PALMEIRAS ATACA FLAMENGO, MAS NOTA EXPÕE CONTRADIÇÕES SOBRE LIBRA E “COLETIVO”

PALMEIRAS ATACA FLAMENGO, MAS NOTA EXPÕE CONTRADIÇÕES SOBRE LIBRA E “COLETIVO”

A nota oficial divulgada pelo Palmeiras para responder ao comunicado conjunto entre Flamengo e Grêmio abriu um novo capítulo político dentro da crise envolvendo a Libra, os critérios de divisão de audiência e os bastidores da futura liga do futebol brasileiro. O posicionamento alviverde, publicado após o anúncio do acordo que encerrou a divergência entre Flamengo e os clubes da Libra, acabou gerando mais debate do que esclarecimento. A tentativa de enquadrar o Fla como protagonista de uma suposta falta de transparência esbarrou em inconsistências internas da própria nota palmeirense, além de reabrir discussões antigas sobre acordos paralelos feitos pelo próprio clube paulista em negociações anteriores de direitos de transmissão.


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O episódio ganhou ainda mais repercussão porque acontece poucos dias após o Palmeiras anunciar sua saída da Libra. Na prática, o clube já havia decidido abandonar o bloco e caminhar por outro modelo de organização do futebol brasileiro. Mesmo assim, optou por entrar publicamente numa discussão envolvendo um acordo que já havia sido aprovado institucionalmente pelos clubes remanescentes da associação. O movimento surpreendeu até parte da imprensa esportiva que acompanha os bastidores da liga.

A crise começou após Flamengo e Grêmio divulgarem nota conjunta afirmando que ambos atuaram desde o início de 2025 em defesa de critérios de distribuição de audiência que reconhecessem a capacidade de geração de valor econômico dos clubes. O texto também informava que o acordo firmado no fim de semana anterior garantiria aumento de participação nas receitas de audiência entre 2026 e 2029 para os dois clubes.

O Palmeiras reagiu imediatamente, classificando como “mentiroso” o conteúdo do comunicado e afirmando que jamais assinou qualquer documento que implicasse receitas adicionais ao Grêmio. O problema é que a resposta palmeirense abriu margem para interpretações contraditórias e levantou questionamentos sobre o verdadeiro objetivo político da manifestação.

O que a nota do Flamengo realmente dizia

A análise mais cuidadosa do comunicado conjunto de Flamengo e Grêmio mostra que o texto não afirmava explicitamente que o Palmeiras havia assinado acordo bilateral envolvendo repasses financeiros ao clube gaúcho. O comunicado sustentava que o entendimento construído dentro da Libra permitiu ampliar a participação das duas equipes nas receitas de audiência em relação ao modelo anterior.

Na prática, o Palmeiras interpretou que a redação induzia o público a acreditar que todos os clubes da Libra haviam concordado também com os termos paralelos construídos entre Flamengo e Grêmio. Existe aí um debate legítimo sobre clareza pública da nota, especialmente porque o acordo bilateral entre os dois clubes não foi explicitado no texto original.

Mas há uma diferença importante entre apontar possível omissão e chamar toda a nota de “mentirosa”.

Os principais pontos centrais do comunicado são verdadeiros: Flamengo e Grêmio realmente atuaram juntos nas negociações, o acordo realmente aumentou receitas futuras dos dois clubes e houve de fato uma construção política que levou à solução final dentro da Libra.

O acordo paralelo e a reação do Palmeiras

Posteriormente, reportagens revelaram que Flamengo e Grêmio firmaram acordo bilateral fora do âmbito institucional da Libra. Pelo modelo apresentado, o Mais Querido repassaria aproximadamente R$ 24 milhões ao clube gaúcho ao longo do período, como espécie de compensação pela atuação conjunta nas negociações que resultaram no novo acordo de audiência.

A revelação gerou desconforto em parte dos clubes e foi utilizada pelo Palmeiras como principal argumento político contra o Flamengo.

O problema para o discurso palmeirense é que diversas informações posteriores apontaram que os demais clubes da Libra tinham conhecimento prévio da articulação entre Flamengo e Grêmio. Segundo relatos repercutidos por jornalistas como Gilmar Ferreira e mencionados inclusive por nomes da própria imprensa paulista, o acordo paralelo era conhecido internamente dentro do bloco.

