponto: a tributação diferenciada tende a enfraquecer o esporte olímpico brasileiro.
E talvez seja justamente por isso que o silêncio do Palmeiras tenha gerado tanto estranhamento. Num ambiente onde Leila Pereira costuma ocupar espaço público em praticamente todos os debates do futebol nacional, a ausência de posicionamento numa pauta estrutural tão relevante acabou falando tão alto quanto qualquer nota oficial.
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