A pífia carreira de Carlos Alberto mostra que ele nunca atingiu o auge ou jogou mais que Arrascaeta
A ESPN publicou recentemente um vídeo reunindo cem profissionais do futebol para responder a uma pergunta aparentemente simples: quem jogou mais na carreira, Arrascaeta ou Carlos Alberto? O resultado foi esmagador. 77 para o uruguaio, 21 para o ex-meia revelado pelo Fluminense. Ainda assim, a insistência de parte dos votantes em defender Carlos Alberto expôs um problema recorrente no debate esportivo brasileiro: a confusão deliberada entre títulos conquistados e desempenho efetivo em campo.
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A discussão ganhou tração após um lance específico, uma caneta aplicada por Arrascaeta em Carlos Alberto no Maracanã, que rapidamente saiu do campo técnico e migrou para o terreno do ressentimento e da autopromoção. Desde então, o ex-jogador passou a sustentar a tese de que teve uma carreira superior, ancorando o argumento em conquistas coletivas obtidas no início da trajetória, sobretudo a Champions League pelo Porto.
O ponto central, porém, nunca foi quem ganhou mais troféus, mas quem jogou mais futebol ao longo da carreira. E é exatamente aí que a comparação desmorona.
Carlos Alberto chegou ao Porto na temporada 2003/2004, participou de parte da campanha vitoriosa da Champions e marcou gol na final. Os números, contudo, ajudam a colocar a passagem em perspectiva. Foram apenas 22 jogos no primeiro ano, quatro gols e nenhuma assistência. Permaneceu no clube por uma única temporada completa, saiu em meio a conflitos internos e jamais conseguiu se firmar novamente no futebol europeu. Ao todo, atuou em 44 partidas na Europa, marcou cinco gols e distribuiu apenas duas assistências.
A carreira seguiu um padrão conhecido. Passagens curtas, conflitos com treinadores, afastamentos, empréstimos sucessivos e uma queda técnica constante. Corinthians, Werder Bremen, São Paulo, Botafogo, Vasco, Grêmio, Bahia, Goiás, Figueirense e Atlético Paranaense formam uma linha do tempo marcada mais por problemas extracampo do que por rendimento esportivo. O dado é simbólico: aos 22 anos, Carlos Alberto foi vendido pela última vez. Nenhum clube voltou a pagar por seus direitos econômicos até o fim da sua carreira.
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No total da carreira profissional, o meia encerrou com 491 jogos, 85 gols e números irrisórios de assistências para um jogador de criação. Nunca foi eleito para seleções de campeonato, nunca teve protagonismo prolongado em uma equipe e jamais atingiu o chamado auge técnico. O que houve foi um início promissor que rapidamente se perdeu.
Arrascaeta percorreu o caminho oposto. Desde que se firmou como profissional, construiu uma trajetória marcada por regularidade, impacto direto no jogo e protagonismo em decisões. São mais de 600 partidas, 165 gols e 135 assistências. Foi decisivo em Libertadores, campeonatos nacionais e finais continentais, sempre como peça central, não como coadjuvante circunstancial.
Enquanto Carlos Alberto passou pela Europa, Arrascaeta jogou futebol. A diferença é fundamental. Passar por um clube vencedor não equivale a ser determinante em campo. O futebol não se mede por fotografia em comemoração, mas por influência contínua no jogo.
A insistência em defender a superioridade de Carlos Alberto revela mais sobre a fragilidade do argumento do que sobre qualquer suposta injustiça histórica. O próprio ex-jogador, em diversas entrevistas, admite que sabotou a própria carreira. Conflitos, indisciplina e falta de continuidade impediram qualquer evolução técnica consistente. Não houve auge porque não houve lastro.
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Arrascaeta, por sua vez, construiu uma carreira sólida, vitoriosa e reconhecida, tanto por números quanto por desempenho. Compará-lo a Carlos Alberto não é debate técnico, é ruído. Um ruído alimentado por memória seletiva, nostalgia mal resolvida e uma leitura superficial do que significa, de fato, jogar futebol em alto nível.
No fim das contas, a enquete da ESPN apenas confirmou o óbvio. A goleada de 77 a 21 não foi exagero. Foi retrato fiel de duas trajetórias que jamais caminharam lado a lado.
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