Ou seja, se a crítica for relacionada à falta de transparência pública do comunicado, existe debate possível. Agora, se o Palmeiras tenta sustentar que os clubes foram enganados institucionalmente, a narrativa encontra dificuldades diante das informações já divulgadas nos bastidores.

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O discurso do “coletivo” e a contradição política

Talvez o trecho mais contraditório da nota palmeirense esteja justamente na defesa de “governança”, “correção”, “transparência” e “compromisso com o coletivo”.

A fala chama atenção porque o Palmeiras passou os últimos anos assumindo postura extremamente individualizada dentro das discussões sobre liga e organização do futebol brasileiro. O clube frequentemente priorizou seus próprios interesses comerciais e políticos nas negociações da Libra, inclusive fortalecendo movimentos que esvaziaram discussões mais amplas sobre governança estrutural do futebol nacional.

Nos bastidores da própria Libra, sempre houve críticas de que Leila Pereira preferia concentrar protagonismo institucional próximo à CBF, reduzindo espaço para construção de uma liga realmente independente.

Essa contradição ficou ainda mais evidente recentemente na discussão sobre a tributação dos clubes associativos. Enquanto Flamengo lidera articulações em Brasília por mudanças na reforma tributária e defesa dos clubes poliesportivos, o Palmeiras praticamente não aparece publicamente nessa pauta, apesar de também ser diretamente afetado pelo tema.

A pergunta inevitável passou a ser: por que o “coletivo” aparece com tanta força em disputas comerciais da Libra, mas desaparece quando o assunto envolve defesa estrutural dos clubes associativos brasileiros?

O fantasma da Turner reaparece

O debate ganhou contornos ainda mais delicados porque a reação palmeirense acabou reabrindo um episódio antigo envolvendo os contratos do clube com a Turner.

Em 2018, reportagens assinadas justamente por Danilo Lavieri, Marcos Alves e Napoleão de Almeida revelaram que o Palmeiras havia recebido condições financeiras muito superiores às dos demais clubes em negociações de direitos de transmissão da TV fechada. Segundo a investigação publicada na época, o clube paulista teria obtido cerca de R$ 100 milhões enquanto outros participantes recebiam aproximadamente R$ 40 milhões.

O caso provocou enorme desgaste interno entre os clubes e gerou acusações de tratamento privilegiado, falta de transparência e acordos paralelos feitos sem conhecimento amplo do mercado.

A ironia é inevitável.

Agora, ao atacar o Flamengo por articulação bilateral com o Grêmio, o Palmeiras revive exatamente um tipo de prática que já protagonizou anteriormente dentro do mercado de mídia esportiva brasileira.

Isso não necessariamente torna correto o acordo atual entre Flamengo e Grêmio. Inclusive, parte da própria torcida rubro-negra demonstrou desconforto com a ideia de pagamento adicional ao clube gaúcho, interpretando o movimento como algo que poderia soar politicamente como “compra de apoio”.

Mas a lembrança do episódio Turner enfraquece bastante o tom moral adotado pelo Palmeiras em sua nota oficial.

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No fundo, a reação do Palmeiras revela algo mais profundo do que simples divergência sobre contratos de audiência.

A crise escancara uma disputa política permanente por protagonismo dentro do futebol brasileiro. Flamengo e Palmeiras deixaram de competir apenas dentro de campo há alguns anos. Hoje, disputam influência institucional, poder econômico, narrativa pública e liderança nos bastidores do esporte nacional.

Nesse contexto, cada nota oficial deixa de ser apenas comunicado institucional e passa a funcionar como instrumento político. O problema é que, quando clubes entram nessa lógica permanente de guerra de narrativas, as contradições inevitavelmente começam a aparecer.

E talvez a principal delas seja justamente essa: num ambiente onde praticamente todos os grandes clubes já fizeram articulações paralelas, acordos específicos ou negociações individualizadas em algum momento, o discurso absoluto de pureza institucional costuma durar muito pouco diante da memória recente do próprio futebol brasileiro.

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