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Acordaram? Crise no Palmeiras! Conselheiros querem saída de Lamacchia após título do Vasco

Acordaram? Crise no Palmeiras! Conselheiros querem saída de Lamacchia após título do Vasco

Foto: Cesar Greco / Palmeiras

A conquista inédita do Vasco no Campeonato Brasileiro Sub-20, na noite de sexta-feira (4), aumentou a pressão política sobre o Palmeiras em um momento no qual a relação entre o clube paulista, a família Lamacchia e o projeto de aquisição da SAF vascaína já está sob escrutínio. Depois da vitória por 2 a 0 no Nubank Parque, que garantiu ao cruz-maltino o primeiro título nacional da categoria, conselheiros palmeirenses passaram a defender com mais intensidade a saída de José Roberto Lamacchia do Conselho Deliberativo do clube. O argumento apresentado é o possível conflito de interesses provocado pela participação financeira da família no Vasco, justamente um dos adversários do Palmeiras nas competições nacionais.


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A situação ganhou força justamente porque o confronto entre os dois clubes não terminou com a decisão da base. Palmeiras e Vasco também estarão frente a frente na semifinal da Copa do Brasil, transformando a questão institucional em um problema ainda mais sensível. Segundo informações publicadas por veículos que acompanham os bastidores dos dois clubes, um grupo com mais de 90 conselheiros passou a discutir a permanência de Lamacchia no Conselho, enquanto uma parcela menor adotou uma postura mais incisiva e passou a defender sua saída antes do novo confronto.

O que está por trás da cobrança

José Roberto Lamacchia é marido de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e pai de Marcos Lamacchia, empresário envolvido na negociação para assumir o controle da SAF do Vasco. A relação familiar, por si só, não determina uma irregularidade, mas passou a ser questionada diante da possibilidade de pessoas do mesmo núcleo terem influência econômica em dois clubes que disputam as mesmas competições.

O tema deixou de ser apenas uma discussão política entre torcidas. Em 26 de agosto, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) determinou cautelarmente que o Vasco não realizasse novos empréstimos com a Crefisa nem mantivesse relações comerciais com o Palmeiras enquanto apura possíveis conflitos de interesse relacionados à operação da SAF. José Roberto Lamacchia aparece na estrutura do negócio como avalista da operação e também integra o Conselho Deliberativo do Palmeiras.

A decisão regulatória deu outra dimensão a uma controvérsia que já vinha sendo explorada publicamente. A discussão passou a envolver não apenas a conveniência política de Lamacchia permanecer no Conselho, mas também a necessidade de estabelecer limites claros para relações entre clubes que competem pelo mesmo mercado esportivo.

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O alerta que veio do Flamengo

Foi justamente nesse ponto que uma antiga crítica de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo, voltou ao centro do debate. O dirigente rubro-negro questionou anteriormente a possibilidade de a família de Leila Pereira assumir uma posição relevante no Vasco enquanto ela permanecesse no comando do Palmeiras.

A crítica sempre esteve baseada na preocupação de que um mesmo núcleo familiar pudesse ter interesses relevantes em dois clubes da Série A. O argumento ganhou novo peso político depois que a própria estrutura regulatória do futebol brasileiro passou a examinar o caso. A Anresf abriu procedimento para investigar a situação e adotou medidas cautelares que restringiram negócios entre Vasco, Palmeiras e Crefisa.

Isso não significa, porém, que qualquer suspeita levantada anteriormente esteja automaticamente comprovada. A existência de uma investigação ou de uma medida cautelar não equivale a uma conclusão definitiva sobre irregularidade. O que existe, neste momento, é um problema concreto de governança que passou a exigir respostas institucionais.

A derrota no Sub-20 virou combustível político

A final do Brasileiro Sub-20 funcionou como um novo gatilho para a discussão. O Palmeiras havia vencido o primeiro jogo por 1 a 0, em São Januário, e entrou na decisão com a vantagem de poder empatar para conquistar o quinto título da competição. O Vasco, entretanto, venceu por 2 a 0, com dois gols de Andrey, virou o confronto e conquistou pela primeira vez o campeonato.

A repercussão política veio imediatamente depois da partida. De acordo com relatos publicados sobre os bastidores do Palmeiras, conselheiros cobraram explicações em um grupo de mensagens que reúne integrantes do Conselho e do qual Leila Pereira também participa. A pressão é para que Lamacchia deixe o colegiado antes do duelo contra o Vasco pela Copa do Brasil.

Nas redes sociais, o episódio também produziu outro tipo de discussão. Uma publicação questionando a reação de Leila Pereira após a derrota do Palmeiras no Sub-20 foi usada como combustível para comentários de torcedores que já associam a presidente à negociação envolvendo a SAF vascaína. Nesse caso, é preciso separar opinião de evidência: uma expressão facial, uma imagem ou um vídeo curto não comprova qualquer preferência esportiva ou interferência administrativa.

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O problema do Palmeiras

O ponto mais delicado para o Palmeiras está justamente na percepção de independência. Mesmo que não exista comprovação de favorecimento ao Vasco, a simples possibilidade de interesses cruzados pode produzir desgaste para o clube, principalmente quando os dois times se encontram em uma disputa direta por títulos.

Esse é o elemento que transforma a discussão em algo maior do que uma provocação entre torcedores. O futebol profissional depende de confiança. Quando um dirigente, conselheiro ou grupo econômico possui relações relevantes com dois concorrentes, torna-se necessário criar mecanismos capazes de impedir não apenas uma eventual interferência, mas também situações que produzam dúvidas sobre a lisura das decisões.

A discussão ganhou força porque o Vasco e o Palmeiras estarão novamente em lados opostos na Copa do Brasil. O confronto, portanto, será acompanhado não apenas pelo resultado dentro de campo. Haverá também atenção sobre as relações comerciais, societárias e institucionais que envolvem os dois clubes.

Para o Palmeiras, a questão deixou de ser exclusivamente externa. Conselheiros do próprio clube passaram a cobrar uma solução, enquanto a Anresf já estabeleceu restrições cautelares e conduz sua apuração. Para o Flamengo, o episódio também serve como argumento político para quem defendia que a estrutura envolvendo Palmeiras, Crefisa e família Lamacchia precisava ser examinada com mais cuidado.

No fim, a discussão não deveria depender de quem ganhou ou perdeu o Brasileiro Sub-20. O Vasco conquistou a taça dentro de campo, mas o verdadeiro problema institucional permanece fora dele. Se existe uma estrutura capaz de gerar conflito de interesses, cabe aos órgãos responsáveis estabelecer os limites. E, para os clubes envolvidos, transparência e separação de interesses deixam de ser apenas uma questão de imagem e passam a ser parte essencial da credibilidade do futebol brasileiro.

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